NEGÓCIOS
Nº edição: 616 | 24.JUL.09 - 10:00 | Atualizado em 22.05 - 03:51
Pedalada cult
A dinamarquesa Biomega, badalada marca de bicicletas, chega ao País vendendo seus exemplares em lojas de design

Uma despretensiosa visita ao Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York, mudou os rumos profissionais do publicitário Helio Rosas, 49 anos. Aficionado por design, ele caminhava pelo museu quando se deparou com uma bicicleta. Era uma peça da marca dinamarquesa Biomega que faz parte do acervo do museu. "Me apaixonei por ela e quando cheguei ao Brasil mandei um e-mail para a empresa pedindo informações para comprá-la", diz Rosas. Como resposta, recebeu um pedido. "O dono da marca perguntou se eu queria representar a empresa no Brasil." Pois ele não pensou duas vezes. Fez as malas, embarcou para Copenhague e fechou o negócio. "As primeiras peças chegaram há um mês", diz Rosas. E não pense procurá- las em bicicletarias e muito menos chamá-las de magrelas - o que, para seus seguidores, pode ser considerado uma ofensa. "Elas serão vendidas apenas em lojas de design", diz Rosas. Pudera: custarão entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. É, portanto, preciso pedalar para levar uma para casa.
Diante de cifras tão altas por simples bicicletas, cabe uma indagação. O que elas têm de especial? "Elas foram criadas por alguns dos designers mais badalados", diz Rosas. Já assinaram suas peças ícones como o inglês Ross Lovegrove, o papa das formas orgânicas, e o australiano Marc Newson, considerado uma das pessoas mais influentes do mundo pela revista Time.
Até mesmo uma especialista em cores, a italiana Beatrice Santiccioli, foi convocada para pensar em tonalidades que não fossem chamativas, mas que brilhassem no escuro por questões de segurança. O modelo Boston, por exemplo, é dobrável; o bamboo, criado por Lovegrove em parceria com o brasileiro Flavio Deslandes, tem o quadro produzido com partes de bambu; e o MN, exemplar de Marc Newson, não possui propriamente um quadro, é uma peça inteiriça.
Todos os modelos têm um ponto em comum: ostentam linhas simples. No lugar das correntes, por exemplo, entram os eixos cardan, a mesma tecnologia usada nas motos da BMW. Tais atributos chamaram atenção da alemã Puma. Quando a empresa resolveu lançar uma bicicleta para o seu projeto Puma Urban Mobility, que consiste em criar alternativas de mobilidade em meio ao caos urbano, ela procurou a Biomega. "São bicicletas vistas como peças de arte", diz Soren Priess Gade, dono da Scandinavia Design, loja de produtos para casa. "No começo, achei estranho vender bicicleta na minha loja, mas tem a cara do nosso público."

HELIO ROSAS, IMPORTADOR DA BIOMEGA
" Cada modelo foi criado por um grande designer "
Multimídia
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