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Nº edição: 652 | Estilo | 02.ABR.10 - 13:00 | Atualizado em 17.05 - 10:44

Centenária com corpo de vinte

Ao completar duas décadas no Brasil, a Louis Vuitton tem novo presidente - e, em primeira mão, ele revela um de seus planos: abrir uma megaloja no País, semelhante à de Paris

Por Vanessa Barone

Ouça um resumo da reportagem sobre os planos da Louis Vuitton para o Brasil
 

Ao completar 20 anos de presença no País, a Louis Vuitton está de malas prontas para sua próxima aventura em território nacional: abrir em São Paulo, uma maison, uma megaloja que reúne todo os itens da grife, a exemplo da que existe na Avenue des Champs-Élysées, em Paris. “Ainda não sabemos qual o endereço. Este é um projeto para, no mínimo, três anos, mas que será inevitável para que possamos expor todos os produtos do universo Louis Vuitton”, afirma François Rosset, presidente da grife para a América Latina e África do Sul.
 

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Rosset, um francês de 40 anos, assumiu o posto há quatro meses, depois de chefiar a grife francesa na Rússia. O presidente concedeu sua primeira entrevista à DINHEIRO por ocasião da abertura da loja LV no Shopping Iguatemi de Brasília. É a sexta butique da marca – que já possui quatro em São Paulo e uma no Rio de Janeiro.

A ideia é de que, com a maison, a LV consiga fazer deslanchar a linha de prêt-à-porter da grife, desenhada pelo estilista americano Marc Jacobs desde 1998, e de outras categorias de produtos, como óculos e joias – atualmente mal explorados por falta de espaço nas lojas. “Também queremos trazer ao Brasil o prêt-à-porter masculino, que é cada vez mais importante para a grife, mas que ainda não é encontrado nas butiques brasileiras.”
 

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François Rosset: "O projeto é para cerca de três anos, mas é inevitável ter uma maison no País"
 

A Louis Vuitton abriu sua primeira butique em 1854. Em 1987, a grife tornou-se parte da LVMH/Moët Hennessy-Louis Vuitton, holding de luxo administrada pelo empresário Bernard Arnault. Segundo os relatórios oficiais do grupo, a receita do LVMH, em 2009, atingiu pouco mais de 17 bilhões de euros. O segmento de fashion & leather goods, do qual a Louis Vuitton faz parte, fechou o ano passado com receita de 6,3 bilhões de euros, uma expansão de 5% em relação a 2008.

Rosset está otimista com o Brasil. Sabe que há uma classe B em ascensão que, segundo ele, “representa o futuro da grife no País”. Em seus planos, está a abertura de butiques nas principais capitais brasileiras, como Recife, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. “Acreditamos muito na expansão, pois agora há mais mercados maduros para receber uma loja Louis Vuitton”, afirma Rosset.
 

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Objeto de desejo: a butique aberta na semana passada no Shopping Iguatemi de Brasília reúne os principais ícones da LV,
como a bolsa tiracolo de monogramas, ao lado

Nesses 20 anos, diz o executivo, desde que a LV desembarcou com sua primeira loja na rua Haddock Lobo, em São Paulo, o Brasil enriqueceu e a base de clientes aumentou. “Conseguimos fidelização e atraímos cada vez mais clientes para o universo LV. São pessoas que ainda não tinham tido contato com a marca e que descobrem que dentro das lojas também há coisas para elas.”

O segredo, afirma o presidente, está no serviço prestado. “Nossos vendedores não recebem comissão por vendas, mas um salário fixo. Queremos que a experiência de um cliente que entre para comprar uma bolsa ou de outro que quer apenas conhecer os produtos seja a mesma.”
 

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Linha completa: roupas da recente coleção de prêt-à-porter desenhada pelo estilista Marc Jacobs

A crise mundial, diz Rosset, não arrefeceu os planos da Louis Vuitton. “A grife foi a que melhor resistiu às turbulências, entre as marcas de luxo”, afirma o presidente. E só conseguiu isso, diz Rosset, por ser uma das únicas que controlam diretamente a produção, distribuição e varejo de seus produtos. Nada é terceirizado. A rede é composta por 446 lojas em 62 países.

São 14 ateliês de artigos de couro (sendo 11 na França, dois na Espanha e um nos Estados Unidos), quatro ateliês de sapatos na Itália, um de relógios na Suíça e um de cintos nas Espanha. O número de funcionários supera os 15 mil, sendo que 68% deles estão fora da França.  “Dessa forma, não ficamos nas mãos de fornecedores e, enquanto muitas marcas anunciavam saldos, a LV manteve os preços e as vendas não sofreram abalos.” 
 

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Flagship store à francesa: com o modelo de megaloja, a intenção é expor todas as linhas de produtos do univerno da grife centenária
 

Outra prova de que a crise passou longe do universo LV, afirma Rosset, está na manutenção do plano de expansão – e a loja de Brasília é fruto dele. Nos 220 metros quadrados do novo espaço estão espalhados os ícones mais importantes da grife – suas bolsas mais recentes, carteiras, malas de viagem, calçados, lenços, gravatas, alguns óculos e relógios.

O projeto da loja, no entanto, traz detalhes surpreendentes, caso do espaço dedicado aos acessórios masculinos, com ambientação mais sóbria que a festiva ala feminina. “É para eles ficarem mais à vontade”, afirma Rosset. O mobiliário também é especial: foi feito pelo designer Sergio Rodrigues, que reinterpretou algumas de suas criações – como o banco Mocho (1954), a poltrona Drummond (1959) e a luminária Tcheko, ambas da década de 70.

A abertura da loja também marcou a finalização de um projeto da Louis Vuitton que conta com a participação do artista plástico Vik Muniz e da ONG Spectaculu, fundada pelo designer Gringo Cardia, no Rio de Janeiro. Com o patrocínio da LV, Muniz e os estudantes que fazem parte da ONG passaram seis meses realizando oficinas de artes em que o logo LV era reinterpretado usando-se diversos materiais.

O trabalho gerou um vídeo e a criação do lenço Individuals, que traz o logo da grife feito com a fotografia dos participantes da Spectaculu. O lenço está à venda na butique de Brasília, por R$ 1.120, com tiragem de apenas 150 unidades.


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • rJXghxat

    em 21/04/2011 05:30:01

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      em 24/04/2010 16:21:25

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