ECONOMIA
Nº edição: 652 | Economia | 02.ABR.10 - 13:00 | Atualizado em 12.04 - 00:47
É de dar sono
O governo lança o PAC 2 antes de terminar o primeiro. Reflexo de uma campanha em que tanto Dilma Rousseff quanto José Serra lançam obras inacabadas
Por Denize Bacoccina
Com direção do presidente Lula e efeitos especiais a cargo do publicitário João Santana, o governo exibiu um filme na semana passada. A atriz principal, a ministra Dilma Rousseff. Atores coadjuvantes, seus colegas, que foram convocados para assistir à avant-première na primeira fila.
O roteiro foi uma apresentação em Power Point, com 200 páginas de texto e mais de uma hora de discurso, feito pela própria Dilma – desde a semana passada ex-ministra e agora candidata do governo à sucessão presidencial. Só que o filme, chamado de PAC 2, a segunda versão do Plano de Aceleração do Crescimento, não fez a plateia rir nem chorar. Provocou bocejos.

Pálpebras pesadas: os ministros Geddel Vieira Lima, Miguel Jorge, Celso Amorim, Alfredo Nascimento e Paulo Bernardo,
além do próprio presidente Lula, lutaram para não dormir durante a exposição da ministra Dilma Rousseff
Na cerimônia, realizada na segunda-feira 29, foram flagrados num duro embate contra o sono diversos ministros – entre eles, Celso Amorim, Paulo Bernardo e Geddel Vieira Lima, além do próprio presidente. O que deu errado? Talvez o fato de o filme não apresentar novidades. É a suíte de outro, o PAC 1, que ainda não decolou. E reflete ainda um fenômeno marcante da atual disputa eleitoral – a inauguração de obras inacabadas, e até de maquetes, por Dilma Rousseff e José Serra.
“Isso aqui não é uma sigla,uma cifra ou uma lista de obras. É uma realização humana. É uma parceria do Estado com a sociedade para gerar felicidade para as pessoas”, disse Dilma, que quase chorou ao homena-gear o presidente Lula, no seu último ato ainda no governo.
A festa, para 1,2 mil convidados, custou R$ 179 mil. E nela foram apresentadas metas ambiciosas. Dilma prometeu investimentos de R$ 1,59 trilhão entre 2011 e 2014, deixando assim uma “herança bendita” para o sucessor – que a ministra, obviamente, espera que seja ela. Sob a faixa do PAC 2, havia uma referência a isso na mensagem “o Brasil vai continuar crescendo”.
A questão é que o PAC 1 ainda apresenta resultados bastante modestos. “Se em três anos o governo só concluiu 11,3% das obras, e não irá concluir nem a metade até o fim do governo, para que lançar outro programa?”, indaga o secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, que rebatizou a sigla de “Primeiro Acabe o que Começou”.

O reconhecimento de que as obras não caminham no ritmo adequado foi feito pelo próprio presidente. “Não estou contente com o que fizemos até agora, porque nós temos obrigação de fazer mais”, disse Lula. Ao falar do primeiro programa, o governo anunciou gastos de R$ 403,8 bilhões, o que seria equivalente a 63,3% do total. Mas a maior parte refere-se a empréstimos habitacionais.
“São gastos que aconteceriam com ou sem PAC. Se tirar isso, não existe PAC”, afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura, Adriano Pires. “O resto é campanha.” Os investimentos da União somam apenas R$ 35 bilhões entre 2007 e 2009, o equivalente a 9%. Mas nem todos criticam o PAC 2. “É bom porque empurra o governo, a sociedade e os empresários a fazer investimento”, afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Simão. Ele considera “boa, muito razoável e equilibrada” a meta de dois milhões de casas populares nos próximos anos – ainda que reconheça os eventuais exageros de campanha.

Antes da hora: José Serra inaugurou estações da linha amarela do Metrô, antes de sair do governo. Detalhe: ela está fechada
Essa ânsia de lançar projetos às vésperas da eleição, no entanto, não se limita à candidata do governo. O governador de São Paulo, José Serra, também correu para aparecer ao lado de suas obras – mesmo que elas não estejam totalmente prontas para uso da população. Na mesma semana em que Dilma dava adeus ao governo, Serra inaugurou as novas pistas da Marginal Tietê, uma das principais avenidas de São Paulo, e as estações da nova linha amarela do Metrô – que ainda não começou a operar. “Poderia já estar abrindo para funcionar.

Mas é essencial que a segurança seja 100%”, afirmou Serra, explicando que “os prazos são sempre sujeitos a margem de erros”, ao ser questionado sobre atrasos no cronograma. Enquan-to isso, os operários corriam para finalizar sua maior vitrine eleitoral: o Rodoanel, uma obra viária de R$ 5 bilhões que liga as principais estradas paulistas. Na disputa pelo Oscar da construção pesada, nem ele nem Dilma levaram a estatueta.
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joelzim
em 12/04/2010 00:47:50
aqui, em sao jose do rio preto, tem um hospital da crianca, que foi feito pelo governo ele esta prontinho para ser inugurado.porque o serra nao apareceu para inauguralo?
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Fernado Cruz
em 05/04/2010 16:26:39
Gostaria de obter essa reportagem na integra. Como faço para ler a mesma??? "É de dar sono"publicada na edição da semana passada da revista Isto é Dinheiro. Aguardo retorno. obrigado Fernando
Isto é compartilhar
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