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Nº edição: 527 | 31.OUT - 10:00 | Atualizado em 27.02 - 15:46

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por Joaquim Castanheira

PRESENTE DE GREGO
Aassessora especial do Ministério da Defesa, economista Solange Vieira, casou-se no sábado 27, mas não recebeu o presente que esperava: a presidência da Agência Nacional da Aviação Civil. O ocupante do cargo, Milton Zuanazzi, apesar das pressões do ministro Nelson Jobim, mantém-se firme no posto e está decidido a ficar na diretoria até 2011, quando termina o seu mandato. O que cria um grave constrangimento para Jobim, que já indicou quatro dos cinco diretores da Anac, deixando a nomeação de sua preferida, Solange, para quando Zuanazzi deixar a agência. No curto prazo, não há nenhum sinal de que isso vá acontecer.

O SERTÃO VIRA DESERTO
AONU deu o alerta: nos próximos 60 anos, o semi-árido brasileiro pode virar um semideserto se nada for feito. Mas, até agora, parece que o governo não viu o sinal vermelho. De 2004 a 2006, apenas um terço do Programa de Combate à Desertificação foi realizado. Este ano, pior ainda: só 3% foram gastos.

NEGÓCIOS À VISTA
Depois do sucesso na privatização das rodovias, tudo leva a crer que haverá candidatos estrangeiros no leilão da hidrelétrica do rio Madeira. Basta ver os roteiros de viagem da ministra Dilma Rousseff. Ela esteve recentemente na Espanha, na Itália e nos Estados Unidos.

MISSÃO IMPOSSÍVEL
Diante da absoluta dificuldade de comunicação e convencido de que pouco tinha a fazer no cargo, Luís Carlos Cabral, assessor de imprensa do ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, pediu exoneração na segunda-feira 22. Nos últimos quatro meses, Cabral tentou sem sucesso agendar entrevistas com o ministro. De tanto insistir, conseguiu marcar uma coletiva com os principais jornais do País para o dia 1º de novembro. Quando tudo parecia certo, Unger disse que gostaria de selecionar os nomes dos jornalistas que iriam entrevistá-lo. Cabral desistiu da missão.

EM ALTA
Ao descolar o Brasil do cenário problemático da América Latina e abrir fronteiras na Europa e na África, o chanceler Celso Amorim tem recebido fartos elogios. Na reunião do presidente Lula com empresários, na quarta-feira 24, o ministro foi exaltado por colocar o País na rota de comércio de países antes desprezados. Também foi creditado em sua conta o pedido feito pelo Institute of International Finance, do qual fazem parte os 370 bancos mais importantes do mundo. Eles querem que o Brasil entre no G-7. Nada mais lógico depois do trabalho de superexposição do Brasil no Exterior.

EM BAIXA
Para espanto da população, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vem mantendo uma distância olímpica do que chama de “epidemia de dengue”. Como se não fosse responsável pelo combate à doença, Temporão divulgou dados alarmantes sobre as baixas causadas de norte a sul. Não bastasse, anunciou que “um novo tipo de dengue é questão de tempo” e garantiu que “é praticamente impossível evitar que a doença venha para o Brasil”. As famílias, atônitas, acompanham as falas do ministro, que não deu contribuição maior, a não ser desmentir que o filho de sua empregada estivesse com dengue.

Com Adriana Nicacio e Gustavo Gantois

SEM GORDURA
Disposto a fortalecer o caixa do Rio de Janeiro, o secretário de Fazenda, Joaquim Levy, conseguiu aprovar no Confaz a cobrança de ICMS de toda cadeia do petróleo, isenta desde 1999. Cortou o pessoal terceirizado em sua pasta e tomou um empréstimo de R$ 15 milhões no BNDES para implantar a nota fiscal eletrônica.

