NEGÓCIOS

Nº edição: 652 | Negócios | 02.ABR.10 - 13:00 | Atualizado em 20.05 - 11:38

Um operário em construção

Eis Sidnei Borges dos Santos, o ex-pedreiro que virou dono de uma construtora que deverá faturar R$ 500 milhões em 2010. Seu próximo passo é a expansão internacional

Por Rosenildo Gomes Ferreira

Era um final de tarde, em novembro de 2007, quando o pequeno empreiteiro Sidnei Borges do Santos, 35 anos, dono da BS Construtora, observou uma caixa de sapatos pousada sobre a mesa no seu escritório, em Sorriso (MT). Olhou-a atentamente e começou a rabiscar portas e janelas na própria caixa, numa brincadeira típica de criança. Foram esses traços aparentemente inocentes, contudo, que deram forma a um sistema revolucionário que já resultou na construção de 3,3 mil residências no Brasil.
 

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Linha de montagem: feitas de concreto, as casas são construídas em módulos
que depois são levados ao canteiro de obra, onde recebem acabamento

 

Batizado de Casa Rápida, o método em nada lembra a técnica convencional de empilhar tijolo sobre tijolo. Ao contrário. O sistema bolado por Santos prima pela simplicidade. Os cômodos são moldados em formas de aço e depois transportados até o local da obra onde são unidos e cobertos com um telhado convencional. Esse método permitiu que Santos criasse uma forma sustentável de fabricar casas em tempo menor e com custo reduzido. Com a pré-moldagem, os desperdícios comuns na construção civil ficam próximo de zero – o que significa um consumo menor de recursos naturais, além de agredir menos o meio ambiente.

“Sempre imaginei que seria possível fabricar casas em uma linha de montagem, da mesma forma como são feitos os automóveis”, diz. Hoje, com duas fábricas – uma em Sorriso e outra em Porto Velho (RO) –, esse ex-pedreiro é dono de uma companhia que deverá faturar R$ 500 milhões em 2010, 150% a mais do que no ano passado.

 Para alcançar essa meta, ele embarca para o Senegal, na próxima semana, onde encontrará o presidente Abdoulaye Wade. Juntos, discutirão projetos de habitação popular que deverão culminar na abertura de uma filial da BS Construtora naquele país. O mesmo deverá ser feito no Uruguai, no Chile e na África do Sul até o final do ano. 
 

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Em dois tempos: experiência como pedreiro foi decisiva para o sucesso profissional do empresário Santos


A expansão internacional deverá impulsionar o negócio. A meta para este ano é construir 20 mil casas, sendo metade delas no Exterior. E, para instalar a filial no Senegal, ele pretende recorrer a empréstimos bancários, dando como garantia os contratos assinados com o governo. Esse será um dos passos mais ousados desse empresário vidrado em desafios. Santos resolveu se aventurar na área depois de perder uma concorrência para a construção de armazéns pré-moldados para a fábrica que a Sadia estava erguendo na cidade de Lucas do Rio Verde (MT).

Nem ele imaginaria que, um ano depois, o primeiro contrato do Casa Rápida seria assinado com a própria Sadia, que pretendia erguer residências para seus operários. O projeto previa a entrega de 1,5 mil residências em um prazo de um ano e ele concluiu com um mês de antecedência.

“Passei a ser um profissional disputado pelo mercado”, conta. Em 2009, ele assinou um contrato de R$ 200 milhões com as empreiteiras que tocam a Usina Hidrelétrica de Jirau. A companhia vai erguer uma cidade com 1,6 mil casas, posto de saúde e escola, em Porto Velho (RO).

Quem observa os números da BS Construtora nem imagina o passado de Santos. Ele começou a trabalhar cedo na colheita de trigo em Xaxim (SC), sua terra natal. Como não concluiu o primário, viu no ofício de pedreiro a chance de mudar de vida. Aos 18 anos, se mudou para Sorriso para trabalhar com o primo. O negócio não deu certo e Santos se virou sozinho.

Em 1994, animado com o boom imobiliário na vizinha Lucas do Rio Verde, que havia se transformado num importante polo de produção de soja, ele montou uma pequena empreiteira. E assim como o personagem do poema “Operário em Construção”, de Vinícius de Moraes, ele passou a “erguer casas onde só havia chão”.


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • João Pedro Moro

    em 09/05/2012 12:20:25

    Senhores., passados exatos 2 anos da reportagem a realidade é que a falta de gestão e controle de custos levou a BS a falência, prejudicando clientes, funcionários e fornecedores. A empolgação dos gestores não acompanhou o fluxo de caixa, controle de custos e analise de viabilidade das obras.

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    • Veridiana Cristina

      em 05/04/2010 10:15:30

      Eis um exemplo de vocação empreendedora, essa história de vida fortalece o leitor, nos mostrando que coragem, garra e determinação são ferramentas essenciais para o sucesso. Parabéns Sidney pela bela história de vida, orgulho para o nosso Brasil.

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      • Veridiana Cristina

        em 05/04/2010 10:15:29

        Eis um exemplo de vocação empreendedora, essa história de vida fortalece o leitor, nos mostrando que coragem, garra e determinação são ferramentas essenciais para o sucesso. Parabéns Sidney pela bela história de vida, orgulho para o nosso Brasil.

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