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Nº edição: 651 | Estilo | 26.MAR.10 - 21:00 | Atualizado em 01.02 - 15:24

Schürmann em novos mares

Família de navegadores se une à gestora de capitais Virtù e dá origem a fundo de R$ 50 milhões

Por Vanessa Barone

O cineasta David Schürmann há muito se acostumou com os holofotes. As aventuras de sua família, que por duas vezes deu a volta ao mundo a bordo de um veleiro, já renderam programas para o Fantástico (TV Globo) e o filme documentário O mundo em duas voltas, lançado em 2007.
 

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David Schürmann: Filho do meio do casal Vilfredo e Heloísa, ele embarca numa nova aventura para financiar o cinema brasileiro

Para o público, o nome Schürmann acabou sendo associado à vida sobre as ondas, acompanhada por milhões de espectadores. Mas para David, filho do meio do casal Heloísa e Vilfredo, a vida está mesmo é atrás das câmeras. Foi de lá que ele dirigiu e fotografou O mundo em duas voltas – seu projeto de maior vulto desde que cursou, por seis anos, a faculdade de cinema na Nova Zelândia, enquanto os pais e os irmãos viajavam pelo planeta.

Agora, David vai além: junto com a gestora de capitais Virtù, de São Paulo, está lançando o Fundo Virtù – Schürmann Cinema 1, para investir no cinema nacional. Com isso, passa a atuar não apenas como diretor de projetos próprios, mas como consultor da Virtù para a seleção de produções de terceiros. E dá um passo definitivo para transformar em bom negócio aquilo que aprendeu a enxergar como arte.
 

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O Mundo em duas voltas: documentário que conta a história da viagem ao redor do mundo foi o maior desafio
de David Schürmann como diretor e fotógrafo de cinema

O sucesso dos projetos com o “selo” Schürmann, conta David, atraía tanto empresas patrocinadoras quanto produtores independentes à procura de patrocínio. “Percebi que havia uma lacuna no mercado. Faltava um interlocutor entre a classe empresarial e o produtor de cinema”, diz David. “Descobrimos os Funcines, que é um negócio de fácil entendimento para o mundo corporativo que deseja utilizar as leis de incentivo fiscal”, afirma o cineasta, que saiu em busca de uma gestora de fundos que se enquadrasse à maneira de agir e pensar da Schürmann Film Company, a produtora de cinema da holding da família, da qual David é sócio com os pais.

De seu lado, a Virtù – fundada em abril de 2008 e especializada na gestão de fundos de recebíveis (Fidcs), imobiliários e em private equity – também amadurecia a ideia de investir em cinema. “Como a Schürmann Film Company, acreditamos que o cinema brasileiro não precisa ter apenas produções alternativas, mas pode ter um grande apelo comercial inclusive com boa distribuição”, diz Octávio Nascimento, sócio da Virtù.
 

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Aventura com final feliz: cenas finais do documentário O mundo em duas voltas, depois que a
expedição refez a rota do navegador português Fernão de Magalhães

 

Segundo o executivo, o cinema mundial vive um momento peculiar, com Hollywood deixando de premiar apenas “blockbusters de verão” como Avatar, para olhar para o cinema feito em outros cantos do mundo. E o Brasil pode ter uma fatia desse bolo. “Temos cineastas com capacidade de fazer ótimos filmes e que sejam sucessos de bilheteria.”

De acordo com Nascimento, o Fundo Virtù – Schürmann Cinema 1 foi desenhado para ser parecido com um private equity, na medida em que prevê o investimento na construção e implantação de novas salas de cinema, além de reforma e atualização de salas de exibição já existentes. Também prevê a participação em empresas brasileiras de cinema. O fundo tem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tem administração da BNY Mellon e agente de custódia do Bradesco. O anúncio de início de oferta pública foi feito no dia 30 de dezembro passado. “Estamos entrando em captação e a cota mínima é de R$ 50 mil”, diz Nascimento.

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“O fundo terá a captação de recursos concentrada em empresas sujeitas à tributação com base no lucro real e que podem se beneficiar da dedução de parcela do Imposto de Renda devido”, diz David. “A intenção é investir em filmes e projetos que não só demonstrem viabilidade e retorno financeiro como também possam gerar novos negócios, com acordos de coprodução e distribuição nacional e internacional.” Segundo o cineasta, o fundo poderá captar R$ 50 milhões. “No primeiro ano, deveremos chegar aos R$ 20 milhões.”

O papel da Schürmann Film Company será o de selecionar produções – ficções, documentários, filmes de arte ou blockbusters – que podem receber investimento. “Olhamos caso a caso, fazemos projeções, analisamos os pontos fortes e enviamos até para uma avaliação internacional”, diz David. Uma vez selecionadas, as produções ainda passarão por uma comissão da Virtù para serem ou não aprovados como investimento. Isso inclui produções da própria Schürmann Film Company, como é o caso de O pequeno Segredo, projeto que se encontra, atualmente, em análise pelo fundo.

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Dorothy Stang: a missionária americana assassinada em 2005 é tema de um dos filmes
em avaliação pelo Fundo Virtù - Schürmann Cinema 1

Outro na mesma situação é Anjo da Amazônia, da Ocean Films, com roteiro de ficção baseado na história de Dorothy Stang, missionária americana que foi assassinada na Amazônia em 2005. “Depois da ‘luz verde’ da gestora, o projeto ainda volta para nós, para que possamos checar a saúde financeira da produtora. Viramos uma espécie de sócios das produções.”

De acordo com Rita Buzzar, da Nexus Cinema, produtora de filmes como Olga e Budapeste, a criação de Funcines é importante para estruturar os lucros para quem financiar o cinema nacional. “É muito bom haver alternativas. Fundos como esses podem reunir, ao mesmo tempo, produções maiores com projetos menos rentáveis numa mesma carteira. Também podem desenhar um projeto com o objetivo de dar lucro. Afinal, o cinema é arte, mas também é tecnologia e indústria”, diz Rita. “E é uma indústria que envolve risco.”

 


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    em 24/04/2010 16:27:05

    procurando imovel??? www.ligueimovel.com.br

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    • Jorge Marcos

      em 31/03/2010 20:28:28

      Que bom que nosso cinema terá novas formas de financiamento, e me parece umaótima opção.

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