INVESTIDORES

Nº edição: 651 | Ações | 26.MAR.10 - 21:00 | Atualizado em 27.10 - 20:13

Geração Y: quem são e como investem

Os jovens pós-1980 são ansiosos. E o investimento que melhor se encaixa no estilo de vida deles é a bolsa - em que aplicam entre um clique no Twitter e outro no Facebook

Por Juliana Schincariol

Acompanhe também a entrevista em vídeo de Fábio Saad, gerente da Robert Half, empresa de recrutamento de executivos:

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'Geração Y tem urgência de retorno financeiro' - PARTE 1
 
Confira a continuação da entrevista:
 

 

 O que você fazia em fevereiro de 1994? O engenheiro Eduardo Ferraz iniciava os estudos na terceira série do ensino fundamental, a estudante de comércio exterior Bruna Lacerda tinha como principal preocupação cuidar das bonecas e o estudante de engenharia Felippe Eduardo Oliveira Bartalo estava saindo das fraldas.

Hoje, eles mal se lembram de que no dia 27 daquele mês o governo anunciava o Plano Real, dando início à estabilização econômica do País. Eles também não tinham noção de que a nova moeda viraria uma página da história, deixando para trás os hábitos e vícios financeiros da hiperinflação, como o overnight e a conta remunerada, e  de que seria crucial para mudar a relação dos brasileiros com o consumo e os investimentos.
 

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Felippe Bartalo, investidor, estudante, barman, DJ e webdesigner

As transformações sociais e tecnológicas em todo o mundo também foram fundamentais para definir o padrão de comportamento de Eduardo, Bruna e Felippe nos anos seguintes. Eles e os milhões de jovens em todo o mundo nascidos entre 1980 e 1999 constituem a denominada geração Y. Esta é a primeira geração que se sente totalmente confortável com a tecnologia.

Não é à toa que são ágeis e multitarefa: conseguem ouvir música, trabalhar e acessar o Facebook ao mesmo tempo – enquanto investem. “São profissionais que têm energia e um sentimento de transformação. Quase todos querem crescer profissionalmente e de forma rápida e anseiam ganhar dinheiro logo”, diz Fábio Saad, gerente da Robert Half, empresa de recrutamento de pessoal.

Muitos jovens da geração Y já chegaram ao mercado de trabalho e começam a ter dinheiro disponível para investir. Bancos e corretoras, de olho em receitas futuras, têm questionado: o que eles querem? Aqui, surge a primeira diferença em relação à geração X, a anterior, que fugia da bolsa de valores, vista mais como um cassino do que como uma ferramenta útil do capitalismo. “Quando começa a investir, a maioria já pensa em ações”, afirma o consultor Mauro Calil. Para eles, a Bovespa parece ser a melhor oportunidade para garantir uma aposentadoria rentável, a compra do primeiro carro ou uma viagem para o Exterior.
 

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"Tenho curiosidade por novatas, mas ainda prefiro as blue chips"
Bruna Lacerda, estudante de comércio exterior

 

O carioca Eduardo Ferraz, 26 anos, passou uma temporada de três meses em 2008 na Nova Zelândia graças aos seus investimentos em ações. Eduardo possui amigos que trabalham no mercado financeiro e também foi influenciado pelo pai, funcionário aposentado do Banespa, e por isso tinha mais intimidade com o mercado acionário. Ele ganhou dinheiro principalmente com os IPOs (ofertas públicas iniciais) realizados naquele ano e no anterior.

“Os riscos existiam, mas os ganhos no curto prazo eram bem atrativos”, diz Ferraz, que trabalha na Gerdau. Com participação em emissões como BM&FBovespa e Log-In, geralmente ele vendia as ações no dia do lançamento, sempre em busca de um lucro rápido. Pessoas com esse perfil são conhecidas como flippers e chegaram a ser discriminadas em vários IPOs, por meio de filtros nas distribuições. Mas a bonança dos IPOs passou e hoje ele prefere o investimento em blue chips, como Vale e Petrobras.
 

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"Risco em IPO existe, mas os ganhos são bem atrativos" Eduardo Ferraz, engenheiro e investidor

Apesar de mais propensa aos riscos, essa turma ainda tem mais dúvidas do que certezas quando fala do próprio dinheiro, o que ainda inibe a adesão à bolsa de valores. Segundo os especialistas ouvidos pela DINHEIRO, mitos como a necessidade de começar um investimento com uma quantia elevada de dinheiro ainda repelem este público. Por outro lado, a expectativa de ganhos rápidos e fáceis são um atrativo para uma geração tão afoita. Os dados disponíveis pela BM&FBovespa mostram que a parcela

de jovens investidores é a minoria barulhenta. São 30,6 mil investidores com idade entre 16 a 25 anos e 157 mil com 26 a 35 anos. Somados, esses dois grupos representaram em fevereiro 33,5% do número de pessoas aptas a negociar ações na bolsa. No entanto, a participação do valor total transacionado correspondeu a 7,44%, ou R$ 7,57 bilhões.

Os investidores com mais de 36 anos respondem por 92% do total negociado (veja tabela abaixo). “É natural que o volume dos jovens seja baixo. Nessa faixa etária, o investidor ainda não teve tempo suficiente para acumular grande riqueza”, afirma Eduardo Jurcevic, superintendente de investimentos do Santander. Sem contar a ansiedade por consumo, também típica dessa geração, que impede a formação de poupança.
 

