NEGÓCIOS
Nº edição: 650 | Especial Empresas do Bem | 19.MAR.10 - 21:00 | Atualizado em 31.03 - 20:28
50 Empresas do Bem (41ª a 50ª)
Conheça as empresas que uniram sustentabilidade com saúde financeira
Por Redação da DINHEIRO
41 A baleia jubarte é um dos maiores animais existentes em nossa fauna. Seus exemplares chegam a medir 16 metros e podem pesar até 40 toneladas. Porém, por viverem nas profundezas dos oceanos, seus costumes são praticamente desconhecidos dos humanos. Mas existe um privilegiado grupo que tem a oportunidade de ver os saltos das baleias jubarte com certa frequência: os trabalhadores das plataformas de exploração de petróleo em alto-mar. Preocupada com a queda no número de animais em torno de suas bases, a Shell decidiu investir R$ 4 milhões em um projeto de monitoramento de baleias via satélite, tecnologia que permitiu a identificação das rotas adotadas pelas baleias em seus movimentos migratórios. Agora, em uma segunda fase, a Shell quer avaliar os impactos de suas atividades no movimento dos animais. “Como realizamos trabalhos de exploração e produção na costa brasileira, conhecer o comportamento das baleias nos ajuda a entender que tipo de interferência temos no meio e como podemos minimizar eventuais impactos”, explica Ana Paula Fernandes, assessora de performance social da Shell Brasil. O projeto conta com 30 pesquisadores em diversos países e cerca de 90 animais monitorados.
42 Há dez anos, a SulAmérica criou um programa de saúde ocular que atendeu mais de dez mil crianças da rede pública de ensino em cinco capitais brasileiras. A experiência, uma das muitas no currículo da seguradora, serviu de modelo para projetos que agora estão sendo desenvolvidos na recém-criada Gerência de Sustentabilidade Empresarial. Evolução no conceito de responsabilidade social, a sustentabilidade empresarial é o que norteia o desenvolvimento de projetos e produtos sintonizados com o meio ambiente e com os anseios da comunidade local. “Gostamos de pensar que a sustentabilidade empresarial está no nosso DNA”, diz Maria Helena Monteiro, vice-presidente de relacionamento e capital humano da SulAmérica. Os frutos já começam a ser colhidos. Em dezembro, a seguradora ingressou na seleta carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa. Na área ambiental, a seguradora adotou um programa de redução do consumo de papel. Em 2009, a economia foi de 18% – índice que representa seis milhões de folhas só nas unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.
43 Nem tudo o que é ecológico é sustentável. Sustentabilidade envolve preocupação com o meio ambiente, o bem-estar social e – muito importante – a viabilidade econômica. Apostando na disseminação desse conceito em empresas, a consultoria para construções sustentáveis SustentaX está ganhando cada vez mais mercado no Brasil. Em apenas quatro anos, a clientela disparou. Hoje, são 40 projetos em andamento. Em 2006, havia apenas um: era o Banco Real, que, na época, inaugurou a primeira agência sustentável da América do Sul, em São Paulo. Na obra, diversas tecnologias foram colocadas à prova e algumas descartadas. A razão? Viabilidade econômica. Um exemplo são os painéis fotovoltaicos. “Eles são ecológicos, geram energia elétrica a partir da luz do sol, mas o retorno financeiro é impraticável: leva de 15 a 20 anos”, diz Paola Figueiredo, vice-presidente executiva da SustentaX. Já os evaporativos, que borrifam vapor d'água e podem diminuir em 4º C a temperatura do ambiente, foram aprovados. Com uma gama cada vez maior de produtos sustentáveis, o custo de uma construção com esse conceito, segundo a consultoria, caiu 40% desde 2006. Hoje, fica entre 2% e 5% a mais, se comparado a uma convencional. O dinheiro investido pode ser recuperado em três ou quatro anos.

44 As grandes empresas brasileiras começaram a perceber que diversidade racial nos seus quadros de funcionários representa, na prática, um atendimento mais democrático. A TAM, por exemplo, aplica atualmente uma política dirigida à seleção e à promoção da diversidade. O percentual de negros ou pardos ocupando cargos de chefia na companhia aérea é de 10%. Nas 500 maiores empresas brasileiras, esse índice não ultrapassa 4%, segundo o Instituto Ethos. “Não queremos somente contratar com diversidade, queremos oferecer promoções também da forma mais diversa possível”, afirma Carolina Duque, diretora de gestão de pessoas. Veja o exemplo de Edna Cruz, gerente de marketing de diferenciação da companhia. Sob sua responsabilidade estão o cardápio de refeições, o entretenimento e as compras a bordo. “Consegui crescer porque tive a oportunidade de mostrar meu talento”, diz. A TAM ofereceu mais do que uma chance profissional. Edna não concluiu a faculdade de administração, mas pôde compensar esta deficiência com cursos realizados na própria empresa. Hoje, ela virou garota-propaganda da TAM. Seu largo sorriso já estampou outdoors e rendeu uma aparição em recente campanha de televisão.
