NEGÓCIOS
Nº edição: 640 | 13.JAN.10 - 10:00 | Atualizado em 16.01 - 11:26
A fome da Vonpar
Líder na venda de refrigerantes na região Sul com a marca Coca-Cola, empresa entra no segmento de alimentos e agora quer brigar pelo mercado paulista
Por Rosenildo Gomes Ferreira

A trajetória empresarial da família gaúcha Vontobel está ligada aos refrigerantes da marca Coca- Cola. Foi graças a essa parceria que o clã transformou o Grupo Vonpar em uma potência da região Sul. A produção e venda de refrigerantes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina garantem uma receita anual de R$ 1,7 bilhão.
Na terça- feira 5, contudo, a direção da Vonpar deu o primeiro passo para reduzir sua dependência em relação ao setor de bebidas, com a oficialização da criação de uma divisão de alimentos.
A Vonpar Alimentos será composta pelos ativos das conterrâneas Mu-Mu, fabricante de laticínios, Wallerius, de balas e doces, e Neugebauer, de chocolates, adquiridas nos últimos 90 dias.
O valor não foi revelado. Juntas, as três companhias faturam R$ 230 milhões por ano."Temos dinheiro em caixa e estamos atentos às novas oportunidades", afirma Daniel Weiler, nomeado para comandar a Vonpar Alimentos.
A entrada na área de alimentos desata o nó que impedia a expansão nacional do grupo. Pelo contrato com a Coca-Cola do Brasil, a Vonpar ficou limitada ao Sul do País. Com as marcas Neugebauer, Wallerius e Mu-Mu, o grupo fica livre para buscar oportunidades no rico mercado paulista e nos Estados do Nordeste, onde o aumento da renda média fez o consumo explodir. Para enfrentar as gigantes do setor, a Vonpar pretende adotar uma política comercial agressiva.
De acordo com Renato Meirelles, sócio da consultoria Data Popular, o foco dos gaúchos deve ser o espaço entre as marcas regionais e as líderes de segmento. "Os consumidores das classes C e D querem produtos de grife, mas com preços competitivos", diz Meirelles. O projeto de reestruturação dessas companhias prevê a unificação de áreas de TI, marketing, compras e logística. Com isso, Weiler, da Vonpar, espera reduzir os custos fixos e obter ganhos de eficiência entre 10% e 15%.

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