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Dinheiro da Redação

A volta do emprego

Nº edição: 598 | 25.MAR.09 - 10:00 | Atualizado em 19.Apr.14 - 15:40

As boas novas do setor produtivo começaram a aparecer em conta-gotas desde o início do ano.

por Carlos José Marques

As boas novas do setor produtivo começaram a aparecer em conta-gotas desde o início do ano. Primeiro, algumas indústrias, como a automobilística, deram sinais de retomada. No varejo, a venda de eletrodomésticos mostrou um promissor incremento na ponta do consumo. E, na área de serviços, a onda de avanço seguiu em curso firme nesses primeiros meses, quase a ignorar os efeitos da crise mundial. O Brasil está consumindo mais energia. Várias empresas estão divulgando gordos lucros. E os investimentos estrangeiros ensaiam uma volta. Tímida, mas, ainda assim, uma volta. O coquetel de respostas positivas desembocou na semana passada no mais alvissareiro vetor de saúde econômica: o saldo favorável no número de empregos gerados no mercado. Pela primeira vez, em três meses, o total de contratações superou o de demissões no País. Isso significa, na prática, que vários segmentos produtivos estão precisando ampliar, e não reduzir, sua base de mão-de-obra para atender a uma demanda que – ao contrário das previsões pessimistas – não encolheu na dimensão esperada. Ela aumentou, sim, em diversos ramos de atividade. Na construção civil, no setor de serviços, na administração pública e mesmo na agricultura, para ficar nos exemplos mais expressivos, há dados que corroboram a pesquisa de mais trabalho. Um saldo real de cerca de nove mil empregos que, embora magro, é extremamente promissor por sinalizar um freio na ameaça de recessão por aqui. Recuperar a normalidade é hoje o objetivo perseguido por dez entre dez companhias, dentro e fora das fábricas. E parece que os empreendedores nacionais, calejados pelas experiências anteriores, estão conseguindo isso. Como disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ao saber dos dados: “O mais importante é que a curva mudou.” O movimento ainda pequeno não dá para gerar euforia, mas demonstra que a roda da economia brasileira tem maiores chances – melhores que a da média – de voltar ao seu ciclo de expansão rapidamente.


A nova era da telefonia

Nº edição: 596 | 11.MAR.09 - 10:00 | Atualizado em 20.Apr.14 - 15:23

É fato que a indústria de telefones no País, em especial no campo dos celulares, se converteu em um modelo de operação ideal para todos os envolvidos.

por Carlos José Marques

É fato que a indústria de telefones no País, em especial no campo dos celulares, se converteu em um modelo de operação ideal para todos os envolvidos. Oferta em abundância e variada de produtos aos consumidores, fatias do negócio muito bem divididas entre as operadoras, rateadas quase que milimetricamente em partes iguais, e desenvolvimento tecnológico acelerado. Sem contar, claro, os lucros – grandes lucros ! – que parecem imunes a qualquer tempo ruim dos ventos da crise mundial. O brasileiro conquistou tardiamente o seu direito a telefonia – ainda estão na memória os tempos em que uma linha vinha cotada em dólar e comprá-la só era possível no mercado negro. Foi uma espera longa para se experimentar por aqui as vantagens da comunicação padrão Primeiro Mundo, mas quando ela apareceu veio em ritmo alucinante. Desde a semana passada, abriu-se uma nova era de possibilidades e na relação do consumidor- produtor de telefones. A chamada portabilidade dos celulares, que permite ao proprietário de uma linha migrar sem burocracia de uma operadora para outra, está formalmente em vigor em todo o País e estabelece uma reviravolta na forma de concorrer e seduzir os clientes. O jogo está novamente aberto e avançar sobre a posição do operador rival vai exigir criatividade e mais, muito mais, eficiência. O consumidor anima-se com as inúmeras alternativas que lhe aparecem nesse campo, mas mostra-se, ao mesmo tempo, cada vez mais seletivo em suas escolhas. É tempo de competitividade, o mais eficaz motor de avanço de qualquer área produtiva. Aquela empresa que mais rapidamente perceber e entender os anseios de seus potenciais compradores poderá se credenciar a um domínio sem precedentes desse que é hoje um dos mais promissores negócios da economia brasileira. Na reportagem que começa à pág. 62, a revista DINHEIRO mostra como os principais concorrentes estão se preparando e se posicionando no tabuleiro para esse duelo de titãs. Um dos entrevistados, João Cox, presidente da Claro, exprimiu assim a expectativa que cerca os candidatos: “Ganha quem está realmente preparado para a alta competitividade desse mercado.” A indústria de telefones vai oferecer a todos os demais empreendedores brasileiros uma experiência didática de como tomar conta de um bolo. Quem vencerá? Façam suas apostas!


No ritmo chinês

Nº edição: 595 | 04.MAR.09 - 10:00 | Atualizado em 19.Apr.14 - 13:38

A China é o fiel da balança que vai medir o tamanho da força com a qual o mundo sairá da crise

por Carlos José Marques

A China é o fiel da balança que vai medir o tamanho da força com a qual o mundo sairá da crise. Economistas e autoridades de vários países estão de olhos fixos no desempenho do PIB chinês e nas eventuais medidas para turbinar aquela economia. Em vez dos EUA, que estão mergulhados até o pescoço num aperto financeiro sem precedentes - e do qual, parece, vão demorar a se livrar -, são os chineses que apresentam as melhores chances de liderar a retomada. Pelos primeiros números do ano, o desempenho da produção interna segue no bom caminho. A balança comercial em janeiro cravou o maior superávit mensal de toda a sua história. Foram quase US$ 39 bilhões, correspondentes a um crescimento de 102% no saldo comercial, em comparação com janeiro do ano passado. O que explica, em parte, o resultado é a reorientação da atividade industrial chinesa, que passou a comprar menos de fora e procurou novos mercados para ampliar o leque de potenciais clientes. A China, fazendo jus à fama de principal tigre asiático, está na caçada e esbanja exemplo de postura pró-ativa em meio à reclusão geral. O relatório do Banco Credit Suisse, recém-divulgado, não deixa dúvidas. Aponta que a China já interrompeu o movimento de queda de seus indicadores e reacelerou o PIB. Da produção industrial ao comércio, nível de emprego e mesmo as linhas de financiamento e crédito, todas as estatísticas seguem em avanço consistente. O Banco Popular da China, espécie de banco central chinês, estimou em 8% o percentual de aumento do PIB para 2009. A Academia Chinesa de Ciências Sociais, um dos mais respeitados institutos daquele país, foi ainda mais longe. Projeta um crescimento da ordem de 9% para o período, "apesar da enorme incerteza que cerca o planeta", como registrou em seu relatório de atividades. É bem verdade que esses são números aquém do desempenho de anos recentes, mas, diante da conjuntura, não deixa de ser promissora uma subida desse porte. Os mais pessimistas apontavam ainda na virada do ano que o teto do PIB chinês não ultrapassaria o patamar de 6%. Ainda é cedo para cravar a volta aos bons tempos, mas o estrago lá também não será como o imaginado.

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