NEGÓCIOS
Nº edição: 649 | Negócios | 12.MAR.10 - 21:00 | Atualizado em 15.03 - 21:27
A publicidade da publicidade
Associações que representam agências e anunciantes lançam campanha em defesa da liberdade de propaganda no País
Por Hugo Cilo
Mais do que ninguém, o mercado publicitário brasileiro sabe que o ditado “a propaganda é a alma do negócio” nunca fez tanto sentido como agora. No ano passado, o setor movimentou R$ 64 bilhões no País, uma expansão de 7,3% em relação ao ano anterior, segundo o Ibope Monitor – na contramão da crise econômica mundial e da retração de 0,2% do PIB do País.
Apesar do bom desempenho, a indústria da publicidade tem sido alvo de projetos que propõem criar restrições à propaganda – hoje, mais de 150 projetos de lei no Congresso pedem algum tipo de limitação à publicidade, do veto à veiculação de anúncio de cerveja à proibição total de propaganda direcionada a crianças das 6h às 21h na televisão. O que alguns consideram como regulação é visto pelos profissionais da área como uma tentativa velada de censura.

As peças publicitárias que serão veiculadas na televisão irão resgatar criações marcantes
da propaganda brasileira e destacar a importância do desenvolvimento de marcas
Diante desse cenário, a Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap) e a Associação Brasileira de Anunciantes (Aba) se uniram pela primeira vez em uma campanha batizada de “Propaganda. Faz Diferença”. A proposta é valorizar a publicidade, defender o livre exercício da profissão e destacar a importância da propaganda no desenvolvimento econômico e intelectual da sociedade.
A iniciativa tem assinatura da agência AlmapBBDO, que desenvolveu voluntariamente quatro comerciais para o início da campanha. A veiculação dessas peças já começou. Elas serão gratuitamente divulgadas na mídia durante o ano todo. “Se queremos viver em um país democrático, não se pode simplesmente proibir a propaganda. Queremos a autorregulação, não a interferência”, disse o presidente da Abap e da agência Lew’Lara\TBWA, Luiz Lara. “É fundamental que fique claro a todos. A publicidade educa, informa e entretém. É uma indústria que movimenta todas as outras indústrias e mantém girando a roda da economia.”

Luiz Lara, presidente da Abap e da agência Lew'Lara\TBWA, diz que a publicidade
é uma indústria que movimenta toda a economia. "Queremos a autorregulação, não a interferência"
Os anúncios pretendem deixar isso claro. Um dos comerciais mostrará um jovem assistindo à televisão ao mesmo tempo que conversa com um amigo sobre a importância da publicidade. Ele chega à conclusão de que a propaganda não serve para nada. Naquele instante ele atende a ligação de uma pessoa que, ao ver o anúncio de venda de seu carro, ficou interessada. O mesmo personagem que criticou a propaganda foi, de certa forma, um publicitário ao defender os atributos do carro no anúncio.

Na mídia impressa, os anúncios valorizarão marcas que se tornaram referência na mente do consumidor, como Bombril e Havaianas
A campanha tem três grandes objetivos. O primeiro é reforçar a importância institucional da propaganda para o crescimento da economia do País. O segundo, garantir a liberdade de expressão. O terceiro, manter a liberdade dos veículos de comunicação. Para Ricardo Bastos, presidente da Aba, a campanha mostra que o setor não ficará na defensiva em meio aos ataques de ONGs e do governo. “Queremos esclarecer a sociedade brasileira sobre o importante papel da publicidade para o País, além de estimular o senso crítico dos consumidores quanto às restrições impostas à nossa atividade”, disse Bastos.
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Multimídia
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ldotld
em 15/03/2010 21:27:02
quem define o que é moralmente abusivo somos nós, nao o congresso se nao gostarmos basta mostrar isso. recentemente um comercial da havaianas causou polemica ao mostrar uma avó falar de sexo c/ a neta , algumas pessoas criticaram.Em resposta a havainas tirou da Tv e deixou na net pra quem quiser ver
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Pimpa Supimpa
em 15/03/2010 17:00:48
Solidariedade às agências e aos anunciantes, o Congresso não pode interferir no direito de expressão. Mas fica uma pergunta: será que esse mesmo Congresso não tem razão em querer interferir nessa liberdade de expressão quando vê-se que algumas campanhas são, digamos, moralmente abusivas ?
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