FINANÇAS
Nº edição: 642 | 27.JAN.10 - 10:00 | Atualizado em 02.05 - 08:08
Para onde vai o dinheiro do BID
Banco de fomento da América Latina quer aumentar o capital em US$ 100 bilhões, mas empresta pouco para as empresas privadas
Por Denize Bacoccina

Em 2009, chegaram às mãos de José Carlos Miranda, diretorexecutivo do Brasil no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, pedidos de financiamento de US$ 1,5 bilhão para projetos de empresas brasileiras. Poucos foram atendidos. O banco tinha apenas US$ 300 milhões para o setor privado. A "penúria" continua. Os pedidos, também. Mas a agência de desenvolvimento da América Latina, que pleiteia um aumento de capital de US$ 100 bilhões, tem pouco a oferecer. "Tem fila de empresas querendo dinheiro do BID. Este ano, a demanda é novamente por US$ 1,5 bilhão, mas não sei quanto disso poderemos atender", disse Miranda à DINHEIRO. Cinquenta anos depois de sua fundação, este é um sinal de que o BID precisa mudar se quiser promover o desenvolvimento.
Da carteira de US$ 7,6 bilhões do banco no País, somente US$ 1,3 bilhão foi destinado a 21 projetos não governamentais (leia quadro abaixo) - uma migalha. A Gerdau foi uma das poucas agraciadas com empréstimos que, além da vantagem de uma taxa de juros mais branda, cerca de metade da média internacional, servem como alavanca para tomar dinheiro junto aos bancos privados. Numa operação casada com bancos privados, a siderúrgica obteve US$ 200 milhões em 2008 para expandir a usina Arthur Bernardes, em Minas Gerais. Quando se consorciam com os empréstimos do BID, os bancos adquirem o mesmo direito de preferência do organismo em caso de moratória. Por isso, têm que oferecer as mesmas condições de pagamento. Como a presença do BID atrai outros bancos, ela é desejada pelas empresas. "Não queremos competir com a banca privada, mas tornar os projetos mais atraentes", afirma o representante do BID no Brasil, José Luis Lupo.
Os desembolsos para as companhias não são maiores porque estão limitados a 10% dos empréstimos do BID, segundo as regras da instituição. Se cair esse limite, como quer o governo brasileiro, o volume de recursos deve aumentar. Lupo acha que a demanda será aceita pelos outros acionistas do banco, dentre eles países europeus e asiáticos. Eles se reúnem no fim de março para votar o aumento do capital, que seria dobrado. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já deu seu aval para a mudança, que aumentaria a capacidade de empréstimos tanto para o setor público quanto privado. Para manter a participação atual no BID, de 10,7%, o Brasil entraria com US$ 10,7 bilhões.
Curiosamente, nos últimos anos caiu muito a demanda do Planalto junto ao organismo, pois o governo tem outras fontes de recursos. "O setor público federal quer, do BID, projetos com pouco volume de recursos e alto valor de cooperação técnica", diz Miranda. Os maiores interessados têm sido os Estados e municípios, para grandes obras de infraestrutura. O Rodoanel, maior obra viária de São Paulo, recebeu US$ 100 milhões do BID no ano passado e atraiu investidores privados. Também receberam recursos uma usina térmica do Maranhão (US$ 50 milhões) e a térmica de Pecem (US$ 147 milhões), do Ceará. Além dos empréstimos diretamente às empresas, o BID atua em parceria com o BNDES. Os dois bancos lançaram no fim do ano uma linha de crédito conjunta de US$ 6 bilhões, metade de cada instituição, para emprestar a empresas de pequeno e médio porte.

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