NEGÓCIOS
Nº edição: 650 | Negócios | 21.MAR.10 - 21:00 | Atualizado em 25.12 - 07:09
A NBA está quebrada?
Considerada um exemplo de gestão no esporte, a liga norte-americana de basquete anuncia prejuízo de US$ 400 milhões. E o pior: os jogadores podem entrar em greve
Por Nicholas Vital
Durante décadas, a NBA, liga norte-americana de basquete, foi usada como exemplo de eficiência na administração esportiva. Os direitos de transmissão de suas partidas eram vendidos para os quatro cantos do planeta, popularizando o esporte e transformando seus produtos licenciados em sucesso de vendas em todo o mundo. As receitas geradas eram astronômicas.

Nas temporadas passadas, por exemplo, os times lucraram em média US$ 150 milhões, dinheiro que viabilizava a contratação das principais estrelas do basquete mundial a peso de ouro. Em quadra, o show era garantido. Porém, a crise fez com que o cenário mudasse drasticamente. E o slogan da NBA, Where Amazin Happens (onde o incrível acontece, numa tradução livre), nunca fez tanto sentido. Mas, neste caso, o fato incrível é a notícia de que os times terão um prejuízo de US$ 400 milhões nesta temporada.
O anúncio foi feito pelo secretário-geral da liga, David Stern, e colocou em xeque o modelo de negócios da NBA. Pelo menos 25 das 30 equipes fecharão a temporada 2009/10 no vermelho. “O grande problema da NBA são os altos salários pagos aos jogadores”, disse Stern, propondo uma redução salarial aos atletas. As declarações tiveram o mesmo efeito de uma bloqueada na cara do aro. Pudera: a NBA só é o que é por causa dos jogadores cultuados como mitos.
Quem não se lembra dos voos de Michael Jordan? E os passes geniais de Magic Johnson? Hoje esses papéis cabem a estrelas como LeBron James, do Cleveland Cavaliers, e Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers. Segundo eles, não é justo que os protagonistas do espetáculo paguem a conta após as perdas milionárias. Hoje, o faturamento médio das franquias da NBA gira em torno de US$ 280 milhões ao ano.
Porém, se levarmos em consideração que a folha de pagamento de uma equipe do porte do Los Angeles Lakers supera os US$ 90 milhões (leia quadro), o argumento de David Stern ganha força. Apenas como comparação, a folha salarial do Flamengo (que conta com estrelas como Adriano e Vagner Love), a mais alta do futebol brasileiro, não chega a US$ 6 milhões/ano, o que é uma ninharia até diante dos salários dos jogadores mais bem pagos da liga, como Tracy McGrady, armador do New York Knicks, que recebe mais de US$ 23 milhões por temporada.

Salários estratosféricos: recém-contratado pelo New York Knicks,o armador Tracy McGrady
é o atleta mais bem pago da liga. Só em salários são US$ 23,2 milhões por temporada
Especialistas apontam que os prejuízos da NBA derivam da crise econômica mundial, que culminou na redução das verbas de patrocínio, queda nas vendas de pay-per-view e em uma menor arrecadação dentro das arenas esportivas. Além disso, seus proprietários, em sua maioria milionários que perderam muito dinheiro no mercado financeiro, reduziram os investimentos nos times.
Na contramão desse movimento, os salários se mantiveram estáveis e em níveis altíssimos. “Com a crise, os Estados Unidos como um todo se desvalorizou. A NBA, por ser um produto de entretenimento, também caiu. Mas os jogadores não podem ser responsabilizados por isso”, afirma o consultor Thiago Scuro, da Brunoro Sports.

Time estrelado: apenas com Kobe Bryant, o Lakers gasta US$ 23 milhões por ano
Os atletas prometem lutar contra os cortes. Derek Fisher, presidente do sindicato dos jogadores, já disse que não aceitará renegociar os contratos. David Stern, por sua vez, acredita que conseguirá convencê-los. “Vamos apresentar uma proposta que fará com que o modelo de negócios da NBA volte a ser sustentável”, disse o mandatário da liga. “Já apresentamos os fatos. A arrecadação dos times não está proporcional às suas folhas salariais. Não podemos nos esconder.
Os jogadores também não.” Diante do impasse, uma greve dos jogadores não está descartada. Sem os astros em quadra a situação financeira das equipes pode ficar ainda mais crítica. A NBA ainda não está quebrada, mas se o impasse não for resolvido em breve, algo ainda mais incrível pode acontecer no principal campeonato de basquete do mundo.
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Multimídia
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Gabriel
em 18/05/2010 20:25:39
esta matéria é completamente tendenciosa sugerindo que se o modelo de pagamento dos jogadores nao for alterado a NBA pode vir a falencia, isso é um absurdo.
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