FINANÇAS
Nº edição: 652 | Finanças | 02.ABR.10 - 13:00 | Atualizado em 07.02 - 18:43
Seguro para multidões
Caixa entra no ramo de saúde e agita a concorrência de um setor que investe na popularização e pode dobrar de tamanho em cinco anos, para 7% do PIB
Por Milton Gamez e Márcio Kroehn
Durante muitas décadas, a Caixa Econômica Federal atuou como um banco popular de uma nota só: habitação. Movida pelos financiamentos para a compra da casa própria, a Caixa transformou-se nos últimos anos numa organização ambiciosa, com atuação em várias frentes e oferta de produtos para pessoas físicas e jurídicas. Seu último movimento, na segunda-feira 29, foi a decisão de fincar pé no setor de seguro saúde. Em assembleia, os conselheiros da instituição aprovaram a criação de uma seguradora específica para esse fim. Faz sentido?

Nova estratégia: A presidente da Caixa, Maria Fernanda (acima), decide entrar no mercado de planos de saúde,
dominado pelas seguradoras Bradesco e SulAmérica
Quando se olha o potencial de receitas desse mercado, sim. “O mercado de seguros vai superar o bancário em pouco tempo. Lá fora, as seguradoras é que são donas de bancos”, diz Armando Vergílio, ex-presidente da Susep. No caso da saúde, o mercado brasileiro movimentou R$ 63,6 bilhões em 2009, segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS).
Em dezembro, 42,8 milhões de brasileiros possuíam planos de saúde e odontológicos. É um fenômeno que se intensificou nos últimos anos, com o aumento do poder aquisitivo da população. Pesquisa do IBGE divulgada na quarta-feira 31 mostrou que 25,9% dos brasileiros possuíam algum plano de saúde em 2008. Cinco anos antes, eram 24,3%. É nesse mercado pujante que Maria Fernanda Ramos Coelho, presidente da Caixa, está de olho.
A executiva ainda não detalhou sua nova estratégia nem o modelo de negócios que pretende adotar. O Banco do Brasil, por exemplo, atua em parceria com as seguradoras privadas, em joint ventures específicas para cada ramo de seguros. A intenção da Caixa, num primeiro momento, é oferecer planos de saúde para os clientes corporativos, segundo a assessoria de imprensa da instituição.
A prioridade continua sendo o seguro de vida, a preços acessíveis para conquistar as classes populares. Não será fácil para a Caixa ganhar dinheiro com saúde. “Existe uma tendência de concentração das operações de saúde”, afirmou à DINHEIRO o novo presidente-executivo da SulAmérica, Thomaz Cabral de Menezes, cinco horas depois de tomar posse no cargo, na quarta-feira. O número de provedores de planos caiu quase pela metade desde 2000, para 1.200 organizações.
As seguradoras detêm somente 20% das receitas desse mercado, dominado por cooperativas (35%) e empresas de medicina de grupo (30%). Dentre as seguradoras, duas lideram com folga: Bradesco, com participação de 43% em 2009, e Sul América, com 36,7%. Aqui, o nome do jogo é escala.
“O tamanho da carteira é muito importante e faz diferença nas negociações com hospitais e laboratórios”, explica Patrick de Larragoiti Lucas, presidente do conselho de administração da SulAmérica. A companhia, que recentemente comprou a carteira de saúde do HSBC, continua com fome de bola. “Estamos olhando novas aquisições”, diz ele.
Ao contratar um experiente corretor de seguros (Menezes trabalhou na Marsh Corretora por 23 anos), Larragoiti Lucas reforça o canal de vendas independente, do qual depende para fazer frente ao avanço dos grandes conglomerados bancários no setor. “Nos seguros de automóvel e saúde, as vendas são mais técnicas e o uso dos corretores é uma vantagem competitiva”, ressalta.