45 A empresa têxtil Tavex (antiga Santista) tem uma longa trajetória de preocupação com a preservação e a sustentabilidade. A companhia foi, por exemplo, a primeira empresa do setor têxtil da América Latina a obter o certificado ISO 14000, de gestão ambiental. Desde o ano passado, usa um acabamento biodegradável e natural à base de manteiga de cupuaçu em lugar dos amaciantes sintéticos. Atualmente, esse acabamento exclusivo já está em 75% da linha de denim. O projeto beneficia 700 famílias na Amazônia, local de onde é extraído o cupuaçu. Recentemente, durante a Semana de Moda de Nova York, o estilista brasileiro Carlos Miele apresentou um material novo desenvolvido pela Tavex: o Bio Denim. Lançado como um produto “realmente sustentável”, ele apresenta peculiaridades no processo de manufatura que justificam o adjetivo. Ele conta, por exemplo, com o uso de algodão orgânico e tem entre seus corantes um insumo à base de goma extraída do fatiamento de batatas em substituição a produtos químicos. Por enquanto, a produção é relativamente pequena: cerca de 50 mil metros por mês. Mas ela pode aumentar de acordo com a demanda. “As nossas peças precisam ser atraentes. Não adianta serem apenas sustentáveis”, diz Maria José Orioni, gerente de marketing da Tavex para a América do Sul.

46 Executivos e demais empregados deixam de lado as roupas habituais de trabalho. Os materiais de escritório são trocados por outros nada usuais em uma empresa de telefonia. Enxada em punho, os funcionários assumem, uma vez por ano, uma tarefa bem diferente. Formam um mutirão para reformar uma instituição social. O serviço é completo: vai da recuperação da estrutura à pintura do prédio. No ano passado, 1,2 mil pessoas aderiram à força-tarefa no Dia dos Voluntários da Telefônica, em São Paulo, o que representa 20% do quadro de funcionários da empresa na cidade. O Lar Altair Martins, uma creche no Grajaú, periferia paulistana, ganhou outra cara em 2009. Três anos antes, o projeto da Telefônica nascia com a recuperação da Associação Santos Mártires, um centro de apoio ao jovem no Jardim Ângela, outro bairro de baixa renda da capital. Além de liberar os funcionários do escritório em um dia útil e transportá-los para o trabalho voluntário, a empresa ainda se responsabiliza pelos custos com material de construção e com a contratação de profissionais especializados para a obra: um investimento de R$ 600 mil por ano. Hoje, o Dia dos Voluntários acontece simultaneamente em 14 dos 25 países em que a Telefônica atua. “No ano passado, também começamos a oferecer à instituição recuperada uma consultoria posterior para melhoria da gestão”, diz o diretor-presidente da Fundação Telefônica do Brasil, Sérgio Mindlin, que também costuma arregaçar as mangas nas obras. A escolha do local a ser reformado é feita pelo Comitê de Solidariedade da empresa, que promove ainda outras ações comunitárias, como campanhas de doação de sangue e captação de recursos para entidades de assistência a crianças e adolescentes. No ano passado, segundo a companhia, 24 mil pessoas foram diretamente beneficiadas pelos projetos no País.
47 Para a TerraCycle, ganhar dinheiro e respeitar o meio ambiente são atividades complementares. Criada em 2001, nos Estados Unidos, para vender adubo orgânico, a empresa chegou ao Brasil em agosto do ano passado, oferecendo artigos feitos de embalagens reutilizadas – solução encontrada por seu fundador, Tom Szaky, para acondicionar o adubo sem gastar muito dinheiro com embalagens. Sozinha no mercado mundial, a TerraCycle se especializou na reutilização de embalagens de refrigerante, salgadinhos e sucos em pó, que, depois de limpas, viram artigos para escritório e bolsas. Diferentemente de outras empresas, que processam o material, as embalagens da TerraCycle são apenas dobradas, trançadas, coladas e costuradas. No Brasil, a coleta da matéria-prima estava a cargo de cooperativas até o fim de fevereiro, quando a empresa implantou seu esquema de brigadas no País. Agora, qualquer pessoa pode se inscrever pela internet para atuar como fornecedor. Cada pacote recolhido vale R$ 0,02 e o dinheiro arrecadado vai para uma instituição de caridade previamente indicada pelo fornecedor. Os pacotes vão para uma ONG de costureiras de Curitiba, onde são reutilizados. Para o presidente da TerraCycle no Brasil, Guilherme Brammer, o mercado é promissor. “É uma necessidade para as grandes empresas, que estão pressionadas pelos consumidores a fazer algo prático no campo ambiental”, comenta. Os resultados mostram o potencial do negócio: até o fim deste mês, a empresa deve atingir o faturamento de US$ 15 milhões planejado para o ano inteiro.
