FINANÇAS

Nº edição: 649 | Finanças | 12.MAR.10 - 21:00 | Atualizado em 12.03 - 21:28

O'Neill, um economista em apuros

A paixão pelo futebol e o destempero verbal podem custar o emprego da maior estrela do Goldman Sachs

Por Marcio Kroehn

O economista inglês Jim O’Neill virou celebridade mundial ao cunhar o termo BRIC,  grupo que reúne os emergentes Brasil, Rússia, Índia e China. Sua visão global privilegiada não o impediu de entrar numa prosaica disputa local sobre seu time de futebol do coração, o Manchester United. Torcedor fanático, O’Neill entrou em rota de colisão com os donos do clube, a família Glazer, e com seu próprio empregador, o banco americano Goldman Sachs. Agora, luta para não levar o cartão vermelho.
 

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Além de tentar comprar o Manchester United , ele criticou operação do próprio banco

Tudo começou quando ele se uniu a um grupo de financistas, o Red Knights (cavaleiros vermelhos), para tentar comprar o Manchester United. Seu time inclui Keith Harris, chefe da corretora Seymour Pierce; Paul Marshall, fundador do fundo de hedge London Marshall Wace; e Richard Hytner, da agência de publicidade Saatchi & Saatchi.

Eles tentam reunir 40 investidores para dar o bote, avaliado em um bilhão de libras esterlinas (R$ 2,7 bilhões). O problema é que o clube não está à venda, os Glazer ficaram ofendidos com a ofensiva e pediram sua cabeça ao Goldman Sachs, do qual são grandes clientes, segundo o jornal The Guardian.
 

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Jim O'Neill: a família que controla o clube inglês pediu sua cabeça ao Goldman Sachs


A situação para O’Neill se agravou quando ele criticou uma emissão de bônus de 500 milhões de libras feita pelo Manchester United em janeiro. Em entrevista à agência financeira Bloomberg, o torcedor famoso colocou a paixão em primeiro lugar e criticou a operação. “Há muita alavancagem no Manchester United. Isso não é bom. Não sou comprador desse bônus. Valorizo meu apoio de longo prazo ao clube acima de qualquer outra coisa”, afirmou. Adivinhe qual banco comandou a emissão dos títulos? O Goldman Sachs. O presidente, Lloyd Blankfein, ficou furioso com o seu chefe de pesquisa de economia global, que não consultou ninguém antes de falar o que pensava.

O time inglês vai bem. Na quarta-feira 10, bateu o Milan por 4 a 0 na Copa dos Campeões. O’Neill vibrou. No trabalho continua constrangido com a situação que criou. Procurado pela DINHEIRO na semana passada, foi sucinto: “Para mim, é impossível responder a essas perguntas. Desculpe."


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