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Cidades inteligentes reservam oportunidades de ouro para empresas inovadoras

Cidades inteligentes reservam oportunidades de ouro para empresas inovadoras

O conceito de cidades inteligentes é movido pela intenção de melhorar a qualidade de vida e resolver problemas do cotidiano nas cidades

O avanço do conceito de cidades inteligentes está abrindo um novo horizonte para a economia global, com impacto direto na área de serviços, públicos e privados. Esse novo cenário reserva inúmeras oportunidades para empresas e investidores. Não é pouca coisa. Segundo um estudo da consultoria Grand View Research, o mercado global de smart cities deve movimentar US$ 1,4 trilhão até 2020. 

Um documento da FGV nos ajuda a entender do que estamos tratando: “Segundo a União Europeia, smart cities são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida”.   

Em relação aos serviços públicos, a expectativa é que teremos num futuro não tão distante sistemas de saneamento, transporte e segurança conectados à internet e que funcionarão de forma inteligente, tomando decisões conforme o cenário (aí já adentramos o terreno da Internet das Coisas). 

O Brasil está longe dessa realidade? Sim e não. Temos capital humano, tecnologia à disposição e gente disposta a fazer. Resta ao poder público abraçar essa ideia. À sociedade, cobrar e participar.

Projetos inovadores

Já existem bons exemplos de startups que desenvolveram ou estão preparando serviços inovadores nessa área.

Na Inglaterra, há uma empresa chamada Improbable que está trabalhando no que eles chamam de “sistema operacional para as cidades inteligentes do futuro”. O CEO da empresa disse em outra ocasião que o objetivo é ajudar resolver problemas complexos, como recriar economias e ajudar a transformar processos das empresas. 

Em Santander, na Espanha, há sensores espalhados pela cidade que dão informações sobre a situação do trânsito, qualidade do ar e onde há vagas públicas para estacionamento – além de propiciar comodidade, isso é para evitar que uma pessoa se movimente de carro por um trajeto maior que o necessário.

Casos no Brasil

No Brasil, em Búzios, uma concessionária de energia, a Ampla, implantou um projeto-piloto de rede inteligente de energia. Pela iniciativa – o smart grid – residências ganharam medidores inteligentes que dão informações ao morador para que ele organize melhor seu consumo – e a concessionária também pode estabelecer tarifas diferenciadas de acordo com o horário de consumo. Com a tarifa horária, geração distribuída e novos medidores, a expectativa era que o cliente médio em Búzios reduzisse o consumo de energia em 30%.

É apenas um exemplo real de como o conceito de cidade inteligente pode interferir na produção, na distribuição, nos processos e no consumo.  

Em Curitiba, a Dataprom, empresa encarregada pelo sistema de cartões de transporte, fez testes com um projeto de semáforo inteligente que deixa o sinal vermelho por mais tempo quando identifica que há idosos e portadores de necessidades especiais no local. 

Urbanização e serviços 
 
A meu ver, um ponto importante do conceito de cidades inteligentes – e que é transformador do ponto de vista econômico e da visão de prestação de serviços – é que ele é movido pela intenção de melhorar a qualidade de vida e resolver problemas do cotidiano nas cidades. Seja quando trata de questões estruturais, seja quando aborda serviços mais diretamente ligados ao dia a dia. 

É uma nova etapa na dinâmica da urbanização, que tem provocado grandes mudanças na prestação de serviços, em razão das características adquiridas pelo consumidor nas últimas décadas.

Além disso, é o uso da inovação tecnológica para servir – e, com isso, atender ao cidadão, contribuir com uma visão sustentável do mundo e também gerar negócios, obviamente. 

Aplicativos e colaboração

Os canais para o consumidor dar sugestões, criticar e colaborar também estão se ampliando, se tornando mais ágeis, interativos e coletivos (vide Waze e outros aplicativos). A tecnologia também coloca os mecanismos para medir a satisfação com a qualidade dos serviços em outro patamar, pois o contato com o cidadão é em tempo real e em ambientes colaborativos. 

Isso vai exigir dos prestadores de serviço uma nova postura, visão e capacitação para estar atualizado com a nova realidade. 
E aí, você pronto?


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