NEGÓCIOS
Nº edição: 611 | 24.JUN - 10:00 | Atualizado em 04.03 - 01:26
Você trabalharia de graça para este homem?
Presidente da British Airways pede a seus funcionários que trabalhem sem receber durante um mês
O presidente da companhia aérea British Airways, Willie Walsh, fez na semana passada um apelo inusitado a seus 30 mil empregados. Em comunicado dirigido a todos os escalões da empresa, Walsh pediu que os funcionários aceitem trabalhar de graça, por até um mês, para ajudar a corporação a sobreviver. Walsh quer servir de inspiração. Ele anunciou que vai abrir mão de seu salário mensal de 61 mil libras (cerca de R$ 200 mil) no mês de julho.
"Nós precisamos de vocês para conseguir dinheiro suficiente para socorrer a empresa", disse o executivo. Terceira maior companhia aérea da Europa em faturamento, a British teve prejuízo de 420 milhões de euros no último ano fiscal, encerrado em 31 de março. Suas dívidas chegam a 2,6 bilhões de euros e até agora nenhum acordo foi aceito pelos credores. A empresa vive o momento mais difícil de seus 85 anos de existência.
Desde que a desaceleração econômica começou a fazer estragos em meados do ano passado, grandes símbolos do mundo empresarial passaram a buscar soluções incomuns para seus problemas financeiros. Nos Estados Unidos, o presidente do Citigroup, Vikram Pandit, aceitou receber salário anual de US$ 1, sem direito a bônus, até que o banco recupere a lucratividade - o que pode demorar meses.
Na AIG, seu presidente, Edward Liddy, vai receber simbólicos US$ 12 por serviços prestados durante todo o ano de 2009. Gigantes como Nissan, FedEx e HP ceifaram os salários de alguns de seus executivos em mais de 40%.
US$ 47 milhões é quanto a british economizaria se seus pilotos trabalhassem um mês de graça
O caso British chama a atenção por envolver todos os funcionários. Ninguém é obrigado a aceitar a oferta do presidente Walsh - os funcionários estão protegidos pela legislação -, mas corre o boato de que há risco de demissão para quem se recusar a trabalhar durante um mês sem receber por isso.
Nos últimos dias, alguns colaboradores mais exaltados ameaçaram entrar em greve, caso sejam pressionados a seguir a orientação de Walsh. A empresa diz que uma pesquisa informal detectou que pelo menos mil pessoas estariam dispostas a dar expediente de graça.
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