MERCADO DIGITAL
Nº edição: 652 | Mercado Digital | 02.ABR - 13:00 | Atualizado em 03.04 - 08:30
iPad sai do forno
O tablet da Apple acaba de chegar às mãos dos consumidores com a promessa de revolucionar o setor de tecnologia e reinventar o mercado de livros
Por Bruno Galo
A espera terminou. No sábado 3, o iPad, equipamento eletrônico da Apple que permite acessar a internet, ver vídeos, ouvir músicas, receber e enviar e-mails, organizar fotos, jogar games e ler livros, chegou aos consumidores nos Estados Unidos. Não houve o mesmo frenesi verificado no lançamento do iPhone, quando os clientes formaram filas intermináveis diante das lojas, mas a Apple tem um novo best-seller nas mãos.

As vendas do tablet de Steve Jobs devem chegar a cinco milhões de aparelhos em 2010, segundo as estimativas mais otimistas. E os exageros já começaram. A revista norte-americana Wired, uma das mais influentes do mundo, estampou uma capa dizendo que o iPad vai mudar o mundo.
Certo, por enquanto, é que o iPad, assim como o Kindle, da Amazon, promete reinventar o setor de editoras de livros. De acordo com a consultoria PricewaterhouseCoopers, o faturamento mundial dos livros impressos deve cair de US$ 72,6 bilhões em 2009 para US$ 71,9 bilhões em 2013. As vendas dos livros digitais (e-books) deverão crescer de US$ 1,1 bilhão para US$ 4,1 bilhões no mesmo período. A expectativa é de que o toque de midas de Jobs possa fazer esse número crescer ainda mais.
Juergen Boos, diretor da feira do livro da feira do livro Frankfurt
No Brasil, as editoras têm certeza que o livro eletrônico veio para ficar. Ainda assim, muitas resistem a abraçar a novidade. Eis um rápido retrato de um mercado dividido. De um lado, a Ediouro e a Zahar apostam que 2010 será o ano do livro eletrônico no País. De outro, muitas, como a Record e a Intrínseca, observam, ainda cautelosas, a inevitável ascensão dos e-books.
“Espero um crescimento forte já no segundo semestre deste ano”, disse à DINHEIRO Newton Neto, diretor da Singular, braço da Ediouro dedicado às novas tecnologias, que promete fechar 2010 com a oferta de dez mil títulos no formato digital. “Esse é um caminho sem volta, mas o momento ainda é de muito incerteza”, pondera.

"Esse é um caminho sem volta" Newton Neto, diretor da Editora Singular
O presidente da Record, Sérgio Machado, garante que a adaptação da maior editora brasileira será rápida. “Boa parte do nosso catálogo, que passa de seis mil títulos, já está neste formato.” A divisão das editoras reflete uma incerteza mundial. Mas observem o que diz Juergen Boos, diretor da feira de Frankfurt, o principal evento do mundo para o setor editorial. “O livro eletrônico e a internet são uma grande oportunidade, e não uma ameaça às editoras”, afirmou à DINHEIRO. “Na verdade, as editoras estão prestes a viver uma nova era de ouro.”
Apesar das incertezas, as editoras já estão se preparando. “Desde o ano passado, fomos em busca da atualização dos contratos para os livros digitais”, conta Juliana Cirne, porta-voz da Intrínseca, que tem apenas 50 títulos em seu acervo, mas entre eles os sucessos da série Crepúsculo. A medida faz sentido.
O escritor brasileiro Paulo Coelho, por exemplo, que era detentor dos direitos digitais de seus livros, fechou um contrato de exclusividade com a Amazon pelo qual receberá 37,5% do valor de cada livro vendido, quase quatro vezes mais do que um autor costuma receber quando um título seu é vendido em uma livraria tradicional. Outro risco, para as editoras, está na pirataria. Afinal, o compartilhamento gratuito de livros protegidos com direito autoral na rede já é uma realidade. Apenas entre agosto do ano passado e janeiro de 2010, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) tirou do ar mais de 15.700 links que permitiam o download ilegal de livros de editoras associadas à entidade. “É como enxugar gelo”, resume Mariana Zahar, diretora-executiva da Zahar.
Até o fim de abril, a editora oferecerá 300 títulos do seu catálogo no formato digital. “Precisamos dar ao consumidor ao menos a opção de comprar o nosso livro da maneira que lhe for mais conveniente.” Assim como o iPod, que revolucionou o mercado de música digital, o iPad chega para balançar as editoras. Quem não se adaptar já sabe o risco que corre.
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ubiratan
em 03/04/2010 08:30:40
os ebooks só tornarão a pirataria mais fácil, um ebook pode virar infinitas cópias, não sei por que pensam que lucrarão mais com isso... mesmo que venha com algum bloqueio de cópias há sempre um jeito de destravar e já era... além de uma tela não substituir o papel, pois cansa e é desconfortável.
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