MERCADO DIGITAL
Nº edição: 648 | Mercado Digital | 05.MAR - 16:00 | Atualizado em 19.04 - 16:46
Uma sombra sobre a Net
A maior companhia de tevê por assinatura do Brasil vive um momento excepcional, mas a entrada das teles em seu setor indica nuvens no horizonte
Por Ralphe Manzoni Jr.
No final de dezembro de 2009, o presidente da NET Serviços, José Antonio Felix, resolveu colocar a mão na massa. Literalmente. A empresa de tevê por assinatura havia acabado de atingir a marca de dez milhões de serviços vendidos. Felix, gaúcho de Arroio Grande, é engenheiro eletrônico e já subiu em vários postes no começo de sua carreira.

"Eles terão dificuldade para competir neste mercado. Precisarão fazer igual ou melhor que a NET" José Antonio Felix presidente da Net Serviços
Agora, no cargo máximo da empresa, foi comemorar o marco fazendo a instalação de pacotes comprados pelos clientes. Na primeira casa, o trabalho foi moleza. Uma hora e meia depois, o serviço havia sido concluído. “Quando entrei na segunda, o técnico estava confiante e disse que seria barbada”, conta o executivo, com forte sotaque do Sul do Brasil.
Mas os dutos estavam entupidos. Os móveis precisavam ser arrastados. E mais técnicos foram chamados. “Quase ficamos para o jantar.” A história ilustra as dificuldades que podem ofuscar a trajetória da companhia daqui para a frente. Líder no mercado de tevê por assinatura, ela é também a empresa que mais cresceu em banda larga fixa nos últimos dois anos.
Seu balanço mostra uma coleção de números vistosos. Mas o cenário que se desenha, a partir de 2010, é um avanço das companhias de telefonia neste setor, jogando uma imensa sombra sobre a NET. A Telefônica e a Oi, que já têm operações, prometem ser mais agressivas. E a francesa Vivendi, que comprou a GVT, anunciou, na semana passada, que terá operação de tevê paga no Brasil a partir deste ano. “Eles vão ter dificuldade para competir neste mercado”, desafia Felix. “Precisarão fazer igual ou melhor que a NET.”
E, quando se observa o balanço de 2009 da NET, os outros concorrentes também não terão vida fácil. A base de clientes de tevê por assinatura cresceu 20%, atingindo 3,7 milhões de assinantes em 2009. A expansão foi acima da média do mercado. Em banda larga, a companhia ganhou 664 mil novos consumidores, o que significou um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
A crise da Telefônica, que ficou dois meses sem vender o seu serviço Speedy, contribuiu para esse resultado. Em telefonia fixa, cujo produto, o NET Phone, é uma parceria com a Embratel, o salto foi ainda maior: 42%. Com um desempenho assim, o lucro líquido disparou de R$ 20 milhões, em 2008, para R$ 736 milhões, mais de 3.000%. O resultado não deveria deixar nenhuma dúvida sobre o futuro da NET, empresa que tem o bilionário mexicano Carlos Slim, dono da operadora de telefonia Telmex, e a Globo, como sócios. Mas há nuvens no horizonte.
Uma das ameaças responde pelo nome de “marco regulatório da tevê a cabo”. Um projeto de lei que está na Câmara desde 2007 abre o mercado para as empresas de telefonia. Hoje, elas já atuam no setor, mas por meio de satélite ou por tecnologia sem fio. O PL 29, como é conhecido o polêmico projeto, está em fase final de aprovação. Mas o ano eleitoral pode prejudicar o andamento do texto no Congresso.

Jean-Bernard Lévy: Vivendi, que comprou a GVT, promete lançar pacote de tevê paga ainda em 2010
“Dessa forma, o setor de tevê por assinatura pode ganhar mais um ano para se preparar para a competição mais agressiva do setor de telecomunicações”, diz um texto da corretora do Banco Fator sobre o segmento de tevê paga. Muitos analistas consultados por DINHEIRO consideram difícil o PL 29 ser aprovado ainda em 2010. Isso, no entanto, não significa uma trégua das teles.
“Nossas prioridades para a GVT neste ano são lançar novos produtos e expandir o alcance da rede”, declarou o presidente do grupo Vivendi, Jean-Bernard Lévy, em uma entrevista à imprensa, em Paris. "No que concerne a novos produtos, lançaremos o pacote de tevê por assinatura da GVT, baseado em canais locais.

