Rss

Colunas

Dinheiro da Redação

Está jorrando dinheiro

Nº edição: 814 | 17.MAI.13 - 21:07 | Atualizado em 17.May.13 - 21:07

Contrariando a onda de notícias negativas que arranhava os negócios do petróleo no Brasil, dois grandes feitos foram registrados na semana passada e dão conta do potencial do setor por aqui

por Carlos José Marques

Contrariando a onda de notícias negativas que arranhava os negócios do petróleo no Brasil, dois grandes feitos foram registrados na semana passada e dão conta do potencial do setor por aqui. A captação recorde de mais de US$ 11 bilhões pela Petrobras no Exterior foi a maior e mais bem-sucedida emissão jamais feita por uma empresa de mercado emergente. E por si só demonstrou o interesse que investidores depositam na capacidade de extração de petróleo na generosa camada do pré-sal recém-descoberta. 

 
67.jpg
 
Com os recursos arrecadados, a estatal ganhou fôlego e caixa extra para viabilizar seus planos de crescimento e, de quebra, retomar a capacidade de produção nos níveis que garantem autossuficiência no atendimento ao consumo interno de combustíveis. Todas as expectativas foram superadas no lançamento dos bônus da companhia. Da mesma maneira, o leilão de áreas de petróleo, com a retomada das licitações, registrou um recorde. Foram R$ 2,8 bilhões em bônus de concessão a partir dos 289 blocos ofertados. Mais que a cifra, há de se destacar a diversidade de players interessados em participar da empreitada – 12 grupos nacionais e 18 estrangeiros no total. As duas movimentações representam uma significativa melhora no humor do mercado, que vinha sistematicamente fazendo apostas contrárias, derrubando os papéis da Petrobras e praticamente abandonando os contratos de risco no País. 
 
Havia cinco anos que uma oferta como essa não era realizada e a demora, decerto, prejudicou o entusiasmo de empreendedores privados com as perspectivas internas da atividade. No leilão, é interessante notar a maciça participação de capitais nacionais, liderados pela própria Petrobras e pelos grupos privados OGX e Petra, que arrebataram a maioria dos blocos. O presidente da OGX, Eike Batista, vinha também de reveses seguidos e perda de credibilidade e parceiros nos seus negócios. O fôlego com o qual mergulhou na operação pode ajudar na melhora de sua imagem. De uma maneira ou de outra, as tacadas colocam o Brasil como o futuro eldorado da indústria petrolífera, o novo “país das arábias” no ramo. Algo que, com certeza, trará dividendos em escala para variados segmentos. 

Copo meio cheio ou meio vazio?

Nº edição: 813 | 10.MAI.13 - 21:00

Contaminadas por toda sorte de orientação política, em meio à corrida eleitoral que já está nas ruas, as análises dos números macroeconômicos estão se prestando a várias distorções e desenham cenários distintos sobre a real situação do Brasil

por Carlos José Marques

Contaminadas por toda sorte de orientação política, em meio à corrida eleitoral que já está nas ruas, as análises dos números macroeconômicos estão se prestando a várias distorções e desenham cenários distintos sobre a real situação do Brasil. Mesmo uma recuperação estatística, como a que ocorreu no caso da produção da indústria, que avançou 0,7% em março depois de ter caído 2,4% em fevereiro, é tida como tímida. Dizem os pessimistas de plantão: o setor retomou o crescimento, porém em um ritmo menor que o previsto pelo mercado. A indústria vinha de seguidos recuos de resultados – à exceção de janeiro último – e o simples fato de ter embicado seus números novamente para cima deveria ser comemorado como sinal de bons tempos. 

 
44.jpg
 
Mas não. Serviu para engrossar o caldo das críticas. É a velha e surrada ideia de olhar o copo como meio vazio e não como meio cheio. Para a turma do contra, nunca a reação é a ideal. Tome-se mais um exemplo: a economia americana começa a apresentar reação, com um processo consistente de reindustrialização e queda acentuada do desemprego – o menor índice em quatro anos. Sempre se disse que, quando a economia americana pega um resfriado, o mundo fica gripado. Em outras palavras, se os EUA vão mal, os demais países – Brasil a reboque – seguem pior ainda, dada a interdependência inevitável. 
 
