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Ninguém mais quer sedãs médios. Só o Corolla se salva

Enquanto o mercado desiste dos tradicionais carros de três volumes, o modelo da Toyota aposta na linha tradicional e aparece como um caso raro de boas vendas atualmente

Ninguém mais quer sedãs médios. Só o Corolla se salva

Toyota Corolla no Salão de São Paulo: aposta na fórmula tradicional para continuar sendo um dos poucos sedãs ainda procurados (foto: Divulgação)

Nos últimos três anos muita coisa mudou no mercado de automóveis. E a queda de vendas dos sedãs médios é uma das mais significativas. Ao contrário dos SUVs e crossovers, que vêm se mantendo estável na casa de 243 mil a 246 mil de 2014 a 2016, a procura por sedãs vem despencando. Caiu de 188 mil para 157 mil no ano passado e este ano emplacou apenas 119 mil unidades de janeiro a outubro.

Para quem não sabe, sedã é uma carroceria de três volumes, com porta-malas saliente. Mundialmente, os carros mais famosos dessa categoria são o Mercedes Classe C, o BMW Série 3, o Toyota Corolla e o Honda Civic – para citar apenas três modelos de porte médio. Por sua configuração, são carros indicados para uma família média, para executivos ou para táxi.

Desses, só os japoneses Corolla e Civic têm grande mercado no Brasil, pois os sedãs alemães são muitos caros para a média de renda da população tupiniquim. E o que aconteceu em dois anos foi espantoso: o Corolla é o único sedã médio entre os 28 automóveis de passeio mais vendidos do Brasil.

Com 53,7 mil emplacamentos de janeiro a outubro, o Corolla ocupa a quarta posição no ranking geral, enquanto o Civic está em 29º lugar (15,4 mil vendas) e o Chevrolet Cruze aparece em 37º (9,1 mil vendas). O quarto sedã médio mais bem colocado é o Jetta (7,2 mil vendas em 42º lugar), que a Volkswagen desistiu de continuar fabricando no Brasil. Poucos meses depois de iniciar sua produção no Paraná, decidiu apenas importá-lo do México.

Para além disso, chama a atenção o desempenho mercadológico do Toyota Corolla em sua própria categoria. Ele é dono de 45% do bolo e já acumulou mais vendas este ano que seus oito mais próximos seguidores. Mais: em outubro, ele vendeu sozinho mais do que a soma de 18 sedãs médios.

Como explicar isso? Há apenas dois anos, nessa altura do ano, o Corolla era o 12º colocado (49,6 mil emplacamentos) e o Civic aparecia em seus calcanhares, no 15º lugar (44,5 mil). No ano passado, já com a atual geração à venda, o Corolla subiu para 10º lugar (55,2 mil licenciamentos) e o Civic caiu para o 22º posto (27,4 mil).

Agora, com a chegada dos novos Honda Civic e Chevrolet Cruze, esperava-se que o panorama fosse mudar. Mas não vai. O Corolla mantém-se firme na liderança. Nas vendas de varejo, para o consumidor comum que vai às concessionárias, o Toyota é atualmente o sexto carro mais procurado (perde apenas para Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Honda HR-V, Ford Ka e Chevrolet Prisma).

A presença do HR-V mostra que a Honda mudou o foco. Ao invés de insistir na briga dos sedãs, ele decidiu apostar no segmento de SUVs/crossovers. Afinal, a procura por sedãs caiu de 9,1% para 7,1% em um ano, enquanto a de SUVs/crossovers subiu de 14,4% para 18,0%. Enquanto os consumidores migram dos sedãs médios (e de outras categorias) para os utilitários esportivos, o Corolla vai se tornando cada vez mais imbatível em seu quadrado.

As vendas diretas (para taxistas, prefeituras, governos etc.) também revela a força do Corolla. Ele ocupa o sétimo lugar, enquanto os demais sedãs médios aparecem em 32º (Renault Fluence), 35º (Jetta) e 40º (Cruze). A Toyota já disse que não seguirá a linha da Honda, que fez um design bastante arrojado para o Civic, que praticamente se transformou num sedã-cupê, pois o terceiro volume quase desapareceu em sua silhueta.

O Toyota Corolla seguirá sendo o carro ideal para os consumidores mais tradicionais e conservadores, feliz da vida com uma liderança que parece ser inabalável a médio prazo. Ou até quando restarem consumidores para a boa e velha carroceria de três volumes.


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