ECONOMIA
Nº edição: 640 | 13.JAN.10 - 10:00 | Atualizado em 14.06 - 05:57
Ataque matador
Se a ofensiva na bolsa é indispensável para aumentar seus rendimentos, saiba como chegar ao gol sem medo de tropeçar no caminho
Por Milton Gamez

Você ousaria mexer em time que está ganhando? Pois a Bovespa liderou os mercados de ações de todo o mundo em 2009 e continuará no centro das atenções dos investidores em 2010. Não dá para escapar. Se você pretende obter maiores retornos no longo prazo para driblar a inevitável queda dos juros no Brasil para patamares mais civilizados (a alta da Selic neste ano tende a ser apenas um soluço), terá de correr riscos e escalar o seu time para brilhar nos pregões. A renda variável, seja na compra direta de ações, seja na aplicação em fundos de investimento, é indispensável em qualquer carteira diversificada. Uma pequena parcela na bolsa é capaz de turbinar os rendimentos se a estratégia escolhida for vencedora.
Os números do ano passado ilustram bem esse jogo. O Ibovespa, termômetro das ações mais negociadas no País, havia encolhido 41,22% com a crise econômica global de 2008, mas recuperou com folga o terreno perdido e fechou 2009 em alta de 82,66%. No primeiro pregão de janeiro de 2010, o índicadeice rompeu novamente a barreira dos 70 mil pontos, firme em direção ao recorde anterior, de 73.516 pontos, registrado em maio de 2008 após a elevação do Brasil a grau de investimento pelas agências internacionais de classificação de risco de crédito. Quem acreditou e temperou sua carteira com algumas investidas certeiras na bolsa não se arrependeu.
Essa recuperação surpreendente das cotações deve ser vista sob duas óticas. Primeiro, significa o aumento das apostas no bom desempenho da economia e das empresas brasileiras nos próximos meses, num momento em que os países desenvolvidos ainda patinam para sair do atoleiro da crise. Segundo, quer dizer também que boa parte do sucesso esperado este ano já está contemplada nos preços dos ativos brasileiros. Ou seja, pode haver solavancos nas cotações por conta de realizações de lucros e reações adversas a notícias negativas, principalmente aquelas relacionadas à economia dos Estados Unidos. "Todo mundo olhou o kit Brasil e se posicionou. Boa parte do otimismo já está precificado e o mercado tende a ser mais volátil este ano", diz Jean-Marc Etlin, vice-presidente do Itaú BBA. Segundo ele, o kit Brasil (que inclui apostas em ações, juros e câmbio) é influenciado por três fatores: o mercado doméstico pujante, o fato de o País ser uma fábrica de commodities e os pesados investimentos por conta do pré-sal, da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Será que há espaço para novas altas na bolsa?

Muitos especialistas acreditam que sim. Pelas projeções da Corretora Itaú, divulgadas na quartafeira 6, o Ibovespa pode alcançar 85 mil pontos antes do final do ano. O economista Ricardo Amorim, da Ricam Consultoria, é mais otimista e prevê uma alta de até 100 mil pontos ainda em 2010.
A BlackRock, maior gestora de fundos do mundo, avalia que o mercado de ações no Brasil tem um potencial de alta de 15% a 20% acima da média mundial em 2010. O cenário básico dos otimistas pressupõe o forte crescimento econômico, acima de 5% no ano, e a manutenção dos pilares da estabilidade macroeconômica (inflação controlada, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal) no Brasil nos próximos quatro anos, quando um novo presidente irá sentar-se na cadeira hoje ocupada por Luiz Inácio Lula da Silva. Por outro lado, os cenários pessimistas - ou cautelosos - alertam para os riscos de um ambiente externo com excesso de liquidez artificial, causado pelos estímulos oficiais à atividade econômica. "O otimismo com a economia mundial tem sido turbinado pelos juros extremamente baixos, num ambiente criado para salvar instituições financeiras em dificuldade. Quando isso vai parar? Como? O oba-oba não me convence", afirma Marcos Duarte, sócio da Polo Capital e gestor do fundo Polo fiAções, melhor fundo da categoria ações livre (veja tabela).
é o crescimento mínimo do PIB brasileiro previsto nos cenários otimistas para a economia em 2010, em que o consumo interno deve estimular empresas abertas
5% de alta
Qualquer que seja a sua percepção particular, o fato é que para fazer bons negócios na bolsa este ano será preciso estudar os setores mais promissores e escolher ações de empresas que ainda estejam abaixo de seu valor potencial. A maior parte dos analistas tem indicado ações ligadas aos setores de varejo, consumo e alimentos. Confira as dicas de seis corretoras na reportagem seguinte (Escalação dos Times). "Vale a pena continuar apostando no mercado interno, na inclusão social e no aumento da renda da população da classe C", diz Tharcísio de Souza Santos, chefe de investimentos da Besaf, empresa de gestão de recursos do Banco Espírito Santo. Ele indica os setores de alimentos, varejo, saúde e de empresas aéreas. Agora, é fazer a lição de casa com tranquilidade e mergulhar nos números das companhias antes de investir. Sem exageros e com os pés no chão. Só assim você chegará ao gol sem medo de tropeçar no caminho.
Multimídia
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