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Reinventar a roda

SP-Arte abre em cenário de incertezas, enquanto galerias buscam novos modelos

Reinventar a roda

Obra de Ivan Grilo no estande da galeria Casa Triângulo, na SP-Arte

O circuito de arte de São Paulo, que esta semana se reúne no Pavilhão da Bienal em torno da 12ª edição da feira SP-Arte, nunca esteve tão criativo. Com a recessão da economia brasileira e a contínua queda das vendas de obras de arte desde 2014, feiras e galerias movimentam a cena local investindo em diferentes iniciativas, como mudanças de endereços, abertura de novos espaços e reformulação de projetos. Vale tudo para escapar da crise e tentar restaurar a fama de mercado emergente, que em 2014 trouxe à 10ª edição da SP-Arte a participação recorde de 58 galerias estrangeiras.

Este ano, entre 6 e 10 de abril, serão apenas 39 as galerias internacionais com stands no Pavilhão da Bienal – entre elas seis das mais importantes do mundo, como White Cube, Gagosian, David Zwirner, Lisson, Continua e Kurimanzutto. Mas poderiam ser contabilizadas a elas as brasileiras Nara Roesler, que abriu espaço em Nova York em março último, e a Mendes Wood DM, que em ação inédita, divide stand com a norte-americana Michael Werner. O estande compartilhado em São Paulo será um ensaio para ação mais ousada: a fusão das grifes na inauguração de uma galeria no Upper East Side, em Nova York, no segundo semestre deste ano. 

O foco no mercado de arte global – que em 2014 atingiu o maior pico de toda a história, movimentando US$ 68 bilhões – é um claro caminho escolhido pelas galerias paulistanas. Ele atende a uma tendência de expansão das vendas para o exterior, que duplicaram de 2014 para 2015, passando de US$ 34 milhões para US$ 67 milhões. 

Outras preferem inovar aqui mesmo. “Escolhemos abrir mais uma galeria no Brasil porque acreditamos no país”, diz Alessandra D’Aloia, diretora da paulistana Fortes Vilaça, que em setembro inaugura novo espaço no Rio de Janeiro. “O momento exige muita determinação e criatividade. Em toda parte existe hoje um desejo de mudança e a dificuldade é o grande trunfo em nossas mãos. Como essa mudança vai se dar, não sei, mas logo surgirá algo diferente”. 

Em busca do novo, a galeria carioca terá um projeto com forte ênfase institucional, incorporando ao espectro de sua programação de artes visuais, outras expressões artísticas, como música, filme, poesia e teatro. “Eu sempre acreditei no mercado carioca, onde há muito ainda a ser explorado”, continua D’Aloia. Mercado certamente existe para o time estelar de artistas cariocas da galeria, como Beatriz Milhazes, Adriana Varejão e Ernesto Neto, que até hoje não são representados por nenhuma outra galeria no Rio.  

Sem precisar ir tão longe, a crise dos modelos antigos e a urgência de reinvenção nos brinda ainda com bons projetos de reformulação de espaço aqui mesmo em São Paulo, como proposta pela Galeria Luciana Brito, agora em novo endereço. Inaugurada no domingo 3 de abril em uma casa projetada por Rino Levi, a galeria inaugura nova fase lançando a seus artistas o saudável desafio de ocupar salas que em nada se parecem aos “cubos brancos” das galerias de arte convencionais, mas que são, certamente, o melhor da arquitetura moderna paulistana. 


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