Edição nº 1032 18.08 Ver ediçõs anteriores

Exportação cresce, mas calçadistas mantêm um pé atrás

Exportação cresce, mas calçadistas mantêm um pé atrás

Heitor Klein é presidente da Abicalçados

Os primeiros cinco meses de 2017 saíram melhor do que a encomenda para as exportações da indústria brasileira de calçados. Segundo a Abicalçados, que reúne os fabricantes do setor, entre janeiro e junho foram embarcados 49 milhões de pares, que renderam  US$ 441,4 milhões, um crescimento de 20% sobre igual período do ano passado. Em volume. o avanço foi mais discreto: apenas 1,1%  superior ao registrado em 2016.

Desse total, US$ 103 milhões foram obtidos em maio, um aumento de receitas de 44% em relação ao mesmo mês de 2016. Em volume, os 9,5 milhões de pares exportados representam um avanço de 13,6 %.

No entanto, embora à primeira vista os números sejam alentadores, a indústria vê com cautela a possibilidade de que o ritmo de crescimento continue daqui para a frente. “Os dados surpreendem positivamente por ainda serem reflexos de negociações realizadas no final do ano passado, com um câmbio favorável para formação de um preço mais competitivo”, diz Heitor Klein, presidente executivo da Abicalçados, que destaca a discrepância entre o aumento em dólares das receitas e o volume exportado. “Isso aponta para um crescimento importante no preço médio do nosso calçado, ocasionado pela desvalorização do dólar, o que, evidentemente, não é salutar para os negócios internacionais.”

Segundo ele, com a valorização do real perante o dólar, o preço médio do calçado brasileiro no exterior aumentou mais de US$ 2, entre maio do ano passado e o deste ano, passando de US$ 8,57 para US$ 10,86. Klein acredita que, com o produto nacional devido à defasagem cambial, acoplada  à crise política, é provável que os ganhos dos exportadores do setor arrefeçam. “A instabilidade prejudica as negociações, trazendo insegurança tanto para o exportador quanto para o importador”, diz. Na hipótese mais realista, o setor igualaria os US$ 999 milhões  exportados no ano passado.

Na otimista, ocorreria um leve crescimento de 6%, batendo na casa de US 1,060 bilhão. Para ele, uma possibilidade de mudar para melhor esse cenário reside num eventual  desempenho extraordinário dos negócios da Francal, a maior feira de calçados da América Latina, prevista para o mês de julho, em São Paulo.

Nas previsões da Abicalçados, a estabilidade no front externo deverá se reproduzir no comportamento neste ano da indústria calçadista, um dos poucos setores a exibir um crescimento no quadro de pessoal – em maio, estavam empregados 306 mil funcionários, 20 mil acima do contingente de dezembro de 2016. Somada às vendas das exportações, o setor deverá fechar o ano com uma produção entre 950 milhões e  965 milhões de pares (contra 954 milhões, em 2016) e receitas que devem variar entre R$ 21,36 bilhões e R$ 21 bilhões, superiores aos R$ 20,8 bilhões do ano passado.


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