NEGÓCIOS
online | Varejo | 29.MAR.10 - 16:54 | Atualizado em 16.01 - 10:49
Fusões transformam varejo brasileiro
União entre Ricardo Eletro e Insinuante cria nova gigante do setor e evidencia processo de consolidação que deve continuar.
Por Rodrigo Caetano e Flávia Gianini
O varejo brasileiro tem um novo cenário. Depois que, em dezembro, o Pão de Açúcar, que já tinha o Ponto Frio, comprou as Casas Bahia, foi a vez de Ricardo Eletro e Insinuante unirem forças. A terceira e quarta colocadas no ranking do segmento de eletroeletrônicos acabam de criar a Máquina de Vendas, empresa controlada meio a meio pelas duas varejista e que nasce com mais de 500 lojas e R$ 4,6 bilhões de faturamento.
O porte das duas operações evidencia uma tendência no mercado varejista brasileiro. Cada vez mais competitivo, o setor passa por um forte processo de consolidação. “Os eletroeletrônicos são praticamente uma commodity: o que uma loja vende, a outra também vende”, afirma Alan Cardoso, analista de consumo da Ágora Corretora. Por esse motivo, escala é um fator primordial para quem pretende se dar bem neste mercado, no qual bons preços são a principal estratégia. “A concorrência é muito grande. Qualquer ganho que a empresa possa ter em negociação de preços com fornecedores e em logística é favorável”, afirma Cardoso.
Unir forças também gera redução de custos. A Máquina de Vendas promete, segundo Ricardo Nunes, dono da Ricardo Eletro e presidente da nova companhia, 3% de ganhos com sinergias em processos e negociações, o que representa cerca de R$ 150 milhões. Para uma empresa com margens apertadas, como as varejistas, é um enorme diferencial. “É um caminho inexorável do mercado e já aconteceu em outros setores, como o automobilístico e o de supermercados”, afirma Maurício Morgado, professor do Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getúlio Vagas (FGV-SP).
Do ponto de vista do consumidor, no entanto, existem alguns riscos. “Com a redução dos concorrentes, há uma pasteurização das vantagens”, explica Morgado. O setor caminha para o mesmo monopólio observado nos segmentos de TV a cabo e telefonia, de acordo com o professor. As empresas menores vão ter que buscar diferenciação, como em atendimento e produtos, pois será difícil ganhar em preço e forma de pagamento.
Novo gigante
A estratégia da Máquina de Vendas é crescer por meio de fusões e aquisições regionais, afirma Luiz Carlos Batista, fundador da Insinuante e que ficará à frente do conselho da nova companhia. “O crescimento orgânico é lento. Nosso objetivo é acelerar”, diz. Até 2014, o executivo espera ter R$ 10 bilhões de faturamento, mil lojas e 30 mil funcionários.
O professor de finanças Haroldo Vale Mota, da Fundação Dom Cabral, garante que a fusão entre grupos regionais é uma tendência do setor. "Há expectativa de novas fusões entre empresas da região Sul do País", diz.
Com histórias semelhantes, Ricardo Eletro e Insinuante nasceram e cresceram fora do eixo Rio-São Paulo. A Ricardo Eletro é de Minas Gerais, onde seu fundador, Ricardo Nunes, chegou a vender mexerica em semáforos. O grupo Insinuante é natural de Vitória da Conquista, na Bahia. No início, Batista vendia apenas sapatos.
A nova empresa nasce sem dívidas e com recursos em caixa suficientes para suportar seu crescimento. “Falei para o Batista, ao nos unirmos, só não podemos passar aperto. Trabalhamos muito até hoje pra passar aperto”, brincou Nunes. Sobre o desafio de entrar em São Paulo, os executivos disseram que é um plano para o futuro e deve ser concretizado por meio de uma aquisição. Caso não seja possível, Ricardo Nunes tem um projeto diferente - que considera inédito e não revela - para a abertura de lojas na região. Com menos de 50 anos de idade, os dois varejistas já chegaram bem longe. E não parecem querer sossegar.
Leia mais sobre as empresas:
> Saba quem é Luiz Carlos Batista, o dono da Insinuante
> Conheça mais sobre a Ricardo Eletro
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valério
em 31/03/2010 07:57:46
corrreçao,foi fusão da casa bahia com p açuca
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