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Triste fim do Yahoo!

Companhia passará a ser chamar Altaba depois de a venda de seus ativos de internet para a Verizon for concluída 

Triste fim do Yahoo!

Marissa Mayer foi contratada para salvar o Yahoo em 2012. Mas nada deu certo (foto: ROBERT GALBRAITH)

O Yahoo! já chegou a ser uma das empresas mais poderosas da internet. Fundada pelos americanos David Filo e Jerry Yang, em 1994, a companhia praticamente criou o mercado de buscas a partir de um diretório que reunia os principais sites da web.

Com o passar do tempo, o Yahoo! cresceu, diversificou seus negócios e perdeu completamente o passo da inovação, sendo superado por Google e Facebook, duas empresas que havia tentado comprar no passado.

Não chega a ser surpresa que um dos primeiros símbolos da internet lute para sobreviver em janeiro de 2017, quando anunciou a mudança de nome para Altaba – a alteração acontecerá caso seja concluída a venda de parte de seus ativos para a Verizon.

O Yahoo! chegou a essa situação por uma sucessão de erros estratégicos de seus gestores. Nos anos 2000, tentou se transformar em uma empresa de mídia e perdeu o foco das buscas, sendo superado pelo Google.

Em 2008, recusou uma oferta de compra de US$ 45 bilhões feita pela Microsoft. Na época, já eram claros os sinais de decadência. Mas Yang, que havia voltado a atuar no dia-a-dia do portal de internet, acreditava que poderia fazer a companhia voltar aos bons tempos.

Uma das últimas tacadas para voltar a brilhar foi a contratação de Marissa Mayer, uma executiva que tinha feito carreira brilhante no Google, onde havia sido uma das primeiras funcionárias.

Em sua gestão, Marissa gastou US$ 2 bilhões na compra de mais de 50 startups. A aquisição mais relevante foi o Tumblr, no qual pagou US$ 1 bilhão. A estratégia era focar em mobilidade e vídeo. Mas nada deu certo.

Com o tempo, ficou claro que não haveria como o Yahoo! caminhar com as próprias pernas. Em julho do ano passado, a empresa de telefonia Verizon, que é dona do portal AOL, outro símbolo da internet, anunciou a compra dos ativos de internet e de publicidade do Yahoo!, em um negócio de US$ 4,8 bilhões.

A transação ainda corre o risco de não acontecer depois que uma série de vazamentos de dados de e-mails, que superaram a casa de um bilhão de mensagens, colocarem a já abalada credibilidade da companhia no chão. Marissa, que chegou para salvar o Yahoo, deixará a companhia.

A Altaba será uma companhia sem funcionários que administrará os ativos mais valiosos do antigo Yahoo: a fatia de 15% que detém no portal de comércio eletrônico chinês Alibaba e os 35% da qual é dono no Yahoo Japão.

A consultoria Evercore ISI estima que do atual valor de mercado do Yahoo, de US$ 39,4 bilhões, 61% estão relacionados ao Alibaba e 13% ao Yahoo Japão. Em resumo, os ex-reis da internet ainda tem ativos que valem quase US$ 30 bilhões.

Não é pouco dinheiro – é muito mais do que vale a maioria das empresas brasileiras cotadas em bolsa de valores. Mas mesmo assim não deixa de ser um triste fim para uma companhia que liderou a primeira fase da internet e não soube se reinventar para se adaptar aos novos tempos.


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