APREENSÃO HI-TECH
O caso Cisco e os rumores de que a empresa teria feito doações irregulares ao PT deixaram apreensivos vários empresários do setor de tecnologia, que participaram de licitações em Brasília nos últimos anos. É que essa área foi acompanhada de muito perto pelo extesoureiro do PT Delúbio Soares no primeiro mandato do presidente Lula.

CONTRA-ATAQUE
O ministro Guido Mantega carrega na pasta um trunfo precioso. Estudo do economista Ricardo Bergamini mostra que, de 1992 até 2006, a carga tributária saltou de 25,85% do PIB para 34,23%. Mas, na comparação com o governo Fernando Henrique, os tucanos aumentaram a carga em 11,36%, enquanto Lula ficou em 7,43%.


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Nº edição: 527 | 31.OUT - 10:00 | Atualizado em 01.03 - 10:37

Poder

por Carlos Sambrana

PRESENTE DE GREGO
Aassessora especial do Ministério da Defesa, economista Solange Vieira, casou-se no sábado 27, mas não recebeu o presente que esperava: a presidência da Agência Nacional da Aviação Civil. O ocupante do cargo, Milton Zuanazzi, apesar das pressões do ministro Nelson Jobim, mantém-se firme no posto e está decidido a ficar na diretoria até 2011, quando termina o seu mandato. O que cria um grave constrangimento para Jobim, que já indicou quatro dos cinco diretores da Anac, deixando a nomeação de sua preferida, Solange, para quando Zuanazzi deixar a agência. No curto prazo, não há nenhum sinal de que isso vá acontecer.

O SERTÃO VIRA DESERTO
AONU deu o alerta: nos próximos 60 anos, o semi-árido brasileiro pode virar um semideserto se nada for feito. Mas, até agora, parece que o governo não viu o sinal vermelho. De 2004 a 2006, apenas um terço do Programa de Combate à Desertificação foi realizado. Este ano, pior ainda: só 3% foram gastos.

NEGÓCIOS À VISTA
Depois do sucesso na privatização das rodovias, tudo leva a crer que haverá candidatos estrangeiros no leilão da hidrelétrica do rio Madeira. Basta ver os roteiros de viagem da ministra Dilma Rousseff. Ela esteve recentemente na Espanha, na Itália e nos Estados Unidos.

MISSÃO IMPOSSÍVEL
Diante da absoluta dificuldade de comunicação e convencido de que pouco tinha a fazer no cargo, Luís Carlos Cabral, assessor de imprensa do ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, pediu exoneração na segunda-feira 22. Nos últimos quatro meses, Cabral tentou sem sucesso agendar entrevistas com o ministro. De tanto insistir, conseguiu marcar uma coletiva com os principais jornais do País para o dia 1º de novembro. Quando tudo parecia certo, Unger disse que gostaria de selecionar os nomes dos jornalistas que iriam entrevistá-lo. Cabral desistiu da missão.

EM ALTA
Ao descolar o Brasil do cenário problemático da América Latina e abrir fronteiras na Europa e na África, o chanceler Celso Amorim tem recebido fartos elogios. Na reunião do presidente Lula com empresários, na quarta-feira 24, o ministro foi exaltado por colocar o País na rota de comércio de países antes desprezados. Também foi creditado em sua conta o pedido feito pelo Institute of International Finance, do qual fazem parte os 370 bancos mais importantes do mundo. Eles querem que o Brasil entre no G-7. Nada mais lógico depois do trabalho de superexposição do Brasil no Exterior.

EM BAIXA
Para espanto da população, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vem mantendo uma distância olímpica do que chama de “epidemia de dengue”. Como se não fosse responsável pelo combate à doença, Temporão divulgou dados alarmantes sobre as baixas causadas de norte a sul. Não bastasse, anunciou que “um novo tipo de dengue é questão de tempo” e garantiu que “é praticamente impossível evitar que a doença venha para o Brasil”. As famílias, atônitas, acompanham as falas do ministro, que não deu contribuição maior, a não ser desmentir que o filho de sua empregada estivesse com dengue.