O empresário, ao deixar de acumular as duas principais funções da SulAmérica, melhorou a governança corporativa, essencial para atrair recursos numa companhia de capital aberto. Se depender das projeções otimistas de crescimento do setor, cada centavo será importante para os investimentos que definirão os ganhadores dos próximos anos.

Novo presidente: A SulAmérica quer crescer mais e contratou Thomaz Cabral de Menezes, ex-Marsh Corretora,
para presidir a diretoria-executiva. Patrick de Larragoiti Lucas continuará na presidência do conselho
Somente em 2010, o crescimento do setor deverá ser de 16% a 20%, segundo as projeções Susep, autarquia que regula e fiscaliza empresas de seguros (exceto saúde), previdência aberta e capitalização. No ano passado, as receitas totais dessas companhias aumentaram 12%, para R$ 95 bilhões, e atingiram 3,16% do PIB, um recorde histórico.
Armando Vergílio, que dirigiu a Susep até o mês passado, prevê o dobro disso em pouco tempo. “Se não fizermos nada, o seguro vai a 6% do PIB em 10 ou 12 anos. Pelas ações estruturadas ou planejadas para curto e médio prazo, chega a 7% em cinco anos”, afirma.
O fortalecimento do setor, com a capitalização obrigatória das empresas a partir de 2008, é um dos fatores importantes nesse cenário. Segundo Vergílio, os aumentos de até R$ 30 bilhões em capital ajudaram as companhias a atravessar incólumes a crise deflagrada pela quebra da maior seguradora do mundo, a AIG, nos Estados Unidos, em setembro daquele ano. “Hoje não temos mais seguradoras ameaçadas de quebrar. Isso chegou a preocupar o governo”, revelou Vergílio à DINHEIRO.

Otimismo: O ex-superintendente da Susep Armando Vergílio prevê que o setor de seguros pode chegar a 7% do PIB em cinco anos
A AIG era associada ao Unibanco e não corria risco local, mas o nervosismo dos mercados apressou a fusão com o Itaú, que estava sendo negociada. “O risco de imagem é tão forte que precipitou a fusão. Isso foi rapidamente equacionado. A associação do Itaú Unibanco com a Porto Seguro em automóveis fortaleceu ainda mais a atuação deles”, diz Vergílio.
Quando for aprovado pelo Ministério da Fazenda, o projeto do microsseguro, com apólices específicas para o público de baixa renda, poderá incluir mais 80 milhões de consumidores no mercado, prevê o ex-superintendente. Enquanto isso não acontece, as companhias têm investido em pacotes mais baratos de proteção de pessoas e bens.
As apólices para as multidões sguros. As grandes estrelas são os planos odontológicos e de saúde para pequenas e médias empresas. Não foi à toa que a Bradesco associou-se à Odontoprev e, agora, a Caixa decidiu entrar nesse filão.
Vídeos:
'Setor de seguros terá mais 30 milhões de clientes' - PARTE 1
Essa é a previsão Acácio Queiroz, presidente da Chubb Seguradora do Brasil, sobre o crescimento da base de segurados no País em cinco anos, com a ajuda do microsseguro
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- comentários (73)
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em 27/07/2010 12:48:21
Vejam o absurdo alem de pagarmos uma das maiores cargas tributarias agora o Governo nos fara o favor de vender planos de saude que ele não teve a competencia de nos dar ..... Parabens PT e Lula vcs são extremamente competentes, obrigado
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Caio
em 03/07/2010 13:17:05
Não existe essa de aumentar a concorrência para melhorar o serviço. Seguro saúde é um serviço que não interessa a ninguém, nem a médicos e hospitais e muito menos a usuário. Eles devem ser vistos como intermediários, e como tal só servem para encarecer um produto, ficando com a maior parte do lucro.
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janio zeferino da silva
em 11/04/2010 21:33:17
Rodrigo, não acredito no teu comentario sobre o teu PASEP de 2008. Existe um prazo para receber e acredito que teu pedido foi feito fora do prazo. Pense um pouco antes de fazer comentarios negativos sobre o o BB.
