NEGÓCIOS
Nº edição: 616 | 24.JUL.09 - 10:00 | Atualizado em 23.02 - 14:43
O pote de US$ 350 milhões
O Soccer City, estádio cujo desenho remete ao artesanato africano, já se impõe como um vigoroso ícone da Copa do Mundo de 2010
EM UMA REGIÃO ERMA E QUE OUTRORA abrigou uma das mais importantes jazidas de ouro do continente africano está sendo erguido o principal estádio da Copa do Mundo de Futebol, que acontece em 2010 na África do Sul. Palco do jogo inaugural e da partida final, o Soccer City Stadium já desponta como a mais imponente joia arquitetônica esportiva da região. Sua grandiosidade reside exatamente na utilização de um conceito simples, segundo o arquiteto Piet Boer, sócio do escritório Boogertman Urban Edge & Partners, responsável pelo desenho: "usamos a riqueza do artesanato africano que tem nos potes de barro e argila um dos elementos mais importantes do ponto de vista cultural", explica.

Um dos primeiros esboços (à esq.) do projeto que deu origem ao estádio valoriza o artesanato típico africano, que tem nos potes de barro e argila uma característica marcante
A obra é uma das mais caras do orçamento do Comitê de Organização dos Jogos. Aa estimativa é que sejam gastos UuS$ 350 milhões, dos quais 180 milhões apenas na cobertura do estádio. O valor elevado se deve ao intrincado projeto de engenharia e os materiais utilizados: placas de fibra de vidro revestidas por uma camada de teflon. Trata-se da mesma solução adotada na remodelagem do Estádio Olímpico de Berlim (Alemanha). Para conseguir o efeito de pote de barro e argila, os arquitetos optaram por finíssimos painéis de concreto, de 13 milímetros de espessura, com acabamento que remete às diversas tonalidades do solo africano.

O custo da obra rendeu críticas, inclusive, de alguns integrantes do seleto grupo de jornalistas estrangeiros que participaram de uma conferência na sede da Federação Sul-Africana de Futebol, no início do mês. Dany Jordaan, chefe executivo do Comitê Organizador da Copa do Mundo, defendeu o projeto argumentando que ele simboliza o resgate do orgulho da população sul-africana, além de funcionar como um catalisador para novos investimentos na região e no país como um todo. "Nosso objetivo é fazer com que o Soccer City seja reconhecido pela sofisticação e modernidade, a exemplo do que acontece com o Ninho do Pássaro, em Pequim (China), e o Estádio da França (Paris)", destaca. Polêmicas à parte, é certo que parte da missão já foi cumprida. O "pote" se destaca na paisagem árida de um gigantesco terreno baldio na periferia de Johannesburgo, perto de Soweto - um dos maiores guetos do continente. Foi no velho estádio erguido no início da década de 1980 que o ativista Nelson Mandela reuniu milhares de simpatizantes para celebrar sua libertação, em 1990.

O PALCO DA FINAL
Capacidade:
91,5 mil lugares
Área da cobertura:
37 mil m²
Área da fachada
34 mil m²
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