Edição nº1007 24.02 Ver edições anteriores

Diversidade para crescer

Diversidade para crescer

Luiza Helena Trajano vê com simpatia a criação de cotas raciais transitórias para as empresas

Uma das empresárias brasileiras mais influentes do mundo dos negócios, Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, foi a principal atração do 3º Fórum São Paulo Diverso, realizado na quarta feira (9), no Anhembi, na capital paulista. Iniciativa da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial, o encontro discutiu temas como legislação e ações afirmativas patrocinadas pelas empresas para a integração da população afrodescendente no mercado de trabalho, na cidade de São Paulo.

Segundo Luiza Helena, o Magazine, um dos pioneiros na incorporação de deficientes físicos em sua folha de pagamento, iniciou há um ano um programa voltado para a inclusão de funcionários negros. “Uma empresa em que as mulheres representam mais de 50% de seus 20 mil funcionários, não pode ficar alheia à discriminação de qualquer tipo, especialmente à racial”, afirmou. Para ela, uma empresa só tem a ganhar ao reproduzir em seus quadros a diversidade existente na sociedade. “Os ganhos não são apenas financeiros, mas a diversidade permite que vejamos o mundo com outros olhos, melhorando o clima interno”, afirmou. 

Uma dos primeiros passos nesse sentido, foi a discussão do tema da inclusão racial com os 1.200 gestores de primeira linha da rede, enfatizando a necessidade de assumir na prática a integração de trabalhadores negros. De acordo com ela, os resultados apareceram rapidamente. Numa das lojas de Campinas, no interior de São Paulo, administrada por um gerente negro, a seção de produtos eletrônicos pesados (geladeiras, freezers etc), que responde por 70% das vendas, é toda composta por afrodescendentes. “É uma das unidades mais bem sucedidas da companhia”, afirmou Luiza, que firmou um acordo com a Universidade Zumbi dos Palmares, que encaminhará ao Magazine currículos de seus alunos mais promissores para eventual contratação.

Luiza Helena, ao contrário de muitos dos seus pares, vê com simpatia a criação de cotas raciais transitórias para as empresas. “A obrigatoriedade é um processo importante, num primeiro momento, até que os preconceitos sejam superados e a empresa adquira consciência da importância da diversidade”, disse. “Depois, quando mudarmos nossas cabeças, ela vira uma coisa natural e as cotas se tornam desnecessárias.”   

Ao encerrar sua participação no evento, Luiza Helena atendeu pacientemente às dezenas de pedidos de selfies de admiradores conquistados ao longo de sua intervenção. Afinal, ela tinha bons motivos para manter o sorriso nos lábios quase que ininterruptamente. Ainda repercutiam os resultados balanço trimestral do Magazine, que mostrou a consolidação do movimento de recuperação da empresa, que aparenta ter deixado para trás o aziago ano de 2015, marcado por dificuldades e perdas.

No ano passado, a empresa baseada em Franca, no interior paulista, com cerca de 750 lojas espalhadas por 16 Estados, viu seu faturamento cair 8,2%, para R$ 8,9 bilhões, acumulando um prejuízo líquido de R$ 65,6 milhões. Esse desempenho negativo, fez com que suas ações caíssem 70% no período no pregão da Bolsa de Valores. “A saída para a crise foi um profundo ajuste interno, com corte de custos, fechamento de algumas unidades que se superpunham numa mesma região e uma maior integração entre as lojas físicas e a operação virtual”, disse Luiza Helena.

Em 2016, sob o comando executivo de Frederico Trajano, filho de Luiza Helena, que assumiu o posto de CEO em janeiro passado, a situação foi revertida. No terceiro trimestre, o Magazine contabilizou um lucro de R$ 24,8 milhões, que se soma aos R$ 16 milhões obtidos nos primeiros seis meses do ano. Entre julho e setembro, a receita líquida alcançou R$ 2,258 bilhões, crescimento de 7,3% sobre igual período de 2015. 

Trata-se de um resultado que trafega na contramão das grandes varejistas do setor eletroeletrônico. Nos nove primeiros meses do ano, as vendas da Via Varejo, do Grupo Pão de Açúcar, dona das bandeiras Casas Bahia e Ponto Frio, caíram 4,7%, para R$ 13, 1 bilhões, o que resultou  numa  perda de R$ 170 milhões, dos quais R$ 90 milhões apenas no terceiro trimestre.

Por conta da virada, o Magazine Luiza tornou-se a queridinha do mercado de ações, com uma valorização de 410%, até o fim de outubro, contra 165% da Via Varejo e 6% da B2W, que se valorizaram 165% e 6%, respectivamente. Com isso, o  Magazine Luiza vale hoje R$ 2 bilhões na bolsa, quase o triplo de seu patrimônio. No fim do ano passado, a empresa valia menos do que o patrimônio.

De acordo com Luiza Helena, nos próximos meses, a companhia deverá manter uma  postura prudente em termos de investimentos – não se deve esperar por operações de porte, como a aquisição da paraibana Lojas Maia, uma das maiores redes de eletroeletrônicos do Nordeste, em  2010, ou do Baú da Felicidade, do grupo Silvio Santos, em 2011. Até dezembro, está previsto que a rede ganhe 15 novas lojas, número que pode se repetir, com um pequeno acréscimo, em 2017. 


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