ECONOMIA

online | Economia | 08.ABR.10 - 09:58 | Atualizado em 13.06 - 13:24

Aumento dos juros é inevitável, dizem analistas

Diante da piora das expectativas de inflação e do aquecimento da atividade econômica, analistas apostam em alta de 0,75 ponto porcentual da Selic na próxima reunião do Copom.

Por Flavia Gianini e Rodrigo Caetano

Apesar da desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em março, na comparação mensal, economistas apontam que o cenário deve forçar um aumento mais rápido do juro básico pelo Banco Central. Segundo André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, os índices inflacionários estão acima das expectativas desde o início do ano. “São os níveis mais altos desde 2004”, justifica.

Para André Ferreira, sócio da Futura Corretora, é praticamente certeza um aumento do juro básico na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no final deste mês. Os números apontam que a medida já devia ter sido tomada, segundo o analista, e só não foi por conta do cenário externo, que ainda suscita dúvidas quanto à capacidade de recuperação da economia mundial. A situação da Grécia, em especial, é o que mais preocupa.

Mesmo com a desaceleração dos preços em março, com os grupos transporte e educação pesando menos no bolso do consumidor, os economistas consultados pela Dinheiro Online veem sinais de pressões inflacionárias no mercado como um todo. “O crédito está elevado, há aumento da renda e o uso da capacidade instalada está chegando ao limite”, enumera o economista Silvio Campos Neto, do Banco Schahin. Para ele, o cenário autoriza os empresários a subir os preços. 

Segundo os analistas, a divulgação da ata do Banco Central (BC) mostrou que a instituição está atenta as pressões inflacionárias e vai manter a inflação de 2010 entre 4,5% a 6,5%. Entretanto, o índice deve passar longe do centro da meta (o ideal). Assim, a maior parte dos economistas está revendo a previsão de alta da Selic para a próxima reunião do Copom de 0,5 ponto porcentual para 0,75 pontos porcentual. “A alta na taxa básica demora a mostrar efeito nos preços, por isso o BC deve apostar em um aperto maior para evitar políticas monetárias durante o período eleitoral”, afirma Perfeito.

Com a permanência de Henrique Meirelles à frente do Banco Central, Ferreira acredita que a subida dos juros será mais amena, de 0,5 ponto porcentual. “Se ele (Meirelles) tivesse saído, o novo presidente fatalmente aumentaria em 0,75 ponto porcentual para mostrar pulso firme”, declara o analista.

Os economistas do banco BTG Pactual apostam em um ciclo total de 2,25 pontos porcentuais, a ser implementado em três movimentos sucessivos de 0,75 ponto porcentual a partir da reunião do Copom de abril. Para eles, a estratégia mais acelerada de implementação do ciclo de aperto monetário, contribuiria para evitar os ruídos adicionais a que a política monetária estaria sujeita no auge da campanha eleitoral. “Fazendo três movimentos de 0,75 ponto porcentual entre abril e julho, o BC não deve ultrapassar o orçamento adequado de altas de juros. Por outro lado, caso acabe se revelando necessário ir além, o início mais incisivo pode representar uma vantagem importante”, afirmam.

Para a corretora MCM, se o início do aperto monetário for parcimonioso (em 0,5 ponto, por exemplo), há um risco importante a ser analisado por aqueles que assumem posições no mercado futuro de juro.

Leia mais:
IBGE: IPCA desacelera para 0,52% em março

 


 


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