48 A companhia siderúrgica Usiminas vai investir R$ 2 milhões nos próximos cinco anos para formar jovens estudantes da rede pública na área de jogos digitais. Em parceria com a PUC Minas e o governo de Minas Gerais, a Usiminas espera capacitar 500 jovens, de 15 a 24 anos, em design e programação de games e arte 2D. As aulas serão ministradas em uma antiga unidade da Febem. “A capacitação na área de jogos digitais também prepara o jovem para atuar em diversos setores da empresa”, afirma Eduardo Lery Vieira, diretor de relações institucionais da Usiminas. Parte dos alunos deve ser absorvida pela própria companhia. Os cursos foram desenvolvidos pelos professores de graduação em jogos digitais da PUC Minas, que também vão atuar dando aulas, juntamente com alunos da faculdade. Os recursos a serem investidos pela Usiminas serão utilizados na manutenção da estrutura necessária para as aulas e na compra de computadores. As aulas ainda não começaram, mas a primeira turma, com 500 alunos, já está formada. Vieira conta que a procura pelos cursos foi muito grande, suficiente para formar, pelo menos, três turmas completas.
49 Se em meados do século XX a calça jeans já era sinônimo de liberdade de expressão, neste século ser moderno é ter consciência ambiental – e não basta produzir um índigo limpo, livre de substâncias nocivas à pele, alérgicas ou cancerígenas. Por isso mesmo é que a Vicunha Têxtil renovou, em 2010, o certificado Oeko-Tex Standard 100, selo verde europeu, que atesta que o índigo é ecologicamente correto. Já no brim, a validade do selo dura até o fim deste ano. Ou seja, a Vicunha Têxtil está dentro do prazo de renovação. “Com este certificado, não temos mais obstáculos para comercializar o nosso produto no mundo”, diz Fred Lapa, gerente de qualidade e assistência técnica da Vicunha Têxtil. Desde que obteve a certificação, em 2001, a companhia não deixou de renová-la anualmente no instituto suíço Testex.
O procedimento abrange uma bateria de exames da base do tecido, tingimento e acabamento. No final do processo, a instituição emite um novo laudo, revalidando ou não o selo. O certificado é decorrente de um planejamento feito a partir de 1995, quando a companhia decidiu implementar um programa de qualidade para ter um produto com competitividade em escala mundial. O processo começou voltado aos funcionários, visando a redução de consumo de água e maior eficiência energética. O uso de corantes biodegradáveis e reutilização de até 65% de todo o efluente industrial produzido nas fábricas também fizeram parte da adaptação. Em um caminho que considera sem volta, a Vicunha aprendeu que os custos ambientais também podem ser considerados investimentos.
50 Fornecer a melhor rota e orientar o maquinista a se preparar para as curvas. Este é o princípio do Eco Excellence, um sistema desenvolvido pela Voith Turbo, subsidiária do Grupo Voith, da Alemanha, para que os profissionais conduzam com segurança e evitem freadas bruscas que gastam mais combustível. Trata-se de um software que mapeia a ferrovia e o caminho a ser percorrido pelos trens, orientando o condutor para os pontos em que ele precisa ficar alerta por causa das condições da ferrovia, dos cruzamentos, das curvas ou do tráfego. “O sistema permite que o condutor atue da forma mais eficiente possível, o que aumenta a vida útil do equipamento”, diz o diretor executivo da Voith no Brasil, Ralf Dreckmann. Com isso, é possível economizar até 15% de combustível. Lançado no ano passado numa feira de equipamentos ferroviários, o produto despertou o interesse de empresas como a Vale, que tem suas próprias ferrovias de carga. A Voith também está conversando com os responsáveis pelos metrôs de superfície de Fortaleza e do Recife, para incorporação do sistema ao projeto.

Conheça as demais empresas do especial
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Eduardo Nunes de Lima
em 31/03/2010 20:28:57
Sustentabilidade é a palavra do momento! A matéria com seus vários exemplos, contribui para que mais leitores saibam do que se está falando quando se usa "sustentabilidade". Entretanto, deixo um desafio para a revista: avançar no entendimento do conceito de sustentabilidade e separa o joio do trigo.
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Antonio Muniz.
em 31/03/2010 16:12:07
Muitíssimo proveitosa essa SENSACIONAL reportagem que por ceto nos tráz a certeza de que ainda há no PLANETA TERRA homens que pensam além do DINHEIRO. Isso por certo nos tráz também as CERTEZAS de que nossos filhos,netos e DEMAIS gerações ainda irão conhecer água, ar e aliment
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