NEGÓCIOS
Nº edição: 652 | Negócios | 02.ABR.10 - 13:00 | Atualizado em 13.06 - 15:31
Uma empresa em permanente mutação
Discretamente, a Bunge reestrutura sua operação no Brasil. É mais uma manobra silenciosa numa trajetória marcada por grandes reviravoltas
Por Amauri Segalla
Nestes tempos globalizados, em que a transparência passou a ser quase uma obrigação para companhias que possuem atuação internacional, poucas multinacionais permanecem tão fechadas e misteriosas quanto a americana Bunge. Há alguns dias, o mercado foi surpreendido por mais uma manobra executada de forma discreta pela empresa.

Num anúncio feito internamente para seus funcionários, a companhia comunicou a extinção dos cargos de presidente da Bunge Alimentos e da Bunge Fertilizantes. Os titulares destes postos, os executivos Sérgio Waldrich e Mário Barbosa, deixam suas atribuições e passam a ocupar apenas uma vaga no conselho consultivo da corporação.
A partir de agora, os dois braços de negócios passam a funcionar sob o guarda-chuva da Bunge Brasil, holding que será comandada por Pedro Parente, ex-ministro do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso. As mudanças estão sendo desenhadas há três meses com o auxílio das consultorias AT Kearney, Bain e Gradus. Parente, tão avesso a exposições quanto a empresa onde trabalha, não se pronunciou sobre o assunto.

O novo mandachuva: Parente assumiu com a missão de recuperar as finanças da Bunge
Essa é mais uma mudança discreta numa história marcada por grandes transformações (leia quadro). Desta vez, o que estaria por trás da reestruturação da companhia? Em primeiro lugar, está a busca por um melhor equilíbrio financeiro. No acumulado de 2009, a Bunge lucrou US$ 361 milhões, queda de 66% em relação ao US$ 1,06 bilhão registrado no ano anterior.
A empresa perdeu dinheiro especialmente na área de fertilizantes. No Brasil, a Fosfértil, que atua neste segmento, teve perdas de R$ 140,8 milhões. Embora a empresa não confirme, fontes do mercado afirmam que a companhia chegou a cortar pessoal no ano passado – e isso num momento que o Brasil voltou a contratar. Em janeiro de 2010, mesmo mês em que Parente foi contratado pela multinacional, a Fosfértil foi vendida para a Vale por R$ 3,8 bilhões. “A Bunge foi atingida de maneira forte pela crise”, diz José Vicente Ferraz, consultor da AgraFNP. “Isso a obrigou a planejar uma profunda reformulação.”
Com o fortalecimento da holding Bunge Brasil, até então uma mera consolidadora contábil dos resultados das divisões Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes, serão unificadas as áreas administrativa e financeira. Além de a iniciativa favorecer o corte de custos e a otimização de processos (internamente, muitos executivos temem perder o emprego), permite maior velocidade nos processos decisórios. “A Bunge quer ser uma empresa mais ágil”, diz Fernando Muraro, analista da Agência Rural, especializada no setor.
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