Com Adriana Nicacio e Gustavo Gantois

SEM GORDURA
Disposto a fortalecer o caixa do Rio de Janeiro, o secretário de Fazenda, Joaquim Levy, conseguiu aprovar no Confaz a cobrança de ICMS de toda cadeia do petróleo, isenta desde 1999. Cortou o pessoal terceirizado em sua pasta e tomou um empréstimo de R$ 15 milhões no BNDES para implantar a nota fiscal eletrônica.

APREENSÃO HI-TECH
O caso Cisco e os rumores de que a empresa teria feito doações irregulares ao PT deixaram apreensivos vários empresários do setor de tecnologia, que participaram de licitações em Brasília nos últimos anos. É que essa área foi acompanhada de muito perto pelo extesoureiro do PT Delúbio Soares no primeiro mandato do presidente Lula.

CONTRA-ATAQUE
O ministro Guido Mantega carrega na pasta um trunfo precioso. Estudo do economista Ricardo Bergamini mostra que, de 1992 até 2006, a carga tributária saltou de 25,85% do PIB para 34,23%. Mas, na comparação com o governo Fernando Henrique, os tucanos aumentaram a carga em 11,36%, enquanto Lula ficou em 7,43%.


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Nº edição: 526 | 24.OUT - 10:00 | Atualizado em 27.02 - 15:08

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por Joaquim Castanheira

A CRUZADA DE SKAF
Apesar da crítica do presidente Lula às atuais bandeiras das federações empresariais, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, não pretende recuar um milímetro na sua luta contra a prorrogação da CPMF. Ele continua a cumprir a agenda de visitas a parlamentares e governadores e no último fim de semana, esteve em Tocantins, no Amapá, em Roraima, no Amazonas e no Acre. Na terça- feira 16, promoveu um showmício no Vale do Anhangabaú, com Zezé Di Camargo e Luciano. Skaf mantém a cruzada e acredita que conquistará a maioria dos votos no Senado. Mas faz uma ressalva: “Não tenho nada contra o presidente Lula, pessoa a quem respeito e admiro. Sou contra a criação de impostos num país que tem uma das maiores cargas tributárias do planeta.”

LOBO MAU
Tião Viana assumiu o comando interino do Senado com jeito de quem quer ficar no cargo. Demitiu assessores, passou a usar o carro da presidência e utilizará a residência oficial para encontros políticos. Existe um senão: o senador Renan Calheiros garante que não vai renunciar. Quer voltar após os 45 dias prometidos.

SEARA ALHEIA
Causou estranheza no Ministério das Comunicações a informação de que a Secretaria de Comunicação Social, chefiada por Franklin Martins, recebeu a tarefa de coordenar as discussões da nova Lei Geral da Comunicação, nas mãos do Ministério desde o início do governo Lula. A praia de Hélio Costa foi invadida

SANTO DE CASA
Relatório do espanhol BBVA prevê que a economia latino- americana crescerá 5,1% em 2007. Com este ritmo 20 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza e o PIB per capita acumula alta de 20% em cinco anos. A inflação está em 5% e o desemprego em 8,5%. Os números levaram os analistas a concluírem: o ministro Guido Mantega, da Fazenda, não é o único responsável pelo bom momento da economia brasilera. O País navega na maré mundial.

EM ALTA
Tarso Genro encontrou seu espaço no Ministério da Justiça. Criticado no início da gestão pela renovação dos quadros, ele provou que estava certo. Luiz Fernando Corrêa, diretorgeral da Polícia Federal, é um exemplo disso. Sem estardalhaço, sua primeira operação desbaratou um esquema que fraudava R$ 1,5 bilhão. Como não bastasse, depois de receber criticas por ter ido a Mônaco, o ministro teve duas boas notícias. O Supremo Tribunal Federal negou o pedido de habeascorpus feito por Salvatore Cacciola e o principado já pediu ao Brasil o roteiro da volta do ex-banqueiro.

