Rss

Blogs e colunas

Dinheiro da Redação

A volta da blue chip

Nº edição: 674 | 03.SET - 21:00 | Atualizado em 03.09 - 21:25

As ações da Petrobras foram ao chão nos últimos tempos. Caíram pela metade e aguardavam o plano de capitalização do governo para voltarem a brilhar.

por Carlos José Marques

O plano acaba de sair. Os novos papéis da empresa seguem para venda no final de setembro. O preço médio do barril cotado para efeito da transação não foi nem o pretendido pelo governo, tampouco o sugerido pelos representantes dos minoritários. Ficou no meio-termo, em US$ 8,51 por barril. 

81.jpg

 
Lula queria o barril por mais de US$ 10 e os sócios batiam pé em algo em torno de US$ 6. Nessa oscilação de apostas é que girou o forte movimento de baixa dos papéis. 
 
A Petrobras, com a sua monumental reserva de pré-sal, caminha rapidamente para se tornar a maior empresa do mundo. Se hoje já é um portento, especialistas apontam que ela deve em curto prazo ficar três a quatro vezes maior. 
 
Portanto, ser sócio nessa empreitada é um negócio fabuloso. Um negócio que deve, via mercado de ações, garantir a aposentadoria de muita gente. Somente no movimento de capitalização que se inicia neste mês, o aporte de capital esperado é de mais de US$ 90 bilhões por parte de investidores privados e de outros US$ 42,55 bilhões por parte do governo. 
 
A parcela oficial corresponde à cessão dos 4,999 bilhões de barris de petróleo encontrados no subsolo do País e que são de propriedade da União. A Petrobras poderá explorar esse manancial de combustível existente em áreas do pré-sal que ainda não foram concedidas, seguindo determinadas regras previstas em contrato. Para o acionista, desenha-se um cenário promissor. 
 
Exatamente neste momento os papéis da companhia encontram-se por um valor considerado verdadeira pechincha. O movimento especulativo, forçando para baixo as cotações, é natural às vésperas de grandes reviravoltas em qualquer corporação. 
 
A Petrobras, que já foi a maior blue chip da bolsa brasileira, perdeu a posição, mas deve rapidamente retomar o posto com essa arrancada. Uma medida provisória recém-anunciada facilita a participação de bancos federais, empresas estatais e do Fundo Soberano na capitalização. 
 
É uma garantia de que existe colchão financeiro para levar adiante a operação. Participar dessa janela de oportunidade é talvez a mais rentável alternativa disponível nos pregões atualmente. 
 

O ajuste de Dilma

Nº edição: 673 | 27.AGO - 21:00 | Atualizado em 27.08 - 21:26

Disciplina fiscal não deve ser confundida com freio na economia. Ao contrário, ela cria a base por onde segue o desenvolvimento.

por Carlos José Marques

Com o vazamento da informação de que a candidata Dilma Rousseff estuda ao lado de Lula e aliados algumas medidas de contenção de despesas, muitos partiram a reclamar contra o arrocho. 

87.jpg

 
O fato é que não há erro nenhum na ideia. É da lógica natural da democracia que em começo de governo o mandatário possua capital político de sobra para gastar. E em fim de governo, as amarras afrouxem. A situação atual não é diferente. As contas públicas, nesta reta final da gestão Lula, ganharam gordura por todos os lados. 
 
Nada que comprometa o fôlego de crescimento do País, mas naturalmente a distensão dos investimentos e custos acendeu o sinal amarelo. Ao manter uma rigorosa vigilância sobre as metas de superávit primário, autoridades estão reforçando o maior pilar de sustentação da estabilidade – conquista dos brasileiros que ninguém quer perder. 
 
Na proposta de rearrumação financeira de Dilma incluem-se a redução da meta inflacionária, de 4,5% ao ano para 4%, o corte de despesas ministeriais e forte encolhimento dos salários do funcionalismo público. Nenhum administrador minimamente preocupado com resultados faria diferente em sua empresa. As medidas são necessárias. 
 
