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Nº edição: 655 | Estilo | 23.ABR.10 - 21:00 | Atualizado em 06.02 - 17:41
Terroir em forma
Vinícolas chilenas do Vale do Colchagua voltam à normalidade pós-terremoto. E continuam seduzindo os amantes do vinho
Por Adriana Nicacio, de Santiago

A produtora Lapostolle: a casa é pioneira no uso da gravidade para selecionar as uvas, retirando sem fricção o que há de melhor da fruta
Trata-se de uma viagem pelos costumes e tradições chilenas em que o visitante toma o trem em Santa Cruz e segue até o coração do Colchagua, degustando os melhores e mais exclusivos vinhos da região. “As vinhas estão funcionando bem. E os serviços e a amabilidade continuam como sempre”, atesta a turista argentina Maria Alejandra Moreno.
Para os amantes do vinho é uma grande notícia. O Vale do Colchagua é o terroir chileno. A expressão francesa significa conjunto de solo, clima e plantas que define o estilo único de um vinho e o potencial de uma região. A 180 quilômetros ao sul de Santiago, tudo favorece a produção dos vinhos chilenos. São 20 mil hectares de solo rico em calcário, com pouca chuva e grande variação de temperatura, pois recebe ventos do Oceano Pacífico e da Cordilheira dos Andes.

Vista da vinícola Montes, construída com base nos preceitos do Feng shui e onde os vinhos repousam ao som de cantos gregorianos
De acordo com a revista especializada americana Wine Enthusiast, o Vale do Colchagua desbanca a região do Médoc, na França, e a do Priorato, na Espanha, sendo considerada a melhor região para vinhos do mundo. E graças ao cenário bucólico, desenhado pela imensidão verde dos vinhedos, a também americana Travel and Leisure classificou o lugar como um dos cinco melhores destinos de turismo do mundo.
É no Colchagua que estão os principais produtores de vinhos do Chile, como Lapostolle, Montes, Viu Manent, Santa Cruz e Hacienda Araucana. E nenhum deles foi gravemente afetado pelo terremoto. Quem for à vinícola Lapostolle, por exemplo, poderá conhecer a produção da vinícola que é pioneira no uso da gravidade para selecionar as uvas, retirando sem fricção o que há de melhor na fruta.
Também é possível degustar seu rótulo premium, o Clos Apalta, uma combinação de Carmenère, Merlot e Cabernet Sauvignon, desenvolvido pelo enólogo Michel Rolland, com quem a Lapostolle tem um contrato de consultoria exclusiva. A arquitetura da sede também encanta.

Rótulo premium: Combinação de carmenère, merlot e cabernet sauvignon, desenvolvida por Michel Rolland para a Lapostolle
A adega possui seis andares incrustados na pedra e, apesar de a empresa possuir vinhedos em três importantes regiões do Chile, é no Vale do Colchagua que estão os maiores investimentos. “Aqui são elaborados apenas 2% da produção total da empresa, por ser uma produção cara”, explica Diego Urra, relações-públicas da vinícola.
“A colheita é feita à noite e 60 pessoas fazem a seleção manual dos grãos. Os bagos não são prensados e depois da criomaceração eles são vinificados inteiros em cubas de 7.500 litros de carvalho francês.” Na vinícola Montes, que perdeu apenas 5% de sua produção durante o terremoto, os vinhos voltaram a repousar ao som de canto gregoriano.

As atrações da localidade não se resumem à degustação de vinhos. Na produtora Viu Manent é possível provar as bebidas
harmonizadas e visitar as plantações a cavalo
Toda construída com base nos conceitos do Feng Shui, os primeiros tremores desorganizaram os barris, que ficavam dispostos em semicírculos. Mas tudo ficou como antes. Logo na entrada, é possível encontrar uma fonte, cuja água percorre o prédio no sentido de fora para dentro. E na loja estarão à venda os vinhos Montes Alpha M, Montes Folly e Purple Angel, que estão entre os melhores e mais caros do país. “Conseguimos criar um ambiente para dar a sensação de calma e paz”, explica o chefe do Turismo da Viña Montes, Guillermo Silva.
A viagem pela terra do vinho reserva outros encantos. Também são garantidos o almoço na Hacienda Araucana, o passeio a cavalo pelas plantações da Viu Manent e a visita ao teleférico no topo da vinícola Santa Cruz. Nela, o turista poderá ver réplicas de aldeias indígenas Mapuche, Aymara e Rapa Nui. Não bastasse degustar uma das melhores uvas do mundo, o visitante ainda terá o privilégio de apreciar uma paisagem cinematográfica. Quem vai, não esquece.
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