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A real motivação nas fusões & aquisições

As razões que levam à venda ou compra de uma empresa nem sempre são tão claras como se imagina; até porque, são sempre tomadas por pessoas

A real motivação nas fusões & aquisições

Inúmeros são os agentes que motivam o empresário a considerar a venda de sua empresa (foto: Vector Open Stock)

De acordo com dados divulgados pelo site Fusões & Aquisições, o volume de transações realizadas no Brasil no primeiro semestre de 2016 ficou 14% abaixo do registrado no mesmo período de 2015, com redução de 17% no valor total de negócios fechados, que somou R$ 88 bilhões.

Reduções já esperadas, em função da atual situação político-econômica do Brasil, mas números ainda muito expressivos e nos mesmos patamares daqueles registrados no primeiro semestre de 2014.

Apesar da tentação de entrar mais a fundo nessas estatísticas, o foco da publicação de hoje está em explorar o que está por trás destas transações. Ou seja, as motivações que levam as duas partes (comprador e vendedor) a conduzirem um processo (muitas vezes longo e trabalhoso) de compra & venda de uma empresa.

Comecemos pelo VENDEDOR. O que leva aquele que detém a propriedade da empresa a vendê-la? Dinheiro? Claro que a recompensa financeira é uma forte razão para a realização da venda da empresa. Principalmente quando se trata de quantia significativa e de múltiplos estratosféricos. Mas a grande maioria (cerca de 60%) do volume de transações no Brasil é inferior a R$ 50 milhões, representando menos de 5% do valor total transacionado. E, mesmo assim, com múltiplos não tão agressivos. Então será apenas o eventual retorno financeiro a principal razão que leva o proprietário de uma empresa à decisão de vendê-la? A resposta (já induzida) é não.

Inúmeros são os agentes que motivam o empresário VENDEDOR a considerar a venda de sua empresa. Dentre os principais destacam-se: (a) ruptura entre sócios, (b) falta de uma sucessão clara, (c) mudança nos planos de vida e (d) cansaço. Isso mesmo! A falta de motivação em dar sequência à árdua luta diária para fazer a empresa prosperar é um dos principais fatores que levam o empresário a avaliar seriamente a venda de sua empresa.

E o COMPRADOR? Por que alguém decide pela compra da empresa de outro, mesmo sabendo do alto grau de risco (primariamente para o comprador) que envolve a aquisição e fusão de empresas?

E aqui precisamos separar o comprador “ESTRATÉGICO” do comprador “FINANCEIRO”.

A motivação do comprador FINANCEIRO (Fundos de Private Equity e Fundos de Venture Capital, por exemplo) é um pouco mais simples de entender. Em geral, busca-se por ativos (empresas) que tenham grande potencial de valorização futura (após uma boa “arrumada na casa”) para eventual realização de ganho no tempo. Ou seja, traduzindo em miúdos, comprar barato (hoje) para vender mais caro (amanhã), obtendo altas taxas de retorno.

Já o comprador ESTRATÉGICO tem motivações bem mais complexas para avaliar a compra de uma empresa. Em geral, motivadores relacionados a um plano estratégico e que envolve temas como: (a) busca de sinergias operacionais por aumento de escala e/ou complementariedade de portfólio, (b) compra de ativos (tecnologia, capital intelectual, etc) que seria mais difícil desenvolver por conta própria e (c) entrada em novos mercados (segmento, geografia, etc).

Mas também há a motivações menos nobres como a consolidação de mercado através da eliminação de competidores (e nisso o CADE tem colocado muita atenção) ou mesmo a postura do CEO da empresa compradora que, pressionado pelo excesso de caixa ou pela própria vaidade (compra de empresa dá muita cobertura de mídia), acaba “indo às compras” de forma inadequada (e depois deixa a herança de uma compra equivocada para o seu sucessor, com a “conta” sendo paga pelo acionista).

De qualquer forma, com motivos mais ou menos nobres, o comprador ESTRATÉGICO tende a pagar mais pela empresa do que o comprador FINANCEIRO quem, muitas vezes, acaba gerando mais valor para a empresa.

Assim, seja você o VENDEDOR ou COMPRADOR, avalie bem os diferentes cenários e tome a sua decisão pela razão correta, qualquer que seja ela, para que não se arrependa depois pela venda ou compra de uma empresa.

 


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