EM BAIXA
Não é de hoje que grandes empresas ameaçam abandonar projetos no Brasil por conta da parca infra-estrutura. Agora é a vez da Vale do Rio Doce. A mineradora estuda a construção de fábricas de alumínio no Exterior para contornar as dificuldades no fornecimento de energia. A crítica de Roger Agnelli, presidente da Vale, teve endereço certo: o Ministério de Minas e Energia. Nelson Hubner, o ainda interino ministro, não tem força para alavancar novos projetos. E ainda esbarra na burocracia ambiental que colocou em xeque um projeto, também da Vale, para a construção de uma termelétrica no Pará.

JOGO DE CINTURA
Conhecido pelo largo sorriso, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, vai precisar mais do que isso se não quiser deixar um mau legado. É que a falta de água potável e de esgoto é responsável por 80% das doenças e 65% das internações. E, em vez de investimentos, o Orçamento de 2008 prevê cortes nessas áreas.

MINISTRO?
Está novamente por um fio a situação de Mangabeira Unger no governo. É que o Planalto resolveu utilizar um decreto, baixado na ditadura militar, para criar um novo ministério para o filósofo. O problema é que o assunto foi parar no STF, levado pela oposição. Enquanto isso, Mangabeira está na África. E sem justificativa para a viagem.

NOVO BLOCO
O Mercosul ainda engatinha e o chanceler Celso Amorim já se prepara para um novo problema. O Conselho Empresarial Índia- Brasil-África do Sul pretende cobrar dos governos dos três países a adoção de um tratado de livre comércio. A proposta foi entregue ao presidente Lula na última quarta-feira 17, em Pretória, na África do Sul.


Poder

Nº edição: 525 | 17.OUT - 10:00 | Atualizado em 27.02 - 13:53

Poder

por Carlos Sambrana

O GARGALO DA EDUCAÇÃO
Impressionado com os baixíssimos níveis de aprovação nos exames da OAB, o vice-presidente da República, José Alencar, concluiu que o Brasil precisa investir pesado no ensino básico se não quiser enfrentar um gargalo na mão-de-obra qualificada. “Hoje, as pessoas sem formação adequada recorrem a cursos supletivos e entram em faculdades sem estrutura. Conseguem se graduar, mas precariamente”, constata Alencar. Apesar do esforço, não têm preparo para enfrentar o mercado de trabalho. O vicepresidente aplaude o trabalho do “jovem Fernando Haddad”, no Ministério da Educação, mas diz que o País tem de fazer muito mais nos próximos anos.

A FARRA DAS ONGS
A CPI das ONGs no Senado terá muito trabalho. Levantamento do Contas Abertas, indica que até o dia 6 de outubro o Executivo destinou R$ 1,832 bilhão para entidades privadas sem fins lucrativos. Para o Tribunal de Contas da União, o governo não fiscaliza como deveria o dinheiro. O ministro Sérgio Rezende, de Ciência e Tecnologia, é o campeão na liberação de dinheiro. Só este ano, transferiu R$ 417,4 milhões. Abaixo dele estão Saúde (R$ 305,2 milhões), Esporte (R$ 251 milhões), Desenvolvimento Agrário (R$ 133,6 milhões), Educação (R$ 178,2 milhões) e Turismo (R$ 107,2 milhões).

AMEAÇA CHINESA
Um dos motivos que levaram o presidente Lula a realizar a sétima viagem à África é a presença cada vez maior da China no continente. Os chineses têm aproveitado o vácuo deixado por russos e americanos para investir por lá. O Itamaraty quer mudar esse quadro. Mesmo porque empresas nacionais perderam espaço na África.