Com os promissores avanços na terra do Tio Sam, especialistas avaliam agora que o mercado brasileiro será afetado negativamente. Terá problemas, dizem eles, com a transferência de investimentos para lá devido à falta de poder de competitividade. O círculo virtuoso interno, com o aumento do número de trabalhadores contratados, incremento do consumo e estímulos à produção, não importa. Não terá o impacto necessário. Nos últimos 25 anos, pelo menos 42 milhões de brasileiros deixaram a condição de miséria extrema. Hoje o contingente dessas pessoas representa pouco mais de 10,1% da população. O percentual já foi de 68,3% nos anos 1970. Essa revolução social que se transformou no maior motor de alavancagem do desenvolvimento interno dá, certamente, motivações para que muitos enxerguem o copo meio cheio e não meio vazio, contrariando os alarmistas de plantão.

Maus ventos lá fora

Nº edição: 812 | 03.MAI.13 - 21:12 | Atualizado em 03.May.13 - 21:12

Já não andavam bem as contas externas. A queda acentuada do superávit da balança comercial, aliada aos gastos crescentes de brasileiros lá fora, vinha pesando negativamente no resultado

por Carlos José Marques

Já não andavam bem as contas externas. A queda acentuada do superávit da balança comercial, aliada aos gastos crescentes de brasileiros lá fora, vinha pesando negativamente no resultado. Só em abril passado o Brasil registrou o maior déficit de sua história no mês, da ordem de US$ 994 milhões. Os sucessivos recuos dos números prejudicaram nossa posição no tabuleiro internacional. O ranking dos maiores parceiros para negócios mostra o País descendo ladeira abaixo de forma vertiginosa e perdendo fatia importante no mercado global. Para agravar o quadro veio a notícia que deve acender a luz amarela nesse campo. Juntos, Japão, EUA e União Europeia estariam levantando suspeitas de protecionismo contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), o xerife que arbitra as relações dos negócios globais. 

 
68.jpg
 
Numa articulada reclamação, eles pediram esclarecimentos sobre incentivos fiscais e questionaram a política industrial brasileira que classificam como “discriminatória”. O estopim da iniciativa foram as constantes mudanças de regras na área tributária para incremento da produção local. Alegam que as medidas, além de estarem sendo eternizadas – tirando delas o caráter temporário, como se propunha inicialmente –, são discriminatórias. Isto é: privilegiam a indústria nacional em detrimento das múlti que operam internamente. A queixa, como se pode verificar, é inconsistente. Mas o barulho que ela pode causar e seus efeitos colaterais, como sanções e revisões, levaram inúmeros empresários a colocar as barbas de molho. 
 
Eles apostam firmemente na nova política para o incremento de suas receitas e nem cogitam uma reversão no curto prazo. A inquietação externa, por sua vez, tem uma razão fundamental: o Brasil se converteu em excelente mercado consumidor, com mais de 104 milhões de novos compradores nos últimos anos. Diversas corporações já conseguem aqui seu maior faturamento. Caso da Fiat e do Banco Santander, para ficar em exemplos pontuais da indústria e do sistema financeiro. A simples perspectiva de grupos como esses jogarem em desvantagem com relação a concorrentes nacionais dispara o alerta. No plano dos esclarecimentos e acertos com a OMC, o Brasil não pode bobear. Qualquer descaso com a denúncia pode prejudicar pesadamente o já incipiente desempenho de suas exportações.