Vêm em boa hora e, seja qual for o sucessor escolhido para ocupar o lugar de Lula, terão de ser realizadas. Tudo mais é prosopopeia política. A oposição, para ganhar alguns pontos com a torcida na base do apelo populista, fez terrorismo da proposta. 
 
E jurou de pés juntos que não seguirá por esse caminho. Ou mente ou está vendendo irresponsabilidade administrativa. Não há alternativa. A missão de não embarcar em aventuras contábeis deveria estar incluída na cartilha de qualquer bom governante. 
 
A saúde econômica do País passa necessariamente por uma revisão fiscal e monetária, como a tão esperada reforma tributária. Por falta de coragem política, de disposição das lideranças partidárias e pela demora na articulação para aprová-la é que ela vem se arrastando até hoje. Talvez tenha chegado finalmente a hora de adotá-la. Trabalhadores e empreendedores – como já demonstraram antes – certamente apoiam essa saída.
 

A relação com o tigre chinês

Nº edição: 672 | 20.AGO - 21:00

O mundo está andando no compasso da China. E o Brasil movimenta-se para se tornar um dos maiores parceiros comerciais desse gigante.

por Carlos José Marques

Ao longo de 2010, o comércio bilateral entre brasileiros e chineses subiu quase 60%, contabilizando perto de US$ 35 bilhões em faturamento. E o ano ainda nem terminou. O Brasil possui identidades operacionais com a China que facilitam essa aproximação. Ambos contam com imensos mercados ainda pouco explorados.

A China quer trazer mais carros para cá. O Brasil, em contrapartida, possui um celeiro de produtos agropecuários que interessa muito ao parceiro. Especialmente após a forte migração chinesa do campo para as metrópoles. São duas nações emergentes que se complementam em diversas áreas e que começam a desenvolver vários projetos juntas.

86.jpg

A China tem um estilo muito próprio de fazer negócios. Seu principal atrativo é o preço. Mas, como em qualquer transação que aparentemente se mostra vantajosa demais para um dos lados, o barato pode sair caro. Tome-se o caso da indústria têxtil brasileira. Ela foi praticamente aniquilada pela invasão sem controle dos tecidos de fios especiais e custo irrisório vindos do Oriente para cá.

No mercado interno, o consumidor se beneficiou do barateamento das roupas, mas o eventual fechamento de fábricas lá na frente – que pode ocorrer devido à incapacidade de sobrevivência diante das práticas escancaradas de dumping – vai comprometer empregos, salários e, por tabela, o bolso desse mesmo consumidor.

Claro, a alternativa não é abortar essa escalada de parcerias que vem sendo construída entre os dois países. Mas disciplinar a relação. Reavaliar regras de controle das importações. A China, apesar do crescimento acelerado que vive de maneira ininterrupta desde os anos 80, encontra regimes muito mais rígidos do que no Brasil para lançar seus produtos. Relacionar-se com ela comercialmente é inevitável – e até desejável –, mas o cuidado com a qualidade dessa relação é fundamental. Do contrário, o País corre o risco de ser engolido pelo tigre. 

 


O valor da eficiência

Nº edição: 671 | 12.AGO - 21:00 | Atualizado em 16.08 - 10:39

A fórmula da empresa bem-sucedida não está mais nas antigas cartilhas dos cursos de administração

por Carlos José Marques

A fórmula da empresa bem-sucedida não está mais nas antigas cartilhas dos cursos de administração nem tampouco nos manuais convencionais que historicamente regiam o funcionamento nas linhas de produção. O conceito de eficiência corporativa também deixou de lado o princípio do lucro como objetivo único. Ampliou-se. 

Foi além da linha do balanço que aponta o último número. Seguiu por critérios tão variados como o da transparência e o das práticas de governança e sustentabilidade. Avançou pelo campo da inovação e qualidade. Delimitou regras de comportamento funcional, do operário à alta direção. 
 
94.jpg
 
No todo, o pacote de avaliação da eficiência agora é estabelecido a partir de um amplo espectro de fundamentos. Juntos eles são capazes, ao mesmo tempo, de atrair investimentos, linhas de crédito fáceis, consumidores, acionistas, admiradores, cobiça e respeito dos concorrentes, etc. 
 
