Edição nº1007 24.02 Ver edições anteriores

Dólar cai ao menor nível desde setembro. É hora de comprar?

Embalada pelo otimismo dos investidores, que acreditam que qualquer notícia desfavorável ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente Dilma Rousseff trará uma enxurrada de dólares ao mercado brasileiro, a moeda americana voltou a cair frente ao real nesta sexta-feira 4. No momento de maior baixa do dia, no início da manhã, o dólar chegou a ser negociado a R$ 3,654, uma queda de 3,85% ante a véspera. Ao fim do dia, a moeda americana fechou a R$ 3,7144, baixa de 3,4%.

Somando-se à queda da quinta-feira, quando as notícias de delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), reveladas com exclusividade pela revista ISTO É, já haviam provocado uma baixa das cotações, em dois dias a moeda americana perdeu 5% do seu valor em relação ao real.

A baixa provocou uma autêntica corrida ao dólar. Diversas agências bancárias e casas de câmbio registraram movimento superior ao normal. “Tantos clientes me ligaram que a bateria do meu celular acabou antes do meio-dia”, diz o economista Fernando Bergallo, sócio da assessoria de câmbio FB Capital. “O movimento foi excepcional.” Segundo Bergallo, já na véspera muitos empresários com compromissos em dólar e investidores interessados na moeda americana resolveram aproveitar a queda para fazer remessas de recursos ao exterior.

É hora de aproveitar para comprar dólares? Segundo Bergallo, os próximos dias deverão mostrar grande volatilidade no câmbio, não apenas devido à turbulência política, mas também por causa da situação da economia. “A queda do dólar em relação ao real não decorreu apenas do noticiário político, mas também de notícias positivas da China e de uma depreciação do dólar em relação ao euro no mercado internacional”, diz ele.

Isso reduz a previsibilidade da moeda por aqui. “Poderá ocorrer uma realização na segunda-feira, com o dólar recuperando parte da baixa”, diz ele. “Afinal, uma eventual prisão do ex-presidente Lula é uma notícia importante, mas que não tem nenhum impacto prático sobre a economia.”
 


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