FINANÇAS
Nº edição: 654 | Finanças | 16.ABR.10 - 21:00 | Atualizado em 26.04 - 17:19
De Saint-Tropez para a prisão
Bruno Farina, um dos maiores operadores de câmbio do País, abriu mão de ser banqueiro e hoje está preso por não pagar a pensão das três filhas
Por Juliana Schincariol
A foto abaixo capta um daqueles momentos inesquecíveis na vida de um casal. Um encontro romântico, em Saint-Tropez, na Riviera Francesa. Bruno Farina, um dos maiores corretores de câmbio do País, e sua esposa, Neusa Tahan, dividiam a mesa e a alegria do casamento.
Passados dois anos, será difícil repetir a cena. Neusinha, como é conhecida na sociedade paulistana, é hoje a ex-mulher que briga na Justiça com Farina – e ele experimenta há mais de 20 dias a cama de cimento da cadeia de Guarulhos. O que provocou o fim da união de 14 anos? Dinheiro.

Neusa Tahan briga com o ex-marido Farina pela pensão das filhas, de R$ 45 mil
Farina, ex-dono da corretora Action, vendida por US$ 40 milhões ao Banco Rendimento há dois anos, deve R$ 675 mil em pensão alimentícia para as três filhas que teve com Neusinha. Sua prisão foi decretada em agosto do ano passado e desde então se escondia para não ser preso. Deixou até de exercer uma opção que lhe permitira ser sócio do Banco Rendimento.
Acossado pela ex-mulher e pela Justiça, Farina protagonizou um vexame há duas semanas. No dia 25 de março, o voo 3357 da TAM se preparava para decolar do aeroporto internacional de Cumbica, com destino a Foz do Iguaçu, o paraíso dos doleiros. Dentro da aeronave, Bruno Farina, que estava acompanhado da namorada, uma paraguaia de 25 anos, grávida do seu sexto filho, foi o único que não conseguiu chegar ao destino. Foi retirado pelos policiais, que o levaram diretamente ao presídio.
Neusinha, neta de fazendeiro e filha do ex-presidente da liga Árabe-Brasil Hassa Ahmad Tahan, não se comove. “Juntos, ganhamos muito dinheiro. Eu era parceira dele. Ia a viagens de negócios e promovia jantares na minha casa”, disse ela à DINHEIRO. Ela afirma que, nos primeiros dois anos do casamento, chegaram a morar em um apartamento alugado. Mas depois desfrutaram do elevado padrão de vida, com viagens a Aspen, Miami e Saint-Tropez. De tanto visitar a França, Farina refinou o paladar e passou a apreciar vinhos. Criou até uma confraria com o seu nome, a Confrarina.
A dissolução do casamento fez com que Neusinha passasse a enxergar uma série de atitudes supostamente premeditadas pelo ex-marido. No ano passado, antes do fim do casamento, o casal mudou seu contrato de separação total de bens para parcial, de comum acordo. Na divisão das propriedades, a esposa ficou com um apartamento localizado no bairro do Itaim e um Porsche Cayenne.
No entanto, o imóvel foi dado como caução no contrato de locação de uma loja da Action, na capital paulista, o que impedia a venda do imóvel. Farina também pagou apenas metade do valor previsto no contrato pela separação. Em vez de R$ 4 milhões, deu R$ 2 milhões à ex-mulher – uma quantia, diga-se de passagem, suficiente para manter um bom padrão de vida, mas, segundo Neusinha, inferior ao que havia sido acordado. Ela argumenta ainda que o ex-marido ficou com a parte mais valiosa dos bens do casal, como a participação em grandes hotéis em Miami e na corretora Advantage, além de negócios que Neusinha classifica como “escusos”.
O montante fixado para a pensão das três filhas é de R$ 45 mil mensais, mas Farina não tem honrado os pagamentos. O empresário teria feito apenas alguns depósitos pontuais nos últimos meses e sua defesa alega que ele não tem um centavo para entregar. Também diz que a ex-mulher opõe-se a uma renegociação.
“O valor extrapola demais o que ele pode pagar”, diz o advogado de Farina, Fabio Andrade. Há uma audiência marcada para 19 de maio, na qual Neusinha e o ex-marido ficarão frente a frente. A tentativa é selar um acordo de paz e uma revisão no pagamento para R$ 5 mil mensais. “Hoje ele está sem trabalho”, afirma Andrade.
O advogado afirma que Farina foi destituído de seu cargo na Action – embora tenha vendido a corretora, havia sido convidado para seguir como diretor – desde novembro do ano passado.
Segundo o advogado, seu cliente também abriu mão do direito de se tornar sócio do Banco Rendimento, com a recompra de 30% das ações. Quem ganhou a participação de Farina foi o seu antigo sócio e cunhado Sérgio Severo. Neusinha, no entanto, fala que foi uma operação de fachada e que Farina teria passado sua parcela no banco para o sócio Severo justamente para não ter que dividir os bens com ela.
“Esta é uma armadilha que ele usou para não ter as ações penhoradas. Mas elas já estão bloqueadas”, diz a mulher. Segundo ela, o Banco Rendimento já foi notificado. A participação de Farina, diz Neusinha, é avaliada em aproximadamente US$ 10 milhões. “E eu vou buscar o que é das minhas filhas.”















