Edição nº 1019 19.05 Ver ediçõs anteriores

Por que Facebook e Google dominam os aplicativos de seu celular

As duas gigantes de internet contam com apps entre os dez mais usados dos Estados Unidos em 2016 

Por que Facebook e Google dominam os aplicativos de seu celular

Mark Zuckerberg (à esq), do Facebook, e Larry Page, do Google: domínio na tela de seu smartphone

Uma pesquisa da Nielsen mostrou a força de Facebook e Google no mundo móvel. Em 2016, as duas gigantes de internet tiveram oito aplicativos entre os dez mais usados dos Estados Unidos.

O Facebook ficou com os dois primeiros lugares – Facebook e Facebook Messenger. Em seguida, pela ordem, vieram os apps do Google: YouTube, Google Maps, Google Search, Google Play e Gmail.

O oitavo aplicativo foi o Instagram, do Facebook. Fecham a lista dos dez mais populares o Apple Music, da Apple, e o Amazon APP, da varejista online Amazon.

De forma resumida, Facebook, Google, Apple e Amazon são os donos do mercado da mobilidade, a grande tendência do setor de tecnologia.

Não chega a ser uma surpresa a liderança de Google e Facebook no mundo dos smartphones. Mas também não deixa de ser uma ameaça à medida que ambos têm força para ditar as regras e os padrões do mercado.

Quando abriu o capital, em maio de 2012, os analistas colocavam muitas dúvidas na capacidade da rede social fundada por Mark Zuckerberg de ganhar terreno na tela dos celulares.

Tanto que após o IPO, no qual captou US$ 16 bilhões, o sétimo maior da história até então, as ações da rede social despencaram por conta da desconfiança de a empresa fazer a guinada para os smartphones.

Quase cinco anos depois ficou claro que Zuckerberg conseguiu fazer essa transição. Em 2015, as receitas com publicidade em smartphones representaram 77% da receita de US$ 17,9 bilhões contra 64% de US$ 12,4 bilhões em 2014.

No terceiro trimestre de 2016, o mais recente do Facebook, a rede social contabilizava 1,6 bilhão de usuários únicos mensais por meio de celulares. No mesmo período do ano anterior, eram 1,3 bilhão.

O Google também apresenta resultados sólidos na área de mobilidade. A consultoria de pesquisa eMarketer estima que 60% das receitas com publicidade do Google vão vir da área móvel neste ano – no ano passado, foi 46%.

A companhia de Mountain View detém uma fatia maior do mercado móvel em comparação ao Facebook – 32% contra 19%. Mas analistas acreditam que a empresa liderada por Larry Page não deverá crescer na mesma velocidade do Facebook nos próximos anos.

Esse avanço na área de mobilidade, no entanto, não aconteceu de forma orgânica. Tanto Facebook, como Google, saíram às compras, o que ajudou a consolidar o domínio na tela pequena dos smartphones.

O YouTube, por exemplo, foi comprado pelo Google em 2016. O Google Maps tem origem em uma empresa adquirida em 2004. O Facebook Messenger, hoje o segundo aplicativo mais usado nos Estados Unidos, surgiu da compra da Beluga, em 2011. O Instagram foi parar nas mãos de Zuckerberg, em 2012.

Mas não há como negar: as duas gigantes do Vale do Silício conseguiram virar essa curva do rio por méritos próprios. No Facebook, contam ex-funcionários, Zuckerberg não quer nenhum produto sem que seja pensado primeiro para os smartphones.

Mas uma pergunta se faz necessária: o amplo domínio de Google e Facebook no ambiente móvel é bom para a competição? Uma reportagem da revista britânica The Economist chamou Google e Facebook de grandes estrelas corporativas, mas com grandes problemas. Ambas desenvolvem produtos brilhantes para os consumidores e proveem uma estimativa de US$ 280 bilhões em serviços gratuitos – desde busca a outros produtos. Ao mesmo tempo, ambas esmagam a competição e estão usando suas estratégias mais “escuras” para se manter na liderança.

Hoje, Google e Facebook dominam a internet e inovam quase todos os dias. Mas será que isso é bom para os consumidores? Será que a inovação desses dois gigantes não impede o nascimento de novas startups?

Não são questões fáceis de serem resolvidas. O risco é não enfrentar essas duas empresas gigantes e sucumbir aos seus domínios.


Mais posts

Empresas brasileiras perdem R$ 219 bilhões em valor de mercado

As empresas cotadas na B3 perderam R$ 219 bilhões em valor de mercado nesta quarta-feira 18, segundo um levantamento feito pela [...]

Por que São Paulo deixou o ranking das melhores cidades para criar uma startup

A crise econômica e política, que se desenrola desde o fim 2014, fez mais uma vítima. São Paulo, que já foi uma das 20 melhores cidades [...]

IPO da Netshoes mostra que Brasil está longe de gerar seu primeiro unicórnio

A abertura de capital da varejista online de artigos esportivos Netshoes na Bolsa de Nova York (Nyse) é um marco para as startups [...]

Positivo segue Apple e muda nome

Quando lançou o iPhone, em 2007, a Apple resolveu tirar a palavra Computer de seu nome. Optou por acrescentar apenas Inc. Afinal, a [...]

Tesla transforma-se na fabricante de carros mais valiosa dos EUA

O centro do mercado automobilístico americano mudou-se de Detroit, conhecida como “Motor City”, para o Vale do Silício, na Califórnia. [...]
Ver mais