NEGÓCIOS
Nº edição: 616 | 24.JUL.09 - 10:00 | Atualizado em 13.06 - 15:09
No meio do caminho
A Honda lança um carro para quem não pode comprar um Civic, mas não quer ficar com o Fit

A nova aposta: a Honda espera produzir no Brasil 4,1 mil unidades do City até dezembro, incluindo as exportações para outros países da América Latina

"O City não irá competir e sim completar a lacuna de mercado que o Fit e o Civic deixavam"
Alberto Pescumo, da honda automotiva no Brasil
Quando pronunciado, o nome do novo veículo da Honda no Brasil parece uma mistura entre as denominações dos outros dois modelos fabricados pela japonesa por aqui, o Civic e o Fit. A semelhança não se restringe apenas ao jogo de palavras. Antes mesmo do seu lançamento oficial no País, no final da semana passada, o City ganhou no segmento automotivo o apelido de mini-Civic e Fit sedã.
Isso porque suas duas primeiras versões, vendidas apenas na Tailândia e no Japão, eram de um carro desenvolvido em cima da plataforma do Fit, com design baseado no Civic. Mas quando foi apresentado às redes concessionárias da marca, em julho, o carro mostrou que tem um estilo próprio.

Considerado a grande aposta da montadora para os países emergentes, o novo automóvel foi totalmente readequado para o mercado nacional. Para a venda no Brasil, a Honda fez pesquisas com consumidores brasileiros e investiu R$ 180 milhões na adaptação da fábrica e em pequenas alterações no produto.
Com ele, a companhia espera atender a demanda existente entre o Civic e o Fit. O City foi desenhado especialmente para a pessoa que tem um Fit e para quem quer um carro maior ou que quer um Civic, mas não está disposto a pagar R$ 64 mil. O preço do City também é intermediário: R$ 56 mil.
As características fazem com que ele seja um concorrente dos outros modelos da marca, com o detalhe de atender aos públicos das duas. Mas por que a Honda apostou na produção de um veículo que poderá roubar usuários de seus outros modelos? "Achamos que o City não irá competir e sim completar a lacuna de mercado que o Fit e o Civic deixavam", afirma Alberto Pescumo, gerente- geral comercial da Honda Automotiva no Brasil. A baixa inadimplência do público-alvo dos três veículos é outra explicação para essa estratégia.
"Quem compra carros como esses não parcelam o pagamento em 60 vezes, o que nos gera mais liquidez e menos risco. Queremos conquistar essas pessoas", diz Pescumo. Foi preciso ajustar o modelo ao mercado latino porque o City foi desenvolvido de olho apenas nos asiáticos. Tanto que o Brasil é o único país do lado ocidental que fabricará o produto. Por aqui, a expectativa é de que sejam fabricadas 4,1 mil unidades até dezembro, incluindo as exportações para outros locais da América Latina. A ideia inicial da Honda era fabricar o veículo na Argentina e não no Brasil.
Os planos mudaram logo após o início da crise financeira mundial, em setembro do ano passado. Primeiro, a construção da fábrica Argentina foi congelada. Ao mesmo tempo, a queda da produção gerou uma capacidade ociosa na operação brasileira. A solução foi aproveitar o espaço para iniciar a produção do City por aqui. A importância do País para a Honda também pesou na decisão. "O Brasil é o terceiro mercado mundial em vendas do Civic e do Fit.
Queremos que o mesmo aconteça com o City", diz Pescumo. Apenas com a venda dos dois automóveis, mais as exportações, a unidade brasileira obteve receita de US$ 9,1 bilhões em 2008. "Os bons resultados são fruto de lançamentos frequentes da empresa, diferentemente da Toyota que tem modelos defasados", diz Olivier Girard, da Trevisan Consultoria.
O lançamento de um automóvel para o mesmo público traz outra vantagem: a manutenção de uma única estratégia e abordagem comercial. "Tanto os consumidores quanto os vendedores estão acostumados a ver carros grandes da Honda nas lojas. Isso faz parte da identidade da marca", diz Corrado Capellano, da Creating Value. Dessa maneira, segundo o analista, fica cada vez mais difícil acreditar que a companhia irá fabricar carros populares no Brasil.
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