SINERGIA TOTAL
Écurioso, mas um aumento de 10% em investimentos em tecnologia da informação e comunicação pode contribuir para um aumento de até 3,6% do PIB, segundo pesquisa da Computing Technology Industry Association, em 15 países da América Latina. O Chile é o país que mais se beneficia com o uso de TICs. O Brasil ficou em quinto lugar.

Com Adriana Nicacio e Gustavo Gantois

EM ALTA
Dilma Rousseff
deu uma goleada nas concessionárias de rodovias. Após rever as condições do edital, bateu pé, não adiou a data do leilão do novo lote e viu confirmada sua previsão de que haveria interessados nacionais e estrangeiros. Com a vitória dos espanhóis e o deságio médio de 44% sobre o pedágio base, a ministra calou as boca dos críticos. E promete fazer o mesmo no leilão das hidrelétricas do rio Madeira. No Palácio do Planalto, são cada vez mais freqüentes os rumores de que, a prosseguir assim, a ministra da Casa Civil sairá como nome forte à sucessão de Lula.

EM BAIXA
A intenção era criticar o apetite do Estado. Mas o tiro saiu pela culatra. Embravecido pela federalização do Banco do Estado de Santa Catarina, agora sob as mãos do Banco do Brasil, o deputado Paulo Renato Souza decidiu publicar um artigo criticando a decisão do governo. Intitulado “Tentáculos da reestatização”, o texto foi enviado por e-mail ao jornal Estado de S. Paulo. Mas no corpo da mensagem ficou comprovado que o ex-ministro enviou o texto para análise e concordância de Márcio Cypriano, presidente do Bradesco, um dos maiores críticos da incorporação do Besc pelo Banco do Brasil. Pegou mal.

O ANTIBUROCRATA
O advogado João Geraldo Piquet Carneiro foi convidado pelo governador do DF, José Roberto Arruda, para colaborar na adoção de medidas que reduzam a burocracia da máquina pública. Como seu escritório de advocacia vai de vento em popa, Piquet Carneiro não ocupará um cargo oficial. Será uma espécie de consultor informal.

AÇÃO POPULAR
A presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Ellen Gracie, inaugurou cinco juizados especiais em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasilia. Não resolveu o problema da crise aérea, mas melhorou o ânimo dos brasileiros. Os passageiros, agora, têm onde reclamar e sabem que não será em vão: a indenização sai na hora.

TERRA PROMETIDA
Desde o primeiro mandato, o governo Lula já criou cerca de 6,5 mihões de empregos formais, segundo levantamento do Caged. Com isso, começa a se aproximar da promessa de campanha, de 10 milhões de novos empregos. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, está otimista e anuncia que um novo recorde foi batido em setembro


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Nº edição: 524 | 10.OUT - 10:00 | Atualizado em 27.02 - 12:07

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por Carlos Sambrana

A EMBAIXADA DE BLAIRO
O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, deixou o Brasil, no sábado 6, rumo à Rússia, com paradas na Alemanha, Bélgica, Holanda e França. Maggi leva a Moscou uma comitiva de líderes do agronegócio com a missão de defender a carne nacional. O mercado russo compra 80% das exportações de carne bovina e suína de Mato Grosso, mas tem endurecido a vigilância sanitária. Na semana passada, os russos vetaram a importação de carne de 14 empresas brasileiras. Na Europa, Maggi quer divulgar o potencial do Estado e ampliar os negócios com a União Européia. Ele tem ainda audiência marcada na Organização Internacional de Epizootias (OIE).

AONDE MESMO?
Em seu périplo pela África, de 14 a 19 de outubro, o presidente Lula desembarcará em Ouagadougou, capital de Burkina Faso. O país possui 80% da população na agricultura, mas proíbe a atividade na capital. Espera-se que Lula não se empolgue com o sistema político local, onde o Parlamento pode ser dissolvido pelo presidente.