E aí, sim, a empresa avaliada alcança a tão almejada valoração da marca. Nesses novos tempos, a marca de uma companhia é o seu maior capital, o motor impulsionador de negócios, o chamado “goodwill”, a reputação como ativo vital.
 
Escalar essa montanha de prerrogativas e destacar-se em um mercado cada vez mais competitivo e implacável não é fácil. E tão complexa como cuidadosa tem sido a tarefa de apontar destaques no universo empresarial. 
 
Em sua sétima edição, o ranking de AS MELHORES DA DINHEIRO projetou-se como um guia respeitável no ambiente corporativo justamente por ser o único a apresentar tamanho lastro de informações para medir a vitalidade e eficiência dos grandes grupos do País. 
 
Quinhentos titãs do empreendedorismo estão relacionados na última edição de AS MELHORES DA DINHEIRO (já nas bancas) e o grupo campeão da lista, Brasil Foods, leva a capa desta revista que você tem em mãos. A partir da pág. 60, a reportagem sobre a Brasil Foods conta uma trajetória fabulosa, desenhada no curto espaço de tempo desde o surgimento do grupo – que ocorreu com a fusão de Sadia e Perdigão em 2009. 
 
A empresa Brasil Foods é uma referência, um modelo a ser seguido por muitos, por sua atuação firme dentro da plataforma do empreendedorismo moderno, responsável, lucrativo e, pela soma desses princípios, mais eficiente.

BNDES no alvo

Nº edição: 670 | 06.AGO - 21:00

Maior banco de fomento do País, motor de arrancada do PAC e do crédito às exportações, o BNDES está sob ataque.

por Carlos José Marques

 Maior banco de fomento do País, motor de arrancada do PAC e do crédito às exportações, o BNDES está sob ataque. O motivo é o aumento considerável da participação do Tesouro nos empréstimos do banco. Um estudo do Ipea mostrou que essa participação subiu de 6% para cerca de 40% entre 2001 e 2009.

A verba oficial transferida para lá deve alcançar neste ano o valor de R$ 80 bilhões, parcela significativa no montante disponível na instituição, cujo total no ano passado girou em torno de R$ 145 bilhões. O problema é que o dinheiro repassado ao BNDES é gerado a partir da emissão de títulos do Tesouro, que paga taxas de mercado e depois o empresta pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), bem mais barata.

 

77.jpg

 

A diferença é bancada pelos cofres do governo como uma espécie de subsídio. Tudo bem, é papel do Estado financiar o desenvolvimento. Mas, nos patamares de recursos do Tesouro em que vêm sendo realizados, esses aportes podem provocar um efeito reverso na economia por aumentar o tamanho da dívida pública.

Mais uma queixa recorrente é a de que nem todo o universo empresarial é atendido por esse mecanismo de crédito bom e barato. Os critérios de liberação do BNDES impõem, segundo vários tomadores, um excesso de burocracia e limitações por área de atividade, dificultando o acesso às linhas de crédito. A prioridade de destino dos recursos tem sido as obras de infraestrutura, compra de maquinário e capital de giro de empresas exportadoras.

Diante da demanda existente, é até um foco de ações restrito. Ampliar a gama de atividades produtivas cobertas pelo banco deveria ser a regra. O presidente do BNDES, o economista Luciano Coutinho, tem resposta para todas as queixas. Lembra que o aumento da participação do BNDES na conta do Tesouro se deu também quando a crise global afetou o financiamento externo, as linhas ficaram escassas e por isso mesmo o banco teve de incrementar o seu papel de agente de crédito junto às empresas nacionais.

Coutinho relativiza o impacto negativo da participação oficial no caixa do banco e diz que o custo do capital no Brasil poderia ser bem maior, caso não existisse uma atuação forte do BNDES. Tudo isso é verdade também, mas continuar na toada de crescimento dos recursos federais nesse montante do banco é uma estratégia que, lá na frente, com a dívida pública aumentando, pode custar caro demais para o contribuinte. 

