Edição nº1007 24.02 Ver edições anteriores

"Os jovens precisam se capacitar melhor e encarar o mundo"

O conselho é da headhunter Tana Storani, brasileira radicada na Irlanda e cuja lista de clientes inclui gigantes como Linkedin, PayPal e Google 

"Os jovens precisam se capacitar melhor e encarar o mundo"

Tana Storani tem mais de sete anos de experiência em recrutamento na Europa

No final de semana (17 e 18/9) as atenções de muitos jovens paulistanos estarão voltadas para os estandes de universidades de diversas partesdo mundo, ávidas por atraí-los para seus cursos de curta duração e de graduação. Mas o que promete reunir um contingente ainda mais expressivo é a sala de palestras. Especialmente para àqueles que sonham em fazer carreira internacional. É que um dos debates será comandado pela headhunter Tana Storani, brasileira radicada na Irlanda desde 2009 e que possui um portfólio de clientes de fazer inveja. A lista inclui potências da chamada Nova Economia (Linkedin, Google, Facebook e PayPal) e de setores tradicionais (Pfizer). Formada em psicologia pela PUC-SP e gestão de RH pelo National College of Ireland, a brasileira acumula mais de sete anos de experiência em recrutamento na Europa. 

Antes de desembarcar no Brasil, ela conversou com a coluna sobre alguns dos principais desafios do mundo do trabalho, especialmente para os jovens. Afinal, assim como acontece no Brasil, este é o contingente que apresenta as maiores taxas de desemprego em relação à População Economicamente Ativa (PEA), na maioria dos países. O seminário acontece dentro da EDUEXPO, no Centro de Convenções Frei Caneca. A seguir os principais trechos da entrevista com a headhunter Tana Storani:

Quais são os principais desafios para os jovens que buscam emprego em um mundo marcado por rápidas mudanças na forma de se trabalhar?
Falta de preparo! Estar preparado e atualizado para o mercado de trabalho de forma geral. Nos dias atuais, a demanda profissional muda muito rapidamente e estar atento a essa movimentação é fundamental para garantir mais chances de empregabilidade. Muitas das vagas em áreas em crescimento estão cada vez mais focadas numa determinada expertise. Essa mutação acontece em um ritmo acelerado e na maioria das vezes o ambiente acadêmico não consegue ajustar, a tempo, a qualificação oferecida com as necessidades do mercado de trabalho. Como consequência, um jovem recém graduado no Brasil possivelmente já estará um tanto desatualizado para o que o mercado exigirá dele.

Há 20 anos, pensava-se que a tecnologia proporcionaria mais tempo livre fazendo com que trabalhássemos com mais eficiência. Não foi o que aconteceu. Por quê?
A tecnologia nos trouxe uma quantidade absurda de informações, formas de conectividade, inúmeras possibilidades, mas também muitas distrações. Está cada vez mais difícil se concentrar e focar no que realmente demanda nossa atenção e esforço. Perdeu-se, por exemplo, o limite entre o mundo profissional e pessoal, o e-mail corporativo te acompanha para casa no smartphone e nos demais devices que bipam a cada cinco minutos. Isso sem citar as mídias sociais e a necessidade latente de comunicar ao mundo, a cada minuto, da sua existência. Três décadas depois o que observamos é que a eficiência está longe de ser o benefício almejado pelos avanços tecnológicos. Porém, apesar do efeito contrário, o que necessitamos, urgentemente, como profissionais e seres humanos é voltar o olhar para o que, de fato, a tecnologia nos traz de benefício. 

O que as empresas disruptivas esperam dos jovens? É possível ser inovador 24h por dia e 365 horas por semana? E os “normais” não terão emprego?
Estas empresas esperam que eles sejam os mais criativos, desenvolvedores e inovadores do mercado. Essas empresas investem milhões em cultura e valores internos para transformar o ambiente corporativo onde as pessoas sejam livres para criar e inovar 24h por dia. Porém, grande parte dos especialistas concorda que ninguém consegue ser inovador todo o tempo. Contudo, essa é uma resposta que as empresas não desejam validar. Quanto aos “normais”, eles nunca deixaram de existir e sempre haverá trabalhos para essa outra parcela de profissionais. Geralmente em áreas que não tenham envolvimento direto com a criação. Outra falácia importante é acreditar que empresas disruptivas apenas recrutam superstars. Como mentora uma das minhas recorrentes sugestões para os jovens brasileiros é estar aberto para essa movimentação necessária do mercado, seja ela no sentido da inovação ou não. O modelo que um empresário busca no Brasil pode ser completamente diferente do olhar empreendedor da Polônia. Estar aberto para outros mercados também é um caminho para a inovação.

Em qual medida a qualidade da educação poder definir a empregabilidade dos jovens?
Sem sombra de dúvida a educação é a chave da empregabilidade, e viver em um país onde esse investimento não é realizado de forma eficaz, acaba por provocar lacunas consideráveis no currículo profissional de seus cidadãos. A falta de internacionalização curricular, a deficiência no ensino da língua inglesa e a comunicação entre empresas/escolas acabam deixando o Brasil em situação desprivilegiada em relação a outros países. Na França e na Alemanha, por exemplo, o volume de bolsas de estudos destinadas a estudantes é infinitamente maior em relação ao observado no Brasil. Na Irlanda, a atração de multinacionais estrangeiras, além de promover investimentos financeiros significativos para o país, trouxe também investimento humano a partir da capacitação de profissionais e jovens e da criação de cursos em áreas potenciais alinhando, assim a necessidade do mercado com uma melhor possibilidade de ascensão profissional.

O desemprego, especialmente entre os jovens, é um problema grave, também na Europa. O que deu errado por lá?
A crise mundial atingiu, principalmente, as nações menores e pouco industrializadas como Grécia e Portugal. A falta de incentivos fiscais e empresariais em alguns países acabou afetando muito a empregabilidade e o acesso dos jovens ao mercado. Igualmente importante é a falta de habilidade do europeu em lidar com crises tão significativas como a ocorrida da última década. Nesse sentido, os jovens europeus acomodados a uma estrutura social sólida, tiveram que se reinventar, correndo atrás de outras possibilidades para fugir da falta de emprego. A recessão ajudou a tornar os jovens mais preparados, focados na multiculturalidade e mais abrangentes nas suas qualificações profissionais.


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