Gentilezas com o vizinho

Nº edição: 811 | 26.ABR.13 - 21:04 | Atualizado em 26.Apr.13 - 21:04

Depois da revoada de empresas brasileiras na Argentina a presidenta Dilma, em cruzada diplomática, seguiu para uma audiência na semana passada com a colega Cristina Kirchner, levando debaixo do braço uma proposta de agenda positiva.

por Carlos José Marques

Depois da revoada de empresas brasileiras na Argentina a presidenta Dilma, em cruzada diplomática, seguiu para uma audiência na semana passada com a colega Cristina Kirchner, levando debaixo do braço uma proposta de agenda positiva. Na prática, a presidenta do Brasil foi aparar arestas. A saída abrupta da Vale, que meses atrás anunciou a suspensão de um megainvestimento na província de Mendoza – provocando uma onda de protestos da comunidade portenha –, havia aberto uma ferida política entre os dois países. Depois da Vale, também a Petrobras quis bater em retirada. Colocou à venda ativos nas áreas de energia e refino. Diversas outras empresas privadas nacionais seguiram o exemplo, preocupadas com a situação instável daquele mercado. 

 
29.jpg
 
As mudanças constantes de regras, a pouca transparência nas contas públicas e o agravamento do quadro econômico local contribuíram para a debandada. O que preocupou os investidores foi principalmente o excesso de burocracia no corredor do comércio bilateral, a partir do esquema de Declaração Juramentada de Importações (Djai), que provocou um engarrafamento nos processos de liberação de cargas. Alguns produtos brasileiros hoje estão aguardando mais de 400 dias na fronteira antes de receberem autorização para entrar no mercado argentino. Um despropósito com altíssimos custos para quem se aventura na Bacia do Prata. Dilma foi pedir o fim da Djai e a garantia de que não ocorrerão retaliações contra a Vale. 
 
Em troca tentará dirimir resistências dos empreendedores brasileiros em apostar naquela praça. A equipe de Dilma está estudando também a liberação de um financiamento de mais de US$ 1,5 bilhão para um projeto de linha férrea em Sarmiento e outro, via empréstimo do BNDES, no valor de mais de US$ 5 bilhões, para a construção de duas usinas de energia do parceiro. É bem verdade que as amabilidades com o vizinho não dependem apenas da disposição de Dilma. Não se restaura a confiança do capital por decreto nem se obriga um grupo de companhias a retornar para um mercado que considera arriscado. O desafio é grande e, em boa parte, vai depender de uma posição mais flexível e tranquilizadora da senhora Kirchner.

Uma Venezuela em frangalhos

Nº edição: 810 | 19.ABR.13 - 21:31 | Atualizado em 19.Apr.13 - 21:31

A combinação extenuante de in­flação em alta, con­tas descontroladas, falta de produtos nas gôndolas e PIB estagnado já levou grandes economias às portas da falência.

por Carlos José Marques

A combinação extenuante de in­flação em alta, con­tas descontroladas, falta de produtos nas gôndolas e PIB estagnado já levou grandes economias às portas da falência. E continua a ocorrer, especialmente entre os países europeus. Quando esse coquetel se aplica a um país que há décadas vive basicamente de uma única receita (o petróleo), convive com carências sociais históricas e segue sem planejamento, a situação assume contornos de crise iminente. Esse pode ser o caso da Venezuela que, do lado de cá dos trópicos, acaba de emergir, fragilizada, das urnas. 

 
92.jpg
 
A piorar o quadro, o candidato escolhido para presidir a nação, Nicolás Maduro, venceu por uma margem apertadíssima, quase milimétrica, de votos – o que deu musculatura à oposição para barrar suas propostas e travar eventuais reformas. Maduro não é Chávez, todos sabem. Não possui seu carisma, sua eloquência, muito menos o poder de iludir massas alegando que o país vai bem quando está mal. Chávez conseguia isso na base de custosos programas populares, estatismo e gastança desenfreada para bancar a tal “Revolução Bolivariana”. Abriu um rombo impagável no caixa. A herança é pesada para Maduro. E, por tabela, deverá prejudicar parceiros vizinhos como o Brasil, que fez crescer seu comércio nessa via bilateral por amizade política com o antigo caudilho. 
 
