NEGÓCIOS
Nº edição: 650 | Negócios | 19.MAR.10 - 21:00 | Atualizado em 20.05 - 10:37
A carona da Souza Cruz
Pilhas e cartões telefônicos são alguns dos itens que chegam a 240 mil pontos de venda no País graças à área logística da fabricante de cigarros. A estimativa é que esse negócio já responda por 10% do faturamento
Por Tatiana Vaz
Religiosamente todas as manhãs, 2,5 mil veículos de venda e distribuição partem das fábricas da Souza Cruz, a maior fabricante de cigarros do País, para abastecer os estoques de 240 mil pontos de vendas espalhados pelo Brasil. Entre os endereços visitados estão postos de gasolina, padarias, grandes redes de supermercado, tabacarias e bares nos lugares mais longínquos do Brasil.
São poucos os locais que fogem dos tentáculos da incrível máquina logística da companhia. O curioso é que, além das caixas de cigarros das marcas da empresa, entre elas Free, Hollywood e Lucky Strike, os caminhões e furgões carregam outros produtos fabricados por terceiros.

Pilhas, isqueiros e cartões telefônicos são alguns dos itens que pegam carona há alguns anos no transporte da companhia para garantir a capilaridade da entrega. A estimativa é de que até 10% das receitas da empresa, que atingiram R$ 5,79 bilhões no ano passado, sejam geradas com os serviços de distribuição para outras empresas. “Especula-se que, no longo prazo, esse será um dos principais negócios da companhia no País”, comenta Ricardo Jacomassi, analista do setor tabagista da consultoria Lafis. “O motivo é a crescente pressão tributária sobre a produção de fumo, aliada ao aumento da procura por serviços de logística nos próximos anos.”
Indagado sobre isso, Dante Jetti, presidente da Souza Cruz, desconversa. “Nosso foco sempre será a venda de fumo e cigarro”, disse à DINHEIRO. Nos próximos cinco anos, a companhia tem planos de investir R$ 2 bilhões na área de logística, no aumento da capacidade de produção e na modernização de suas fábricas. Apesar de o tabaco ser o coração do negócio, Jetti sabe que o segredo do sucesso da empresa reside na capilaridade de sua logística.

Justamente por isso a área é estrategicamente desenhada para buscar maneiras rápidas e certeiras de alcançar o público alvo. O departamento é formado por um sistema que monitora toda frota por rádio, satélite e celular para garantir que 80% dos volumes vendidos demorem, no máximo, 24 horas para serem entregues nas lojas.
Nos últimos dois anos, a empresa trabalhou na melhoria do setor para conseguir atender as regiões que ganharam destaque na receita, graças à melhor distribuição de renda no País. Cidades do interior paulista e baiano, por exemplo, faziam parte dessa lista.
Para ocupar um bom espaço e garantir uma boa exposição dos produtos nas lojas, a empresa também procurou estreitar a relação com os varejistas. De olho nisso, aumentou o número de funcionários que trabalham na área de 2 mil pessoas para 2,5 mil e tratou de fazer com que 85% das entregas fossem feitas diretamente pelos próprios vendedores.
“A ideia foi levar nossos profissionais até onde os consumidores estavam para, assim, manter um melhor relacionamento com eles e com os parceiros”, explica Jetti. O sistema prevê que, em um intervalo de 45 dias, boa parte da equipe de marketing visite os varejistas para auxiliá-los a expor melhor os produtos nas gôndolas e a projetar as necessidades de cada cliente.
“Um grupo também ajuda os parceiros a gerenciar seus negócios com eficiência. Se for preciso, aproximamos os clientes que precisam de financiamento dos bancos ou ajudamos na compra de equipamentos para seus negócios”, conta Jetti. “Essa é uma das áreas mais estratégicas.” Não só para a Souza Cruz: os fabricantes de pilhas e cartões telefônicos, que usam a estrutura da companhia, acham o mesmo.
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geiziane ramalho de medeiros
em 31/08/2010 13:51:33
Não sei se já foi corrigido mas o nome do presidente da Souza Cruz é Dante Letti e nao Jetti
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