MERCADO DIGITAL
Nº edição: 651 | Mercado Digital | 26.MAR.10 - 21:00 | Atualizado em 09.06 - 04:35
Cisco sobe um degrau
Conhecida pelos produtos que permitem acessar a internet, a empresa agora quer construir as cidades do futuro. A primeira está sendo erguida na Coreia
Por Ralphe Manzoni Jr.
O holandês Wim Elfrink tem um cargo inusitado na Cisco: diretor de globalização. Sua função é andar pelo mundo em busca de oportunidades de negócios nos mercados de hipercrescimento demográfico e econômico. Na semana passada, Elfrink esteve no Brasil e encontrou-se com os prefeitos de São Paulo, Gilberto Kassab, e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Wim Elfrink, diretor de globalização da Cisco: ele percorre o mundo em busca de oportunidades
em mercados de hipercrescimento demográfico e econômico
O que um executivo da maior empresa de equipamentos de comunicação de dados do mundo teria para conversar com políticos brasileiros? Não foi um encontro protocolar, mas sim uma conversa de negócios. Uma das muitas que Elfrink está conduzindo com autoridades de diversas outras cidades, como Amsterdã e São Francisco.
A Cisco, conhecida no meio tecnológico por fabricar switches e roteadores – equipamentos que permitem a conexão com a internet – quer agora ser reconhecida pela construção de infraestrutura inteligente para cidades digitais, um mercado de US$ 122 bilhões nos próximos dois anos, segundo estimativas da consultoria norte-americana IDC. “Somos chamados de encanadores”, declarou John Chambers, o CEO da Cisco, em uma conferência nos Estados Unidos no ano passado. “Temos orgulho disso, mas estamos nos movendo para sermos uma plataforma de inovação. Queremos fornecer uma visão para que os governos possam usar a tecnologia para mudar as sociedades”, completou.
É verdade. Sem muito alarde, a Cisco está envolvida em mais de 20 projetos deste tipo pelo mundo. O mais importante é a construção de Nova Songdo, na Coreia do Sul, uma cidade planejada para ser um centro internacional de negócios. Localizada a 65 quilômetros da capital Seul, e com investimentos totais superiores a US$ 35 bilhões, ela está sendo construída para ser sustentável e usar tecnologia de ponta.
“É uma cidade onde tudo pode ser conectado e verde”, disse Elfrin à DINHEIRO. A Cisco vai cuidar não só do cabeamento da cidade, como também controlar os sistemas de vigilância, transporte, saúde e medicina. Tudo passará pelo crivo da empresa. As emissões de carbono, por exemplo, devem ser 15% inferiores a grandes centros urbanos, graças a tecnologias que controlam ar-condicionado ou evitam deslocamentos.

A nova aposta: Songdo, na Coreia do Sul: cidade onde tudo pode ser conectado e verde
Para construir as cidades do futuro, a Cisco vem se preparando há anos. A tática utilizada é comprar pequenas empresas com tecnologias inovadoras que ajudam a montar o quebra-cabeça de sua estratégia. Richards-Zeta Building Intelligence e Majitek, cujos softwares integram e controlam sistemas de aquecimento, refrigeração e energia de edifícios, são dois exemplos.
A compra da Scientific Atlanta, que fabrica conversores digitais para tevês, por US$ 7 bilhões, em 2005, colocou a empresa na sala de estar dos consumidores. E a oferta de mais de US$ 3 bilhões pela Tandberg, no ano passado, jogou-a na liderança global do mercado de telepresença, uma tecnologia vital para as cidades do futuro. “Os desafios urbanísticos do Brasil são enormes”, afirma Rodrigo Abreu, presidente da subsidiária brasileira da Cisco. Ele está de olho na Copa do Mundo, em 2014, e na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. Elfrin, em sua rápida passagem pelo Brasil, teve muito assunto para debater com os políticos locais.
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