” A Telefônica, que já tem quase 500 mil assinantes, diz que adotará também uma postura mais agressiva. “Vamos atuar na base do Speedy para oferecer tevê por assinatura”, disse à DINHEIRO Fábio Bruggioni, diretor-executivo da empresa. No ano passado, o número de clientes ficou estável. Em 2010, a meta é crescer dois dígitos.
Em banda larga, os investimentos da Telefônica são estimados em R$ 770 milhões, o mesmo patamar do ano passado. “A NET foi o maior competidor das empresas de telefonia nos últimos anos”, afirma Júlio Puschel, analista da consultoria Informa Telecom e Mídia. “Agora, as operadoras querem entrar no mercado de tevê por assinatura como uma reação a ela.”
Mas a NET não está só nesta briga. Ela tem ao seu lado a Embratel e a Claro, duas empresas controladas por Slim. Com a primeira, a relação de sinergia é forte. Com a Claro, as conversas para um acordo duram três anos. “Eu quero ter um Claro via Net”, diz Felix, em uma referência à parceria com a Embratel. Com forte presença nas classes A e B, a operadora mira agora a classe C.
Há dois anos, lançou o plano NET Fone.com, que por R$ 39,90 oferece telefone, banda larga e tevê por assinatura com os canais abertos. A companhia também foi a primeira a aderir ao plano de internet rápida popular em São Paulo, que vende pacotes por R$ 29,90. Durante o Carnaval, exibiu os desfiles em 3D.
Foi mais uma demonstração de que está pronta para a tecnologia, ainda que não existam televisores para este tipo de transmissão no Brasil. O número de assinantes de canais de alta definição chegou a 989 mil, uma penetração de 27% sobre os clientes de tevê por assinatura da empresa. “Temos um portfólio de A a Z e para todas as classes sociais”, afirma Felix. “Isso ninguém tem”, desafia, tentando levar as sombras para bem longe da NET.
Multimídia
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Marcelo
em 19/04/2010 16:46:58
Esses comentarios só pode ser de funcionarios das concorrentes que sofrem com dor de cotovelo,ou até mesmo moram em areas onde a NET não atende,não existe a menor duvida a NET é a melhor empresa de TV e INTERNET do Brasil, o resto é resto.
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ROALD AMÚNDSEN
em 16/04/2010 11:39:51
A NET não é tudo isto que a matéria fala. Sou assinante da TVA / TELEFÔNICA e embora não sejam os maiores o serviço é bem melhor. Como ex-assinante da NET já tive muitos problemas com a operadora. Com relação à concorrência que vem por aí isto é ótimo para nós pobres assinantes!
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Marcelo
em 06/04/2010 23:38:03
A istoé deveria ouvir os comentários dos leitores ao fazer uma matéria. Como prestadora de serviços de banda larga, a Net é péssima, cobra errado, cobra a mais, mente, deixa a conexão cair contantemente, ´´e um lixo, e ainda não temos competição, só um doupólio, comandando a Anatel, cheia de petista
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Daniel Bertini
em 25/03/2010 20:58:06
Já tive muitos problemas com a Net, acredito que esteja tomando o mesmo rumo da Telefônica. Descaso com o cliente e serviço ruim.
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Evandro
em 13/03/2010 21:44:09
Esse Felix só pode estar de brincadeira né? A NET fica mais tempo fora de serviço que celular em subsolo e o cara tem coragem de falar isso? é um comediante mesmo. Se segura meu caro que a Vivendi vai mostrar como é que se faz TV por assinatura aqui no Brasil
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Allan Souza
em 11/03/2010 17:33:56
Finalmente o mercado irá se abrir para televisão por assinatura, e com certeza o mercado irá ditar os preços. Chega de monopólios ou duopólios vamos abrir os olhos para isso. Isso ocorre no mercado aéreo com TAM e GOL temos que permitir um livre mercado sem os lobby's das grandes empresas. Vamos lá.
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Alexandre
em 11/03/2010 15:39:47
So agrego ao comentario do Mauro: Cuidado com a concorrencia NET. Pelas palavras do sábio presidente não vai ser dificil outras empresas atuarem nesse mercado, pois para fazer igual ou melhor que a NET não será preciso nenhum esforço pois o atendimento é pessimo e os preços do serviços exorbitantes.
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Mauro
em 09/03/2010 20:46:59
A NET não privilegia clientes fiéis: a NET faz promoções para ganhar novos clientes, mas esquece dos que já pagam os serviços há mais de anos. Não há nenhuma promoção, nenhum programa de descontos para bons clientes antigos. Cuidado com a concorrência, NET.
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