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O estudante Felippe Bartalo, 19 anos, pensa diferente. Todo mês, ele separa 10% do que ganha com bicos como DJ e barman em baladas ou como webdesigner para aplicar em ações da Vale ou Petrobras, via home broker, o sistema das corretoras para aplicação direta na internet. “Eu comecei investindo em fundos, mas não gostava porque as taxas de administração eram muito altas. Resolvi comprar ações e coloquei a minha cara para bater”, diz ele, que ingressou na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), em São Bernardo do Campo (SP), no início do ano. Antes de começar a investir, ele procurou orientação especializada.

Assim como os gestores de empresas, bancos e corretoras estão aprendendo a lidar com esse novo público. “Esse cliente tem uma visão mais crítica das coisas. E as instituições devem encontrar uma maneira mais flexível e interativa de comunicação”, avalia Gustavo Roxo, diretor setorial de tecnologia da Febraban. O primeiro passo é a educação. Praticamente todas as instituições financeiras já oferecem palestras e cursos virtuais ou presenciais voltados para esse público. “Mantemos uma equipe jovem, que fala a mesma linguagem desse cliente”, diz o diretor comercial da corretora SLW, Robson Queiroz.

As redes sociais, como o Twitter, e as novidades tecnológicas também são mais um atrativo. Os jovens costumam participar de fóruns de debate financeiro na internet, muitas vezes entre uma atividade e outra, usando o próprio telefone celular. Possibilidades como o acesso ao home broker via iPhone ainda não são tão populares por conta do alto valor cobrado pelas operadoras para os pacotes com internet para celular. Mas estão avançando.

“Hoje, 10% dos clientes já usam o aplicativo. Não fosse pelo preço, já seria utilizado por 100% dos jovens”, diz Rodrigo Puga, responsável pela área de home broker da corretora Spinelli. Segundo ele, a geração Y é o principal público-alvo da corretora e representa 60% da carteira de clientes.

Tentando romper a barreira preço, a XP corretora oferece corretagem gratuita para universitários que fizerem operações mensais de até R$ 3 mil. Pouco a pouco, estes jovens vão desmistificando a bolsa de valores. Bruna, a estudante paulistana de comércio exterior na Unip, opera sozinha no home broker e, além das blue chips, tem ações que pagam bons dividendos, como companhias elétricas e de telefonia.

Por enquanto. Sua ideia é arriscar mais, quem sabe até em empresas novatas. “Tenho curiosidade de participar de IPOs, mas não entrei por não ter tempo de me dedicar a isso”, diz ela. Aos 21 anos, ela pode até pensar que não, mas tem tempo e energia de sobra para analisar e testar todas as alternativas do mercado. Típico da geração Y.

 


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • Marco Luque

    em 25/05/2010 12:06:16

    Viva o Portal Exame

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    • Silvio Santos

      em 21/05/2010 12:15:44

      não deixam de ser filhinhos de papai, que ganham 10 mil e aplicam na bolsa... bando de otarios, ainda fazem posse na foto, deviam aprender a vender espetinho primeiro antes de se tornar uns otarios maiores.

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      • FHC

        em 04/05/2010 14:27:06

        assim é facil ganhar dinheiro, quero ver vcs montar um empresa e ter peito pra admistrar

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        • carlos henrique da conceição

          em 13/04/2010 19:50:15

          Eu queria investir, $ 5000,00 em ações da vale, petrobrás e na gerdau e todo mês contrbuir com $ 200,00 durante 5 anos, é possível ter bons rendimentos sem mexer.

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          • carlos henrique da conceição

            em 13/04/2010 19:47:32

            Eu queria investir, $ 5000,00 em ações da vale, petrobrás e na gerdau e todo mês contrbuir com $ 200,00 durante 5 anos, é possível ter bons rendimentos sem mexer.

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            • carlos oliveira

              em 10/04/2010 13:14:52

              ola...eu invisto a quase 1 ano e já tive 35% lucro, mas me dedico muito, porque gosto dq faço. estatégia utilizada é, investir em empresas que estão passando por crescimento, e compro o papel quando acredito q o papel esteja barato, e vendo quando ele atinge 15 ou 20%, isso leva até 3 meses .

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              • manojoe

                em 28/03/2010 13:15:47

                tenho 25 anos, acompanho corretora desde os 10 anos, por influencia paterna, nos últimos 3 anos tenho operado com mais intensidade. media de lucro de 150-300% ao ano, fruto da geração Y; operações a seco e adescoberto, micos e vez por outra alguma blue chip.

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                • Victor Martini

                  em 28/03/2010 12:16:30

                  Acho muito interessante jovens investidores,eu como exemplo comecei a aplicar em ações aos 15 anos de idade!Porem os jovens de hoje parecem quererem ganhar dinheiro muito rapido sem uma boa informação ou fundamento,aconselho a terem uma boa profissão e não quererem ficar ricos do dia pra noite!

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                  • Victor Martini

                    em 28/03/2010 12:16:09

                    Acho muito interessante jovens investidores,eu como exemplo comecei a aplicar em ações aos 15 anos de idade!Porem os jovens de hoje parecem quererem ganhar dinheiro muito rapido sem uma boa informação ou fundamento,aconselho a terem uma boa profissão e não quererem ficar ricos do dia pra noite!

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                    • Jorge de Assumpção Neto

                      em 27/03/2010 19:39:03

                      É uma boa iniciativa e, quanto antes começarem, maiores as chances de sucessos em investimentos. Aportes periódicos somando a investimentos com rentabilidades de dividendos e juros sobre capital próprio, no longo prazo levam a futuros promissores, desde que sejm investimentos bem calculados.

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                      • paulo Sérgio Vieira

                        em 27/03/2010 07:30:06

                        Sei que, a uma boa parcela deles, falta experiência. Esperava fossem mais arrojados.Parece-me que, para os casos citados, estão mais para conservadores, no que tange a essa preferência pelas blue chips: vale, petro,etc.

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