NEGÓCIOS

Nº edição: 616 | 24.JUL.09 - 10:00 | Atualizado em 22.05 - 04:05

O efeito Kassab

Como uma mudança de trânsito em São Paulo mexe com diversos setores da economia e grandes grupos empresariais

Arte Sobre Foto de Karime Xavier/Ag. Istoé

 

Muitas vezes, uma simples medida administrativa numa cidade mexe com um setor inteiro da economia. Há cerca de um ano, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, proibiu a circulação de grandes caminhões na região central da capital paulista. A decisão provocou profundas reviravoltas nas empresas de logística, nas grandes indústrias e até nas montadoras de caminhões. algumas para pior, outras para melhor.

"As restrições foram mais uma oportunidade do que um problema para nós", diz Oswaldo Jardim, diretor de Caminhões da Ford do Brasil. A empresa lançou, em novembro de 2008, uma linha de vans que, embora já estivesse nos planos da montadora, foi beneficiada diretamente pelas mudanças em São Paulo.
"Hoje já temos 5% desse mercado no País, sendo que 40% dele está concentrado aqui em São Paulo", afirma Jardim. Para o final do ano, a empresa já planeja complementar sua linha de utilitários com um minicaminhão, montado sobre a plataforma de uma van. A Iveco, por sua vez, já tinha, desde o final de 2007, uma linha de vans adaptadas às novas regras da cidade de São Paulo. a empresa intensificou a divulgação desses produtos, bem como de seus modelos de caminhões cuja circulação na região central é permitida.Segundo Fernando Ribeiro, gerente de marketing da empresa, graças à comercialização desses automóveis, as vendas da Iveco cresceram 40% em relação a 2008, apesar da retração do mercado.

A indústria, porém, identificou um efeito adverso causado pelas restrições. " o mercado paulistano de usados não aceita mais caminhões grandes, que precisam ser vendidos em outras praças. Como a demanda não é tão grande, o preço caiu muito", diz Jardim. "até mesmo nossa linha de vans sofre um pouco com isso, pois o preço do caminhão grande ficou tão baixo que não vale a pena para o dono trocá-lo em uma concessionária."

R$ 4,1 bilhões
é o prejuízo anual causado pelos congestionamentos na Grande São Paulo


R$ 11 milhões
é o prejuízo diário com o trânsito apenas na cidade de São Paulo**

Nos setores afetados negativamente há tanto revolta quanto uma resignação preocupada. segundo Paulo Macêdo, diretor de relações externas para o Mercosul da Femsa, distribuidora da Coca-Cola no País, as restrições elevaram significativamente os custos da empresa. ele, isso foi totalmente absorvido pela Femsa - ele não revela o montante. "Estamos no limite. Se as restrições ficarem ainda mais duras, teremos que repassar o aumento para os preços, pois nossos custos cresceriam em algumas dezenas de milhões de reais", diz

Hoje, para driblar as restrições, a Femsa deixou de entregar diretamente ao cliente final e concentrou suas remessas em depósitos maiores, em regiões não afetadas pelas regras de trânsito. Os depósitos, por sua vez, fazem a entrega final em veículos menores. O problema, alega a empresa, é que isso aumenta um elo na cadeia de suprimentos e tem efeito sobre o preço final da mercadoria.

Segundo as transportadoras, com a substituição dos caminhões grandes, houve aumento no número de veículos utilizados. Assim, foi necessário contratar mais motoristas, ajudantes e pessoal administrativo, o que eleva os custos. Para o presidente do Sindicato das empresas de transporte de Cargas de são Paulo (Setcesp), Francisco Pelucio, a mudança nas regras contribuiu para o aumento da poluição e não para a sua diminuição. "São mais veículos na rua e, portanto, mais emissões", diz ele. além disso, caso as restrições sejam aprofundadas a partir de novembro, como está previsto pela Prefeitura, esse número de veículos aumentaria ainda mais.

Oswaldo Jardim, da Ford: "As restrições em São Paulo foram mais uma oportunidade do que um problema para nós"

Segundo a AmBev, haveria uma "invasão de vans" na cidade. Hoje, a empresa utiliza 51 caminhões pequenos e 76 vans para entregas no Centro expandido. Para substituir os caminhões pequenos, precisaria de mais 184 vans para atender os mesmos clientes dessa região. Ponto para as montadoras.


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • Oseias Gonçalves de Almeida

    em 07/03/2012 15:06:50

    A PROIBIÇÃO POR PARTE DO PREFEITO DE SP DE PROIBIR CAMINHOES DE COMBUSTIVEL DE RODAR EM HORARIO DE PICO É UM ABSURDO, NÃO É TODO POSTO QUE FUNCIONA A NOITE , E DE DIA COM OS DESMANDOS DO PREFEITO PREJUDICOU A CIDADE DE SP INTEIRA, QUEM PAGA A CONTA SOMOS NÓIS

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    • em 07/02/2012 15:18:53

      ap.txt;5;10

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      • em 07/02/2012 11:10:11

        ap.txt;5;10

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        • em 07/02/2012 07:13:19

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          • em 07/02/2012 03:18:07

            ap.txt;5;10

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            • em 06/02/2012 23:23:06

              ap.txt;5;10

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              • ROSEMEIRE KAZUMI ARAKAWA DIAS

                em 12/11/2011 23:22:23

                Se eu tiver que entregar minha mercadoria de madrugada, quem estará esperando para recebê-la? E caso eu tenha que esperar amanhecer para entregar e estiver numa rua restrita, o que farei?

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