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Exclusivo: Monitoramento mostra que militância não saiu em defesa do governo nas redes sociais

Levantamento feito pela agência digital A2C a pedido do blog mostra que a esquerda digital, que já demonstrou ter grande capacidade de mobilização virtual, está em desvantagem na internet

Exclusivo: Monitoramento mostra que militância não saiu em defesa do governo nas redes sociais

#Paulista, em referência ao local das manifestações em São Paulo, foi a hashtag dos protestos mais usada à noite

As vozes contrárias ao governo Dilma, ao ex-presidente Lula e ao PT dominaram as redes sociais na semana que antecedeu os protestos no domingo (13/3). A diferença de menções entre aqueles que defendem os petistas e os críticos – que já era expressiva no início da semana – disparou do dia das manifestações.  Os dados são de monitoramento exclusivo, realizado pela agência digital A2C a pedido do blog, feito entre os dias 8 e 13 de março.

O que isso revela sobre a correlação de forças na rede, além do fato explícito de que os ecos das ruas foram reverberados intensamente na internet?

Esse tipo de análise envolve aspectos relacionados às estratégias de guerrilha digital – em ações desenvolvidas por equipes profissionalizadas – que tentam influenciar o humor dos usuários da rede. Mas, antes de falar mais sobre isso, vamos aos dados coletados.

Monitoramento

No dia 8 houve 5.513 citações desfavoráveis aos petistas ante 1.186 favoráveis – ou uma diferença de pouco mais de quatro vezes. No domingo, a quantidade de mensagens contrárias cresceu numa proporção muito maior: 79.884 ante 6.618, o que representa um número 12 vezes maior.

A #VemPraRuaBrasil foi a principal hashtag utilizada pelos manifestantes. Perto do meio dia do domingo, dia dos protestos, ela ficou em primeiro lugar nos Trending Topics do Twitter Brasil. Com o começo do programa The Voice Kids Brasil, da Rede Globo, perdeu posição e por volta das 20h já não aparecia entre os temas mais citados no microblog.  

#Paulista, em referência ao local das manifestações em São Paulo, foi a hashtag dos protestos mais usada à noite
 
Análise e opinião

Os dados coletados pela agência A2C mostram que as redes sociais refletiram o comportamento que se viu nas ruas, ou seja, de um imenso apoio aos protestos e críticas ao governo, Lula e PT. O coro dos insatisfeitos foi barulhento.

Pode parecer um comportamento previsível – a rede refletir na mesma dimensão o clamor das ruas -, mas não necessariamente teria de ser assim. A internet há algum tempo se tornou campo de disputa política travada por grupos organizados pró e contra o governo, com ações de guerrilha virtual para ampliar repercussão, atacar, convencer, exaltar ou divulgar mensagens de interesse de cada parte.

Esses núcleos profissionalizados, a serviço de partidos políticos ou organizações ligadas a determinadas correntes ideológicas, cumprem o papel de tentar engajar seus respectivos simpatizantes e atrair outros tantos para amplificar determinadas mensagens.

A esquerda digital já demonstrou em diferentes ocasiões que têm grande capacidade de mobilização virtual.

O que se vê por este monitoramento, no entanto, é que a militância não saiu em defesa de PT, Dilma e Lula nas redes sociais.

Há outro aspecto relevante na história, como observa Ricardo Almeida, sócio e diretor de planejamento e inovação da A2C. Com a crise política que se arrasta desde o ano passado, o governo não conseguiu emplacar uma agenda positiva, com programas sociais, realizações ou bons resultados na economia. Assim, os militantes digitais ficaram sem munição.

É uma situação bem diferente da que ocorreu no primeiro mandato de Dilma e durante as eleições de 2014. Nesses períodos, o governo e o PT adotaram a estratégia de reverberar as informações positivas em blogs, Twitter e Facebook. “Isso não está acontecendo mais. Hoje o governo não pauta as redes sociais”, diz Almeida.  

Nesse aspecto, cabe lembrar o contexto. No dia 4, Lula foi alvo da chamada condução coercitiva, o que gerou grande repercussão no país. No mesmo dia, o ex-presidente convocou toda a militância. “Pisaram no rabo da cobra e agora vão ver o veneno da cobra. Vamos colocar todos na rua para dizer não ao golpe”, afirmou. “Se estão precisando de alguém para animar este tropa, o animador está aqui”.

O apelo do ex-presidente ainda não surtiu o efeito nas mídias sociais. Na rua, o teste será no dia 18, data para a qual foi programada a manifestação pró-governo. Vamos aguardar para ver os desdobramentos tanto dentro como fora da rede. Até agora, os descontentes estão falando mais alto na internet. 


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