MERCADO DIGITAL

Nº edição: 640 | 13.JAN.10 - 10:00 | Atualizado em 18.08 - 17:39

Google ataca a Apple

Gigante da internet entra na disputa pelo mercado de telefones móveis e bate de frente com o iPhone

Por Roberta Namour

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Passados alguns minutos das 10h do dia 5 de janeiro – 16h do horário de Brasília – o brasileiro Mario Queiroz, vice-presidente de produtos do Google, subiu ao palco do auditório em Mountain View, Califórnia, sob os olhares atentos de uma legião de jornalistas e de executivos. Embora todos já imaginassem o motivo do evento, a expectativa era semelhante à dos surpreendentes lançamentos da Apple. Câmeras digitais a postos. Serviço de captura de vídeo de celulares ativado. Sites narrando cada passo em tempo real. Mas foi preciso aguardar mais de 20 minutos para que a novidade fosse confirmada. Antes, Queiroz fez um longo discurso sobre a importância do universo de telefones móveis para a empresa. Após dez anos na disputa com a Microsoft pelo mercado de buscas e de aplicativos online, o Google entrou oficialmente no segmento de hardware com o lançamento de um smartphone com a sua marca. “Para ajudar os consumidores, juntamos nossos engenheiros e aumentamos o ritmo de inovação”, disse Queiroz. O equipamento Nexus One foi produzido pela taiwanesa HTC e já está à venda no site do Google por US$ 529. O aparelho vai custar US$ 179 para consumidores que optarem por um plano da operadora T-Mobile USA. Ainda não há previsão de quando chegará ao Brasil. O anúncio representa um novo posicionamento da gigante da internet.

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Agora, o Google se torna um concorrente direto da Apple e, indiretamente, uma ameaça para as quase 30 fabricantes de celulares que usam a plataforma Android. Onde estaria o Google querendo chegar com isso?
O interesse pelo mercado de telefones móveis não é algo recente para a empresa. Mas, até então, sua atuação se dava de forma indireta através da plataforma móvel Android. Com pouco mais de um ano de existência, ela está presente em 20 modelos de 59 operadoras em todo o mundo. Segundo a empresa CCS Insight, mais de 50 aparelhos com Android serão lançados em 2010. A chegada de um equipamento com a própria marca é um sinal de que o Google decidiu dispensar intermediários e brigar com as próprias mãos por esse mercado. O alvo direto é a Apple.

Até pouco tempo atrás, o Google e a companhia de Steve Jobs eram fortes aliados. Além de compartilharem a rixa contra a Microsoft, dividiam dois membros de conselho, Eric E. Schmidt, presidente e CEO do Google, e Arthur Levinson, ex-CEO da Genentech. Mas o sucesso do iPhone foi esfriando essa relação. Os celulares inteligentes despontaram como o principal dispositivo de acesso à rede. E, por este motivo, o Google precisa fincar sua bandeira nesta área. “O interesse sinaliza o que a empresa enxerga como as tendências do futuro”, afirma o analista Cid Torquato. Em contrapartida, a Apple adquiriu a Quattro Wireless, uma empresa de publicidade online, área dominada pelo Google.

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Apesar da ameaça iminente à companhia da maçãzinha, o Google é categórico ao afirmar que sua intenção não é fugir de seu modelo de negócios. “Nosso foco não é ter participação de lucros nas vendas do celular, mas ampliar a experiência dos usuários nos serviços do Google”, disse Andy Rubin, responsável pela área de mobilidade da empresa. Segundo o Google, com o Android, usuários consomem 30 vezes mais dados. Mas, ao lançar seu próprio aparelho, inevitavelmente ela atinge também seus parceiros, principalmente a Motorola e a Samsung. “A longo prazo, essas empresas sabem que a popularização da plataforma só contribuirá para o fortalecimento da marca Google”, diz Álvaro Leal, analista da IT Data.

Tudo indica que o Google pode se tornar também uma ameaça para fabricantes de outros mercados. A empresa pode, em breve, desenvolver um netbook próprio para rodar o seu sistema operacional Chrome OS. Aos poucos, ela vai entrando em todos os mercados. Os inimigos crescem na mesma proporção.


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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