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Líder ou liderado: como o Brasil vai surfar a próxima grande onda tecnológica?

Líder ou liderado: como o Brasil vai surfar a próxima grande onda tecnológica?

Uma das próximas grandes ondas tecnológicas está se formando no agronegócio

O Vale do Silício é a face mais visível da cultura da inovação nos EUA. O que é criado lá dita as tendências no mercado mundial de tecnologia, com efeitos também na economia global. E isso nos leva a um questionamento fundamental para o Brasil: qual é – ou deveria ser – o papel da inovação em nosso projeto de nação? Para ser mais específico, em que setor econômico teríamos as melhores condições de inovar, em função de nosso histórico econômico, geográfico, cultural e social? 

A resposta passa pelo agronegócio. Além de tratar de um setor em que o Brasil tem vocação, é neste mercado que está se formando uma das próximas grandes ondas tecnológicas do mundo, que atraído um número crescente de fundos de investimentos, grandes companhias de tecnologia e empreendedores de diversos países. É a revolução AgTech, termo cunhado nos EUA para se referir às empresas de tecnologia aplicada ao agronegócio.
  
O contexto

Para entendermos melhor a questão, vamos observar o contexto. Já existe um movimento forte nos EUA de negócios envolvendo o setor – uma das primeiras grandes transações a chamar a atenção do mercado global foi a aquisição da Climate Corporation pela Monsanto, em 2013, por US$ 930 milhões. 

Antes dessa negociação, poucos investidores internacionais abriam os cofres em startups de tecnologia para a agricultura. Um ano depois a realidade já era diferente, como mostra uma reportagem do site TechCrunch. Em 2014, o setor de AgTech recebeu investimentos da ordem de US$ 2,36 bilhões, envolvendo 264 acordos.  Esse valor é superior ao de mercados bem badalados, como o de Fintechs (tecnologia para o sistema financeiro), com US$ 2,1 bilhões, e de tecnologia limpas, de US$ 2 bilhões. 

Até 2013, os investimentos em AgTech nos EUA seguiam relativamente estáveis. Boa parte das inovações na agricultura estava centrada em biotecnologia e sementes. Hoje, se espalham por áreas como softwares, aplicativos móveis, nanosatélites, drones, inteligência artificial, robótica e Internet das Coisas. 

E o Brasil?

O Brasil, por sua vez, começa a experimentar agora um período de efervescência AgTech. O fenômeno é muito recente – tanto que esse termo ainda é uma novidade por aqui -, mas os negócios inovadores nessa seara se acumulam. 
   
Nos últimos anos, algumas startups promissoras chegaram ao mercado e se destacam dentro e fora do País. Um dos principais cases é o da Bug Agentes Biológicos. Ela foi considerada a 33ª empresa mais inovadora do mundo pela revista americana Fast Company, uma das mais prestigiadas do planeta. 

A startup brasileira vende insetos que combatem pragas em grandes plantações, como cana e soja, e foi criada nos laboratórios da Esalq, a escola de ciências agrárias e ambientais da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. 

Há vários outros exemplos. Além de Aegro, Agrosmart, Agronow, é possível citar os casos da Checkplant, de Pelotas (RS), responsável por software de rastreamento de frutos na lavoura, e do Organomix, um mercado eletrônico especializado em vender produtos orgânicos e alimentos saudáveis. 

Interior de São Paulo

Ao redor da EsalqTec, a incubadora da universidade no interior de São Paulo, há um ecossistema  de startups de agronegócios em franco desenvolvimento, o que coloca Piracicaba como protagonista desse movimento. Só a EsalqTec conta atualmente com mais de 40 empresas iniciantes, entre  residentes, associadas e em pré-incubação, que desenvolvem projetos nas áreas de TI, entomologia, biogás e controles biológicos, entre outras.

Startups desse tipo são o exemplo concreto do ecossistema de investimento em inovação que começa a se formar no agronegócio brasileiro, especialmente no interior de São Paulo. 
Digo que agora começa a se formar porque, se esse ramo da economia é tradicionalmente um dos mais importantes do País, a novidade é que o tripé formado pelo poder público, universidade e investimento privado só agora passa a adquirir contornos mais nítidos. Isso precisa ser fortalecido.

Histórico

Se olharmos para trás, veremos que o agronegócio brasileiro possui uma história de desenvolvimento tecnológico e inovação de nível internacional iniciada há mais de quarenta anos, com o surgimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

Baseada em pesquisa, desenvolvimento e inovação, a companhia foi fundada com o objetivo de montar um modelo de agricultura e pecuária tipicamente brasileiro, capaz de superar as barreiras que limitavam a produção de alimentos, fibras e energia. Ao longo desse período, ela contribuiu diretamente, por meio de estudos, projetos e informações, para que o setor aumentasse sua competitividade e sustentabilidade. 

O que vemos hoje é o surgimento de uma nova fronteira para o agronegócio, caracterizada pelo uso intensivo de tecnologias, de softwares de gestão a aplicativos móveis de monitoramento.   Estamos apenas no começo desse processo. 

O que aumenta ainda mais a expectativa com o futuro é imaginar que, além de gerar riquezas para o Brasil, é no agronegócio que estão as maiores chances de encontrar nossas Apples, Facebooks e Googles – não necessariamente pelo gigantismo, mas principalmente pelo caráter inovador e pelo alcance global. 


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