ECONOMIA

online | Economia | 11.MAR - 17:25 | Atualizado em 11.03 - 17:26

Queda menor que a prevista do PIB em 2009 sinaliza alta de juros

Para economistas consultados pela DINHEIRO Online, crescimento de 6% ao ano não é sustentável. Há divergências sobre quando o BC vai elevar a Selic.

Por Rodrigo Caetano

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrado em 2009 mostra que o País se saiu bem na crise financeira mundial. Pelo terceiro ano seguido, o Brasil apresentou desempenho melhor do que a média mundial, destaca o economista Luiz Gustavo Medina, da M2 Investimentos. Ao mesmo tempo, na avaliação de Medina, os números indicam um possível superaquecimento da economia, o que deve resultar em aumento de juros nos próximos meses.

A economia brasileira cresceu 2,0% no quarto trimestre do ano passado na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o Produto Interno Bruto (PIB) do País fechou 2009 em queda de 0,2%.

Para Medina, ainda não há um consenso sobre o resultado da próxima reunião do Comitê de Políticas Monetárias (Copom), marcada para o dia 15 de março, que definirá a nova da taxa básica de juros do País, a Selic. De qualquer forma, o aumento do juro não deve passar de abril, segundo o economista. “Na minha opinião, já deveria ser elevado agora”, diz.

Segundo Bráulio Gomes, economista da LCA, os juros devem mesmo subir, mas somente em junho. Gomes não acredita em um superaquecimento da economia brasileira. Ressalta, no entanto, que a projeção atual para o crescimento do PIB deste ano, por volta de 6%, não é sustentável. “O Brasil consegue crescer até 4,5%”, declara. "Um ritmo maior causaria pressões inflacionárias e, por esse motivo, o Banco Central vai precisar elevar a taxa Selic", completa.

Além da questão econômica, existe um lado político na decisão. A saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central em 31 de março, divulgada em primeira mão pela ISTOÉ Dinheiro Online, pode precipitar o aumento da Selic. “Ele (Meirelles) não deve deixar o problema para seu sucessor”, indica Medina. "A tendência é que ele inicie o movimento, que não deve cessar até o final do ano. A expectativa é que a taxa fique entre 11% e 12% ao ano até o final de 2010", conclui.

Em entrevista exclusiva para a Dinheiro Online, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que exista um superaquecimento da economia. “A economia brasileira está indo muito bem. Não sei se crescendo a 6%, mas a 5% está”, disse.

Com informações da Agência Estado


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