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A chave para os índices

Os ETFs, fundos que reproduzem carteiras de ações americanas e brasileiras, ganham força na B3

Crédito: Arte: Evandro Rodrigues
Maria Paula, da Luz: “Com a volta dos investimentos estrangeiros, os ETFs tendem a crescer”
Maria Paula, da Luz: “Com a volta dos investimentos estrangeiros, os ETFs tendem a crescer”

Imagine poder investir em ações de empresas como Apple, Google, Facebook e Coca-Cola, e outras dentre as 500 maiores empresas listadas em bolsas americanas. Empresas que, juntas, ultrapassam US$ 20 trilhões em valor de mercado. E imagine poder fazer isso estando no Brasil, sem ter de gastar nem o inglês, nem os dólares. Esses papéis estão disponíveis ao investidor brasileiro, em reais, por meio de fundos cujas cotas são negociadas em bolsa, os chamados Exchange Traded Funds (ETFS). Os ETFS vêm sendo oferecidos por bancos como Caixa, Banco do Brasil e Itaú Unibanco, e também por gestoras estrangeiras, como a americana BlackRock.

Em geral, eles reproduzem carteiras como a do Índice Bovespa ou a do americano S&P 500. As cotas desses fundos são vendidas ao investidor, via corretoras, pela B3 (antiga BM&FBovespa). Agora, a queda dos juros aqui no Brasil e o aumento da liquidez vêm tornando os ETFs uma alternativa mais procurada pelos investidores. Os preços mostram isso. Na média, o patrimônio líquido dos ETFs subiu 7,3% em março e atingiu R$ 4,4 bilhões, o que significa um avanço de R$ 300 milhões no primeiro trimestre.

Sérgio Bini, superintendente nacional de ativos de terceiros da Caixa, avalia que a aceleração da redução da taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central (BC), impulsionou a busca por alternativas à renda fixa. Nicolas Gomez, executivo da BlackRock para América Latina e Ibéria, sediado em Nova York, afirma que cinco de seus fundos receberam US$ 110 milhões em novos recursos até o início de abril. O mais negociado, o BOVA11, que reproduz a composição da carteira do Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, recebeu 92% desse dinheiro novo. Mais recentemente, fintechs como Vérios, Warren e Magnetis, que usam algoritmos para a alocação de investimentos, passaram a oferecer fundos ETFs aos seus clientes.

Gomez, da Blackrock: “Nosso maior fundo ETF movimenta R$ 180 milhões por dia na B3”
Gomez, da Blackrock: “Nosso maior fundo ETF movimenta R$ 180 milhões por dia na B3”

Além de abrir o leque aos brasileiros, com a possibilidade de aplicações em ações americanas, os ETFS despertam interesse dos investidores em períodos de volatilidade acentuada. Já para o estrangeiro, a melhoria da percepção de risco país costuma impulsionar a bolsa, e também turbina os ETFs. “Soma-se a isso, a possibilidade de diversificação de investimentos”, diz Gomez. Outra vantagem é a liquidez, diz Maria Paula Cicogna, diretora de previdência da empresa de consultoria Luz Soluções Financeiras. De acordo com Gomez, o BOVA11, que é o maior ETF no Brasil, negocia, em média, R$ 180 milhões ao dia na B3 (veja os quadros ao final da reportagem).

Juros menores cortam as gorduras do mercado, e pequenas economias começam a fazer diferença. Nesse aspecto, os ETFs costumam ser mais baratos que fundos de ações disponíveis para investidores com pouco dinheiro, especialmente quando se olha para o longo prazo. “Trata-se de um ativo comercializado na bolsa de valores, e com taxas de administração bem menores, em comparação aos fundos de ações, por exemplo”, explica Cicogna. No Brasil, as taxas anuais cobradas pelos fundos ETFs variam entre 0,20% e 0,69. Já os fundos de renda variável cobram, em média, 2%, e mais a taxa de performance de 20% do que exceder a referência, como o CDI, ao ano.

Para Cicogna, a taxa menor, em parte, deve-se ao fato de os gestores desses fundos alugarem ações. “Com o retorno dos investidores estrangeiros, em 2016, a tendência é de que os recursos destinados aos ETFS aumentem”, afirma ela.
Apesar das vantagens, vale lembrar que o investimento oferece riscos. Até porque o desempenho desses fundos está diretamente atrelado à variação e às expectativas das empresas e das ações. Com o avanço das reformas política e da Previdência, e a melhora da economia brasileira, o cenário é promissor. Bini, da Caixa, prevê que o Ibovespa, que hoje ronda os 63 mil pontos, encerre o ano em 72 mil pontos.

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