ECONOMIA

Nº edição: 648 | Economia | 05.MAR.10 - 16:00 | Atualizado em 24.02 - 09:28

O maior comprador da saúde

Ele não é hipocondríaco. Mas vai comprar R$ 1,2 bilhão em remédios. Eis Reinaldo Guimarães, que quer baratear os medicamentos públicos

Por Rodolfo Borges

Médico por formação e professor por mais de 30 anos, Reinaldo Guimarães se transformou no maior comprador de remédios do País, com um orçamento de R$ 1,2 bilhão para gastar até o fim do mês. Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde, ele está à frente de um plano que pretende economizar R$ 250 milhões aos cofres do Sistema Único de Saúde em 2010.
 

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Caneta poderosa: o secretário de Insumos controla o maior orçamento do Ministério da Saúde
 

Ao centralizar a compra de 22 dos 218 medicamentos de alto custo oferecidos pelo SUS, o ministério quer aumentar o poder de barganha do governo junto aos laboratórios. Os primeiros negócios fechados pela pasta neste ano já economizaram R$ 153,7 milhões, o que deve servir para aumentar a lista de remédios fornecidos gratuitamente.

Até o ano passado, os 22 medicamentos destacados pelo governo eram adquiridos diretamente por Estados e municípios, com recursos repassados pelo SUS. “São Paulo compra bem, porque compra muito. Mas a regra não vale para todos”, explica Guimarães.

Compras centralizadas na saúde já geraram ganhos de R$ 153 milhões para o governo

Um levantamento realizado no ano passado dá bem a dimensão das discrepâncias. Em 2008, Rondônia pagou R$ 2.468,74 por cada ampola de Adalimumabe, um medicamento contra artrite. O valor é quase o dobro dos R$ 1.538,49 pagos pelo estado de Goiás. Com a centralização federal, o preço caiu para R$ 1.550,00, o que significou a economia de R$ 18,5 milhões na compra de 154,5 mil ampolas. Uma economia parecida, de R$ 22,8 milhões, foi obtida na compra de outro fármaco contra artrite, o Infliximabe.

Os números comprovam a eficiência da estratégia, mas a centralização também embute riscos. No passado, as compras foram descentralizadas justamente depois de escândalos de mau uso de recursos públicos. No governo Fernando Collor de Mello, a Central de Medicamentos foi extinta depois da descoberta de um esquema de corrupção envolvendo Paulo César Farias.

Em 2004, a Operação Vampiro, deflagrada pela Polícia Federal, revelou um esquema de superfaturamento na compra de remédios que vigorou desde 1992 e custou R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Mas Reinaldo afirma que hoje os controles são maiores. Além disso, diz que o governo também está investindo na produção de medicamentos que hoje são importados.

Com laboratórios oficiais, a meta é reduzir o déficit comercial da área para US$ 4,4 bilhões até 2013 – em 2009, ele ficou em US$ 7,1 bilhões. Os reflexos já podem ser sentidos nas compras de insulina humana. Neste ano, com a produção em território brasileiro, o governo pagou o menor preço do mercado mundial pelo produto.  “É só o começo”, diz Guimarães.

 


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • tamires epifanio

    em 24/02/2012 09:28:38

    reinaldo guimaraes apos de tornar secretario da ciencia , tecnologia e insumos do ministerio da saude, quais foram as suas vantagens obrtida? aguardo resposta no e-mail.

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