 

 


A guerra pelo mercado Brasil

Nº edição: 669 | 30.JUL - 21:00 | Atualizado em 30.07 - 21:49

A virada na telefonia, com as transações bilionárias da semana passada, mexem no tabuleiro das empresas atuantes no setor

por Carlos José Marques

 A virada na telefonia, com as transações bilionárias da semana passada, mexendo por completo no tabuleiro das empresas atuantes no setor, dá um claro sinal de como o Brasil vem assumindo uma posição hegemônica nos planos de investimentos das corporações e do peso que esse mercado ganhou em diversas áreas como eldorado dos negócios. 

 
Ninguém quer ficar de fora e o preço do bilhete de entrada está cada vez mais caro. E não é para menos. O potencial geométrico de consumo e as altas taxas de crescimento dos últimos tempos transformaram o Brasil na opção mais óbvia para quem almeja retorno garantido.
 
 
76.jpg
 
 
 
A espanhola Telefônica, por exemplo, não mediu esforços nesse sentido. Para mergulhar finalmente no nicho da telefonia celular aqui pagou sonoros 7,5 bilhões de euros e comprou a líder do ramo no País, a Vivo. 
 
Para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que o número corresponde a quase o valor total de mercado das ações da antiga controladora, a Portugal Telecom (PT). 
 
Ou seja: a Telefônica adquiriu um braço da PT pelo custo que a corporação toda valia. É bem verdade que se tratava da “galinha dos ovos de ouro” do grupo, mas, em termos comparativos, foi como se alguém pagasse pela roda o preço de um carro inteiro. Haja disposição para lucrar na telefonia brasileira! 
 
A PT, por sua vez, não perdeu tempo e, ao contrário do que se imaginava, não abdicou de manter uma operação nessa rentável praça. Entabulou entendimentos rápidos e decidiu gastar 3,6 bilhões de euros, pouco mais da metade do que recebeu, para entrar como sócia da brasileira Oi. 
 
A movimentação no ramo da telefonia foi apenas mais um dos capítulos dos esforços das multinacionais para fincar suas bandeiras no mercado interno. A história recente desses avanços está repleta de casos de portentos empresariais que se deram muito bem por aqui. 
 
Entre as montadoras de carros, por exemplo, a italiana Fiat viu a sua subsidiária brasileira faturar mais que a matriz. No setor bancário, gigantes como o Santander e o HSBC elegeram o Brasil como destino preferencial de seus investimentos por entenderem que assim podem ter mais dividendos. 
 
A suíça Nestlé detém internamente sua segunda maior operação e a maior do mundo, Coca-Cola, coloca o País ao lado dos EUA e do México como praças de melhor consumo. É por essas e por outras que o Brasil virou a bola da vez.
 
 

Informal e lucrativo

Nº edição: 668 | 23.JUL - 21:00

Como encarar a ideia de que mais e mais negócios estão surgindo na chamada "economia informal", paralela e ilegal, arrebatando estrondosos lucros sem pagar impostos e direitos trabalhistas?

por Carlos José Marques

Para qualquer empresa do setor produtivo que cumpre suas obrigações, investindo caro em eficiência para arrancar algum resultado, a concorrência desleal e desigual é inaceitável e desestimula. Surpreende que ainda nos dias de hoje, em meio ao esforço geral pelo desenvolvimento acelerado e no trilho das regras globais, o mercado concorde passivamente – com o beneplácito de fiscais e órgãos controladores – que o Brasil siga transformado em praça aberta para o contrabando, a camelotagem e os esquemas de sonegação de toda ordem.
 

47.jpg

 

Na semana passada, um estudo da Fundação Getulio Vargas deu conta dessa realidade internamente. Revelou que o volume de atividades subterrâneas por aqui, distribuído por vários setores, atinge a impressionante cifra de mais de meio trilhão de reais ao ano, ou quase 20% do PIB brasileiro. São exatos R$ 578 bilhões.

Essa montanha de dinheiro que corre por debaixo do pano se iguala em cifra ao total do PIB da Argentina. Uma barbaridade! Estão inclusas na conta as mais diversas operações, inclusive ilícitas, como tráfico de drogas e contrabando. Digno de países terceiro-mundistas, o cenário de mafuá de bugigangas, falsificações e mercadorias ilegais não cabe no figurino de um país que se pretende respeitado na comunidade internacional como player digno de integrar o clube das grandes potências.