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janio zeferino da silva
em 11/04/2010 21:31:13
O mercado de saúde está em crescimento no mundo inteiro. A CEF está certa em entrar nesse mercado. Porque os bancos publicos tem que perder dinheiro ou ser ineficientes? Não vi comentários negativos sobre os concorrentes privados do mercado de saude - sul america, bradesco, etc -
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joao
em 08/04/2010 23:40:51
Bancos e caixa mesmo que sejam estatal, mista ou privada tem q dar lucro para pagar funcionarios e continuar os negocios, se a Caixa nao fizesse isso estaria fadada a falencia com o tempo ou incorporacao pelo Banco do Brasil. So ta garantido sua sobrevivencia.
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joao baptista bassi
em 02/04/2010 20:58:06
dificilmente um seguro de saude vai ser bom para o usuario,quando ele precisa estara idoso,e o valor da mensalidade sera impossivel de pagar,vai crescendo com a idade, e tambem crescem as restriçoes, se fosse bom haveria mais usuarios e teriamos mais seguradora, algumas foram a falencia ou compradas
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Rodrigo
em 02/04/2010 20:50:10
(continuando...) Eu sei q os serviços bancários destes bancos públicos, como CEF e BB, são horríveis, semana retrasada eu tive q quase chamar a polícia pq o BB não queria liberar meu PASEP d 2008. Mas isso não vem ao caso agora. Mas, continue então com sua UNIMED q é um lixo...
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Rodrigo
em 02/04/2010 20:46:52
Suez larga d ser BURRA E TAPADA, otária... Isso não tem a ver estritamente com politíca, até um analfabeto sabe q isso aumenta a concorrência, obrigando oas seguradoras d saúde a baixarem e/ou melhorarem os serviços aos segurados. Isso não tem nada a ver com SUS (como vc pode ser tão ingênua!!).
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SUEZ
em 02/04/2010 19:50:32
SE SOMOS AUTO-SUFICIENTE EM PETROLEO E TEMOS A QUARTA GASOLINA MAIS CARA DO MUNDO. SE TEMOS O BANCO DO BRASIL E TEMOS OS JUROS MAIS CARO DO MUNDO SE A CAIXA ECONOMICA ENTRAR COM O SEGURO SAUDE COM CERTEZA TEREMOS OS PLANOS MAIS CAROS DO MUNDO. SERA QUE OS BANDIDOS PODEM EXPLICAR !!!!!!!!!!!
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joao baptista bassi
em 02/04/2010 19:21:25
neste caso, a CEF esta fazendo o papel de seguradora de plano de saude para concorrer com bradesco e sulamerica, não tem a haver com o sus ou inss,é como fosse um banco particular, se vai dar certo é outro caso,elas pagam mal aos medicos e aos hospitais ; e quando o caso complica elas caem fora.
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suez
em 02/04/2010 18:54:45
Serra e Lula e seus companheiros sao farinha do mesmo saco. Transformaram o Brasil na maior republiqueta corporativista do mundo. A CEF nao consegue ter eficiencia nem no atendimento bancario. O governo quer encobrir a ineficiencia do SUS, ja pagamos GPS.FGTS,PIS COFINS IR . acha q vai baratiar !!
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José Carlos
em 02/04/2010 18:31:06
Acho interessante a idéia. Desde que ofereça um plano que a população de baixa renda possa pagar. Até porque, as pessoas que tem recursos não precisam deste serviço, pois, já estão nas mãos das grandes seguradoras
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Fernando Lavoura Rocha
em 02/04/2010 18:27:45
recebo uma pensão de R$560,00 e paguei 380,00 por uma intervenção cirurgica por não conseguir fazer pelo sus.será que ainda terei de pagar para ter outros tratamentos ?Justo Verissimo é que está certo. Pobre tem é que morrer! Não e mesmo, senhores deputados?






