O NOVO VÔO DOS CORREIOS
Está decidido: os Correios vão comprar 19 aviões cargueiros da Embraer. A empresa optou pelo projeto C-390, em detrimento dos 737 da Boeing, que atualmente fazem o transporte de carga. Num relatório interno, os aviões da Embraer aparecem com preço 17% menor e maior capacidade de transporte.

BERZOINI, O FAVORITO
Diante da forte resistência das bases petistas, o presidente Lula desistiu de bancar a candidatura do assessor Marco Aurélio Garcia à presidência do PT, nas eleições marcadas para dezembro. À falta de um nome de consenso, renascem as chances de Ricardo Berzoini permanecer no cargo. Lula chamou o deputado para uma conversa e deu sinal verde à sua reeleição. Berzoini, agora, é o favorito. E, além de recuperar sua força nos ministérios do Trabalho e da Previdência, vai pressionar para que a Secretaria das Relações Institucionais volte às mãos do PT. Walfrido dos Mares Guia que se cuide.

EM ALTA
As imagens falam por si. Na reunião do conselho político, na terça-feira 2, ficou claro que o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, tornou-se um dos principais interlocutores do presidente Lula. Sentado à mesa central, ao lado esquerdo do presidente, Franklin destacou- se dos demais ministros e foi encarregado de explicar aos líderes governistas os detalhes do texto da MP que criará a TV Pública. O investimento será de R$ 350 milhões e o projeto tem total apoio do Palácio do Planalto, que pretende pôr a emissora no ar já no início de dezembro.

EM BAIXA
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, saiu chamuscado de uma disputa com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Para evitar mais atritos, Stephanes retratou-se e garantiu que vai manter a proibição do plantio de canade- açúcar nos biomas mais complexos, como uma “premissa básica”. Ele diz que foi mal interpretado e que jamais defendeu o plantio nos biomas, pelo contrário, incentiva a produção de cana em áreas e pastagens degradadas. Ficou o dito pelo não dito e Marina deixou seu recado: “Não nos interessa que os biocombustíveis brasileiros possam ser identificados com práticas ambientais incorretas.”

NA BOCA DO LOBO
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, vai ao Banco Central expor a nova política industrial para os diretores da instituição. O convite foi feito por Henrique Meirelles logo após a reunião da Câmara de Política Econômica. Meirelles ficou intrigado com as metas de inflação e de juros que constam dos estudos do BNDES.

ANGU CARIOCA
A política do Rio de Janeiro entrou em rebuliço. Cesar Maia e Garotinho torceram o nariz para a filiação de Eduardo Paes ao PMDB. O ex-tucano, hoje secretário de Turismo, deve sair candidato à prefeitura em 2008, com apoio do governador Sérgio Cabral e também do Palácio do Planalto. Cai por terra o acordo PMDB/DEM.

ARRUDEANDO
Ao baixar um decreto demitindo o gerúndio, o governador do DF, José Roberto Arruda, quis enquadrar os burocratas que “só ficam elaborando, preparando, terminando...” e nada decidem. A medida repercutiu, mas não passou de pilhéria, sem efeito jurídico ou prático. Que Arruda demita não o gerúndio, mas os incompetentes.


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Nº edição: 523 | 03.OUT - 10:00 | Atualizado em 26.02 - 16:19

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por Carlos Sambrana

O RETORNO DE SILAS
O presidente Lula não se conforma até hoje com as pressões que sofreu para afastar Silas Rondeau do Ministério de Minas e Energia. Está convencido de que a denúncia contra seu auxiliar era frágil. E quer corrigir a injustiça o mais rápidamente possível. Aguarda apenas o relatório final do Procurador- Geral da República sobre a Operação Navalha para reconduzir Rondeau ao cargo. O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético, Marcio Zimmermann, que chegou a ser dado como favorito, está voando mais baixo. Se tudo der certo, terá de se contentar com a presidência da Eletrobrás. Nelson Hubner, ministro interino, voltará à Secretaria-Executiva