Claro que para o desempenho vigoroso na área da ilegalidade contou muito o alto peso da carga tributária ainda em vigor. A sanha arrecadatória, naturalmente, estimula o mergulho de vários “empreendedores” na informalidade, na qual nada se paga e tudo se contabiliza como dividendo.

Dois caminhos, não excludentes entre si, deveriam ser adotados pelas autoridades para reverter o processo: o da baixa dos impostos e o do aperto na fiscalização. A fórmula ideal. Isso todo mundo já sabe! A incógnita que permanece é o porquê de ninguém, quando chega ao poder, levar a cabo a tarefa de executá-la. 

 


Falta de educação na economia

Nº edição: 667 | 16.JUL - 21:00 | Atualizado em 16.07 - 21:00

Dois números divulgados nos últimos dias, sobre emprego e educação, aparentemente não guardam relação entre si.

por Joaquim Castanheira

Dois números divulgados nos últimos dias aparentemente não guardam relação entre si.Um deles, auspicioso, mostra que o Brasil criou 1,5 milhão de postos de trabalho nos primeiros seis meses do ano. Com isso, o País praticamente atingiu um estágio inédito em sua história: o pleno emprego, aquele cenário no qual não falta ocupação para quem estiver disposto a trabalhar – e esse é o tema da reportagem de capa desta edição da DINHEIRO.

A notícia confirma que a economia realmente está despertando de um longo período de hibernação. Mas coloca um desafio monumental diante de nós. Como abastecer as empresas com a mão de obra necessária para sustentar o crescimento da economia? Como manter uma expansão do PIB em torno de 5%, sem retirar da frente mais esse gargalo?
 

 64.jpg

 

Aí entra outro número que ganhou destaque nas últimas semanas: ano após ano, União, Estados e municípios não chegam a usar sequer todo o dinheiro que têm disponível para a educação. Em média, 15% dos orçamentos oficiais destinados a esse item não chegam às salas de aula. A preocupação em manter o superávit fiscal por um lado, e a burocracia por outro, além da ausência de vontade política, explicam essa anomalia. Pior: além de investir mal, o Brasil investe pouco.

A Constituição determina que 18% das receitas de impostos sejam destinados à educação. Essa determinação, porém, não é cumprida desde 1994, quando o governo conseguiu desvincular das obrigações constitucionais 20% da arrecadação. Calcula-se que, entre 1994 e 2008, cerca de R$ 80 bilhões tenham deixado de irrigar a educação no País.

Felizmente, o artifício da desvinculação terminará em 2011. Isso contribuirá para que o Brasil passe a investir cerca de 5% do PIB na formação de seus habitantes, índice semelhante ao dos países desenvolvidos. Segundo especialistas, no entanto, esse percentual deveria atingir 10% para compensar os investimentos escassos das últimas décadas e acelerar o processo de qualificação de pessoal.

Ignorar esse fator pode ser desastroso para a economia. A abundante criação de postos de trabalho e a falta de gente apta a ocupá-los pressionam para cima os salários e, por tabela, a inflação. Ninguém, evidentemente, torce pelo desemprego, mas o desequilíbrio nesse campo torna-se prejudicial para todos.     
 


Preservação e produção na floresta

Nº edição: 666 | 09.JUL - 18:00 | Atualizado em 09.07 - 18:10

O Congresso foi palco de uma grande guerra entre ruralistas e ambientalistas na semana passada. Em votação, o novo Código Florestal.

por Carlos José Marques

O regulamento foi aprovado em primeira instância na Comissão Especial da Câmara e que segue para plenário somente após as eleições, tal o teor explosivo e financeiramente caótico de suas determinações.

Ainda na Comissão Especial, o capítulo que provocou a discórdia entre as duas bancadas foi o da anistia pura e simples aos que desmataram terras de forma ilegal. A liberação a esses infratores vale para crimes do tipo provocados entre 1998 e 2008.
 

