Edição nº 1036 15.09 Ver ediçõs anteriores

Atrás do sonho adiado

Atrás do sonho adiado

Os engenheiros Altino Cristofoletti Júnior (à esq.) e Expedito Eloel Arena fundaram a Casa do Construtor em 1993

Donos de uma pequena revenda de material de construção, em Rio Claro, no interior de São Paulo, cujas vendas patinavam na primeira metade dos anos 1990, os engenheiros Altino Cristofoletti Júnior e Expedito Eloel Arena resolveram reinventar o negócio. Em vez de vender cimento e tintas, decidiram investir no aluguel de equipamentos, máquinas e ferramentas, tendo como alvo construtoras de menor porte, pequenos empreiteiros e pessoas físicas às voltas com reformas em sua residência. “Percebemos que havia um nicho da construção civil que não era atendido, no Brasil, embora fosse desenvolvido há muito tempo nos Estados Unidos”, afirma Cristofoletti Júnior. “Para alugar um equipamento era tudo muito burocratizado e queríamos nos transformar em uma facilitadora na questão de locação de máquinas.”

A aposta pioneira deu certo. Às vésperas de completar 25 anos de atividades, a Casa do Construtor, transformou-se na maior locadora do setor no País, com uma rede que deve alcançar a marca de 257 lojas até o fim de dezembro, espalhadas por todos os Estados brasileiros, à exceção do Acre e de Rondônia. Desse total, apenas 16 unidades são própria –as restantes são exploradas por franqueados. “É importante ter uma operação própria, para sentir o mercado e os problemas do dia a dia do negócio”, diz Cristofoletti Júnior. “Afinal, os franqueados não são cobaias.”

Com um faturamento de R$ 185 milhões, no ano passado, a rede vinha apresentando um crescimento de dois dígitos ao longo da última década (em 2014, quando foram abertas 50 lojas, as receitas aumentaram em 45%). Em 2016, por conta da crise, a Casa do Construtor dificilmente atingirá a meta de 10%, adiando para 2017 a meta de chegar a receitas de R$ 200 milhões. “Pelo menos, não perderemos vendas neste ano”, diz. “E já percebemos que a curva de atividades parou de descer.” 

Mesmo assim, a rede contabilizará 25 novas unidades neste ano. Mas a maior parte do esforço de Cristofoletti Júnior e de seu sócio Arena foi concentrado no estimulo à redução de custos entre os franqueados, para ampliar a musculatura da rede, além fortalecer a negociação de preços com os fornecedores. “Temos de colocar a casa em ordem para um novo ciclo de crescimento”,  afirma.

Para o futuro, os objetivos são ambiciosos. Já está no radar da Casa do Construtor, por exemplo, a internacionalização, a partir da América Latina. Já foram prospectados os mercados de países como Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Colômbia. “Mas será algo feito com cautela, pois há muito o que crescer no Brasil”, diz Cristofolletti Júnior.  

Por outro lado, a ideia é contar com 1000 lojas em operação, até 2025. Essa meta estava inicialmente fixada para ser atingida em 2020. No entanto, a crise e, mais do que isso, um trabalho de mentoria feito pela Endeavor, que apoia a Casa do Construtor, desde 2011, levou os dois sócios a postergá-la para daqui a nove anos. “Adequamos o sonho a bases mais realistas, que possam garantir a perenidade e sustentabilidade da empresa”, afirma Cristofolletti Júnior. 


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