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Nº edição: 803 | Estilo | 01.MAR.13 - 21:00 | Atualizado em 15.03 - 17:19

As vinhas de André Esteves

Em lance pessoal, presidente do BTG Pactual compra vinícola italiana Argiano, na Toscana. Um negócio que pode ter chegado a 50 milhões de euros.

Por Fabiano MAZZEI

A rotina do banqueiro carioca André Esteves, do BTG Pactual, inclui duas grandes paixões: fazer negócios e degustar um bom vinho. Na semana passada, ele uniu o útil ao agradável. Adquiriu uma vinícola italiana, na região da Toscana, produtora do Brunello di Montalcino, um dos mais antigos da Itália e o primeiro a receber a certificação DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida). O valor oficial da compra não foi revelado, mas a imprensa italiana publicou um valor em torno de € 50 milhões. Segundo o BTG Pactual, a transação não envolve o banco. Trata-se de um negócio pessoal de Esteves. 

 
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In vino veritas: a tradicional Vinícola Argiano tem 100 hectares, Villa Renascentista
e 337 mil garrafas/ano de bons tintos
 
A Argiano foi fundada em 1580 e estava sob a tutela da condessa Noemi Marone Cinzano desde 1992. A propriedade, de 100 hectares de vinhedos e oliveiras, tem uma autêntica villa renascentista na sede. Ali são produzidos 337 mil garrafas ao ano, dentre elas, 100 mil rótulos Brunello DOCG. Destaque para o Brunello di Montalcino, um clássico da vinícola (R$ 273 a rolha) e o Solengo IGT, um supertoscano com preço no Brasil na casa dos R$ 400. Trata-se de uma casa top no mundo dos vinhos. Segundo Arthur Azevedo, presidente da Associação brasileira de Sommeliers – São Paulo (ABS-SP), suas safras de 2007 e 2006 têm nota 93 na avaliação do crítico americano Robert Parker. 
 
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André Esteves, banqueiro e novo produtor de vinhos da toscana:
negócios e prazer numa só tacada
 
“A Argiano eternizou os Brunellos di Montalcino”, diz Azevedo. Na Itália, a notícia da venda foi mal recebida. Para o jornalista Franco Ziliani, a compra de vinícolas da região por estrangeiros – em dezembro, um bilionário argentino arrematou outra vinícola, a Fattoria dei Barbi, por € 15 milhões – representa uma perda de parte da cultura italiana. Ziliani receia que os novos donos se desfaçam da vinícola tão logo ela dê retorno financeiro. “Ou quando perceberem que o negócio do vinho nem sempre é lucrativo”, disse. A condessa Cinzano já declarou que reinvestirá a fortuna paga por Esteves em suas Bodegas Noemia, na Patagônia argentina. Dali, ela extrai malbecs nota 95 pela revista Wine Spectator.
 
Colaboraram: Hugo Cilo e Suzana Borin
 

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