ECONOMIA
Nº edição: 653 | Economia | 09.ABR.10 - 21:00 | Atualizado em 12.04 - 16:57
Hora de erguer uma muralha?
Os empresários pedem uma barreira às importações chinesas, às vésperas da chegada de Hu Jintao
Por Rodolfo Borges
Nesta quinta-feira 15, o presidente Lula terá mais uma oportunidade para exaltar o que chama de “nova geografia comercial” do mundo. Em Brasília, ele receberá os presidentes da China, da Índia e da Rússia numa cúpula de líderes dos BRICs – o grupo que, em 2050, responderá por metade da economia mundial, segundo o criador do conceito, o economista Jim O´Neill.

Lula na muralha da China, em 2004: Hoje ele busca uma aliança política, mas está preocupado com o comércio
Os empresários, no entanto, estarão mais preocupados com as ações concretas que o governo brasileiro poderá tomar para conter as importações de produtos chineses – nos últimos três anos, elas saltaram de US$ 7,6 bilhões para US$ 15,9 bilhões. À primeira vista, nem seria um problema tão sério, porque as exportações brasileiras cresceram de US$ 8,4 bilhões para US$ 20,2 bilhões.
A questão é que o Brasil ainda exporta produtos primários, como soja e minério, enquanto importa bens industrializados, de setores que empregam muito mais mão de obra. E o tema já faz parte até das campanhas dos candidatos à Presidência. Dias atrás, José Serra do PSDB, declarou que o Brasil não se defende de “práticas desleais de comércio” da China. A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, engrossou o coro com promessas ao empresariado mineiro para conter as importações do país oriental.
Para piorar, as empresas brasileiras também vêm perdendo espaço na Argentina para concorrentes chineses. “É preciso dar um basta”, diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. “Todo o setor de manufaturados está sofrendo com a concorrência desleal chinesa”, reforça Heitor Klein, diretor da Abicalçados.
As pressões sobre a China não são apenas brasileiras. Na semana passada, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, foi a Pequim na cruzada pelo fim da subvalorização artificial do yuan – com uma moeda mais fraca, os chineses inundam o mundo com produtos subfaturados. Diante da gritaria generalizada dos empresários, a Câmara de Comércio Exterior acentuou as medidas antidumping contra os calçados importados chineses. O que é visto com maus olhos pelo embaixador chinês Qiu Xiaoqi. “A cooperação entre os membros do BRICs está baseada na igualdade e devemos nos olhar como sócios estratégicos”, disse ele à DINHEIRO.
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