69.jpg

 

Com a medida o governo terá de abrir mão de algo em torno de R$ 8 bilhões em multas que seriam aplicadas aos desmatadores. Em troca, eles devem se comprometer a recuperar as áreas devastadas, entrando para o programa de regularização florestal.

Foi, não há dúvida, uma concessão e tanto. E não a única. As pequenas propriedades – assim consideradas aquelas com áreas de até quatro módulos florestais (cada módulo varia de 5 a 110 hectares, a depender da região avaliada) – terão tratamento especial.

Ficam a princípio dispensadas de cumprir a preservação em pelo menos 20% de seus terrenos. Essa facilidade está baseada no argumento de que a renda no campo para pequenos produtores vinha sendo inviabilizada devido à rigidez legal no que se refere ao conceito da floresta em pé.

Os proprietários dessas áreas não estavam conseguindo manter seus negócios e gradativamente vinham abandonando a atividade produtiva, com impacto direto no abastecimento agropecuário e no preço final das mercadorias.

A reforma das regras para frear esse processo mostrava-se urgente, numa delicada costura que não provocasse danos irreversíveis à natureza. É o que os parlamentares tentaram fazer. Se conseguiram a medida exata é outra história.

Evidentemente não apenas o Brasil está preocupado com o resgate ambiental do planeta. O mundo todo vem se empenhando nesse esforço e as metas de corte de emissões de gases, estabelecidas pela ONU para controlar o efeito estufa, dão prova disso. O perfeito equilíbrio entre preservar e produzir é a fórmula ideal que deve ser perseguida por todos os envolvidos e, de uma maneira ou de outra, o Brasil está dando seus passos nesse sentido.          

 


O diagnóstico do G-20

Nº edição: 665 | 02.JUL - 21:00 | Atualizado em 02.07 - 21:27

O mundo acaba de constatar que o grande culpado pelo descontrole das economias globais é o malfadado gasto público.

por Carlos José Marques

O diagnóstico foi dado durante reunião na semana passada da turma do G-20 – a congregação de países que se converteu nos últimos tempos no maior fórum responsável pela escolha dos rumos a seguir.
 

88.jpg

 

Nenhuma novidade no diagnóstico. Todo mundo já sabia que governos de qualquer latitude ou matiz política praticavam desde sempre o esporte do inchaço da máquina, com medidas populistas e sem nenhuma preocupação com as consequências no tamanho do endividamento de seu caixa lá na frente.

Por anos, a crescente escalada na arrecadação tributária, com o aumento de impostos e taxas pesadas, financiou essa farra. A tal ponto que recordes sucessivos foram sendo registrados na contabilidade da receita pública.

Empreendedores de várias nacionalidades que investiram em suas linhas de produção e trabalhadores que pagaram religiosamente os impostos geraram a dinheirama para um butim sem o retorno esperado. O G-20 agora quer mudar esse estado de coisas. Pregou uma rígida linha de controle fiscal para as economias participantes do bloco.

O problema maior é que os integrantes dessa patota do G-20 parecem mais do que nunca obcecados pela ideia de que o alvo prioritário das ações deve ser o combate à inflação via controle do consumo. Um equívoco.

Em diversas praças, especialmente na Europa e nos EUA, o desafio hoje é o da contração das vendas. As pessoas estão comprando o mínimo, pelo menor preço, estrangulando o processo nas linhas fabris. Muitos analistas apontam até que a ameaça no horizonte é a de uma deflação corrosiva.

Não a da carestia de preços. No âmbito do orçamento público, a questão antes de tudo não se limita ao aperto de cinto puro e simplesmente, sem critério e escala. É preciso manter a política de investimentos públicos vitais, não comprometendo com isso as metas fiscais.

A fórmula passa pelo controle de gastos inadequados e pelo reequilíbrio orçamentário a partir de políticas monetárias corretas. No Brasil foi divulgado há alguns dias que o superávit primário despencou em maio, no pior resultado dos últimos 18 anos.

Uma combinação fatal de aumento dos juros, que pressionou a dívida líquida do Tesouro, com a frouxidão no financiamento de projetos de cunho eleitoreiro em ano de campanha deve ter contribuído significativamente para o resultado. É o exemplo de como não fazer.