ECONOMIA
Nº edição: 648 | Economia | 05.MAR.10 - 16:00 | Atualizado em 31.03 - 13:48
Um café com leite bem amargo
O governador Aécio Neves diz não a José Serra e revela que as feridas históricas entre São Paulo e Minas ainda não foram cicatrizadas
Por Leonardo Attuch
A história costuma se repetir. Primeiro, na forma de tragédia. Depois, como farsa. O teorema, elaborado por Karl Marx, jamais foi comprovado. Mas as coincidências entre o Brasil de hoje e o de 70 anos atrás são intrigantes. Em 1929, o mundo viveu sua maior crise econômica, a Grande Depressão. Em 2009, ela quase se repetiu. Em 1930, um estranhamento entre mineiros e paulistas deu fim à política do café com leite – à época São Paulo tentou impor a candidatura presidencial de um paulista, Júlio Prestes, quando seria a vez dos mineiros.

Juntos, porém distantes: se os tucanos perderem em 2010, uns dirão que a culpa foi da arrogância paulista. Outros, da traição mineira
Na semana passada, os governadores de Minas e de São Paulo, Aécio Neves e José Serra, também se bicaram. Lá atrás, a consequência da ruptura foi a Revolução de 1930. Júlio Prestes ganhou a eleição – foi o último paulista a vencer uma disputa nacional – mas não tomou posse. Quem chegou ao poder, pela força das armas e com apoio dos mineiros, foi o gaúcho Getúlio Vargas.
Hoje, a candidata do governo Lula, herdeiro do getulismo, é a ministra Dilma Rousseff, uma mineira que fez carreira política no Rio Grande do Sul. Coincidências à parte, o fato é que, na semana passada, as feridas de 1930 pareciam não ter cicatrizado. Na quinta-feira 4, quando Aécio Neves discursou em Belo Horizonte, ao inaugurar a nova sede do governo mineiro, ouviram-se ecos do passado. “Minas é minha causa, minha casa, meu chão. Minas é minha pátria”, disse o governador, sob gritos de “Aécio presidente”. Ao lado dele, estava José Serra, que tornou pública sua disposição de ser o candidato do PSDB e que assistiu a tudo constrangido. Em vez do apoio de Aécio, recebeu a indiferença.
Na véspera do discurso de Aécio, já era possível antever o que ocorreria. Num editorial chamado “Minas a reboque, não”, o jornal Estado de Minas argumentava que Aécio teria de resistir às pressões paulistas para que assumisse uma função subalterna na sucessão – e que se Aécio era realmente tão importante para a vitória, que fosse o candidato.
Em Minas, os intelectuais têm ojeriza à bandeira de São Paulo, cujo lema diz non ducor duco – não sou conduzido, conduzo. Curiosamente, a bandeira foi desenhada por um mineiro, chamado Júlio Ribeiro. Também não se aceita com facilidade o fato que o Estado, que tem o segundo colégio eleitoral do País, só tenha produzido vices nos últimos anos – saíram de Minas os de Castelo Branco, Costa e Silva, João Figueiredo, Fernando Collor (Itamar Franco, o único que chegou ao poder) e do próprio Lula.
No discurso em que negou apoio a Serra, Aécio também não se colocou como alternativa. “Minha vez passou”, disse ele. “Aécio não soube enxergar além das montanhas”, disse à DINHEIRO o historiador Marco Antônio Villa, especialista na Revolução de 1930 e professor da Universidade de São Carlos. “O futuro político dele também dependeria do sucesso do Serra.”
Com o distanciamento entre os governadores, enfraquece-se a candidatura do PSDB. E se Serra vier a ser derrotado por Dilma, no futuro haverá historiadores discutindo se a culpa deverá ser debitada à arrogância dos paulistas ou à traição dos mineiros. Assim como em 1930.
Multimídia
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Rui Ventura
em 31/03/2010 13:48:25
Enquanto no Brasil, toda e qualquer discórdi pessoal Bairrista ou se que teor for, se sobrepuser aos interesses da NAÇÃO BRASIL, nunca vamos ter um País com a administração que merecemos. Isto nós devemos por votar em politicosinhos desonestos e mesquinhos como o caso do Moleque do Aécio. O Serra...
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