CONTRA O RELÓGIO
O texto básico da CPMF foi aprovado, mas tem de passar pelo segundo turno na Câmara. Depois, a emenda constitucional precisa ser aprovada em dois turnos pelo Senado. O prazo é apertado e a expectativa é de que a PEC só chegará à Casa Alta depois do feriadão de 12 de outubro.Acontece que a emenda da CPMF, pelo princípio da anuidade, tem de ser aprovada até 31 de dezembro. E a oposição está determinada a pôr pedras no caminho. Por isso, o Palácio do Planalto hoje é o maior interessado em que baixe a poeira do caso Renan Calheiros e o Senado retome a tranqüilidade. Mesmo com Renan à frente.

BRIGA NA ANATEL
O conselheiro Pedro Jaime Ziller pediu vistas no processo de compra da Telemig Celular pela Vivo e adiou a decisão da agência para 8 de outubro. Ele quer que o conselho analise conjuntamente as aquisições da Vivo, o que inclui a Amazônia Celular. O relator, Antônio Bedran, acha que deve haver um exame à parte da concentração de mercado.

MIGUEL PROMOVE
Mguel Jorge começou a mexer com peças importantes do Ministério do Desenvolvimento. Decidiu promover Armando Meziat, hoje na Secretaria de Comércio Exterior, para titular da Secretaria de Desenvolvimento da Produção. No MDCI desde 1991, egresso da Cacex, Meziat será o responsável pela implantação da política industrial.
Com Adriana Nicacio e Gustavo Gantois

EM ALTA
Vai longe o tempo em que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, arrancava ranger de dentes dos petistas ortodoxos. Hoje, com o País próximo do grau de investimento, Meirelles tornou-se unanimidade nacional. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ele só ouviu elogios. O senador Jefferson Peres (PDT/AM) chamou o BC de “guardião pit bull” do real. E o senador Mão Santa (PMDB/PI) comparou Meirelles ao financista Jean-Baptiste Colbert, principal responsável pelo fausto de Luís XIV, o Rei Sol. Um assessor temido pelo próprio monarca.

EM BAIXA
O senador Aloizio Mercadante (PT/SP) não pára de se meter em trapalhadas. Depois da abstenção polêmica na sessão secreta que manteve o mandato de Renan Calheiros, liderou com a oposição uma manobra para esvaziar o plenário do Senado, até que o político alagoano deixe a presidência da Casa. A manobra gerou confusão: PT, PSDB e DEM, unidos, em obstrução ao governo, com cinco medidas provisórias trancando a pauta. Ao justificar suas ações, Mercadante recorreu ao filme do cineasta polonês Andrzej Wajda sobre a Revolução Francesa. Mas nem aí acertou. Confundiu Danton com Robespierre.

SOMBRA E ÁGUA FRESCA
Desde 5 de setembro, o ex-governador do Acre, Jorge Viana, é o novo presidente do conselho da Helibrás – maior fabricante de helicópteros da América Latina. Ele tem dito a amigos que não poderia ter emprego melhor. O salário é seis vezes maior do que o de governador e Viana mantém distância das intrigas políticas.

UMA SÓ CAJADADA
O governador da Bahia, Jaques Wagner, está em campanha para entronizar o deputado Zezéu Ribeiro (PT/BA) na presidência da Sudene. Assumiria seu lugar na Câmara o primeiro suplente, o jornalista Emiliano José, autor do livro “Crônica de uma vitória não anunciada”, no qual conta como Wagner “derrotou o atraso”.

APLICAÇÃO DE RISCO
Você compraria um bônus da Venezuela emitido por Hugo Chávez? O Bônus do Sul, que combina títulos venezuelanos e argentinos, está na terceira emissão. Foi colocado no mercado US$ 1,5 bilhão, por 108% do valor de face. Com sucesso absoluto. Chávez agradece e vai engordando seu caixa.