Setores empresariais que atuam na Venezuela já desenham um cenário sombrio para breve. Querem garantias para seus contratos. Temem o calote e estão revendo planos de investimentos ali. A insatisfação com os rumos econômicos daquele mercado é visível nas ruas. O desemprego aumenta. A criminalidade, idem. A inflação já ultrapassou a casa dos assombrosos 27% ao ano. O déficit público se encontra na faixa de 15% do PIB. Uma desvalorização acentuada da moeda local deixou a população ainda mais pobre e carente de itens básicos. E novas revisões cambiais estão a caminho para compor o cenário de penúria. A questionável liderança de Maduro será, mais do que nunca, posta à prova. E ele terá de pedalar muito para engatar ritmo àquele mercado. O sinal de alerta está aceso.

O legado Thatcher

Nº edição: 809 | 12.ABR.13 - 13:00 | Atualizado em 25.Apr.13 - 17:09

Todos sabem: do ponto de vista estritamente econômico, a Dama de Ferro, Margaret Thatcher, abriu um caminho de liberalismo de desregulamentação indiscriminada, que depois foi trilhado por várias nações.

por Carlos José Marques

Todos sabem: do ponto de vista estritamente econômico, a Dama de Ferro, Margaret Thatcher, abriu um caminho de liberalismo – de valorização do “deus mercado” –, de desregulamentação indiscriminada, que depois foi trilhado por várias nações. Em determinado momento com sucesso, em outro com consequências desastrosas, como no caso da crise dos subprimes americanos em 2008. O Brasil, por sua vez, bebeu tanto da fonte do “thatcherismo” que, hoje, muitos são capazes de apontar diversos traços da ex-primeira-ministra britânica na versão tropical da presidenta Dilma. Ambas compartilham os mesmos princípios de disciplina orçamentária, o mesmo rigor na defesa das convicções e no trato com interlocutores. 

 
40.jpg
 
O “thatcherismo” à brasileira incluiu ao longo dos anos não apenas a privatização em larga escala de empresas estatais – da telefonia à siderurgia, além de companhias energéticas, ferroviárias, etc. – como o abrandamento dos processos burocráticos (quem não se lembra que o Brasil do passado recente já precisou contar com um Ministério da Desburocratização?). A redução do tamanho do Estado, a preocupação com o déficit público e com a ameaça inflacionária, o apego sistemático aos instrumentos monetários foram lições que a Dama de Ferro exportou para o mundo. Em contrapartida, ela adotou uma implacável política de diminuição dos direitos sociais, despertando a ira dos sindicatos, que viraram seus eternos opositores. A primeira-ministra inglesa foi, ao mesmo tempo, a face redentora e diabólica do Reino Unido, na visão dos conterrâneos. 
 
Muitos festejaram a sua morte. Mas, a despeito dessa corrente de resistência, Thatcher se converteu, inegavelmente, na mulher mais influente do século 20. Não há como ignorar sua contribuição, em especial no campo da iniciativa privada, do estímulo ao empreendedorismo e do resgate de uma economia praticamente dilapidada – transformada, sob a sua batuta, numa resplandecente potência global, política e econômica. A Inglaterra e o mundo devem muito a essa senhora. Seus preceitos de liderança, transparência e firmeza impuseram o melhor aprendizado para gerações e gerações de governantes. E, por que não dizer, de empresários, que perceberam com ela o tamanho dos riscos e responsabilidades do capitalismo.

A nova cara dos transportes

Nº edição: 808 | 05.ABR.13 - 21:00

A promessa de desatar o nó logístico tem novo defensor na figura razoavelmente instigante do ex-diretor do Banco do Brasil e ex-governador baiano César Borges - o homem que assume agora o ministério dos Transportes, com o gordo orçamento de R$ 20 bilhões

por Carlos José Marques

A promessa de desatar o nó logístico tem novo defensor na figura razoavelmente instigante do ex-diretor do Banco do Brasil e ex-governador baiano César Borges – o homem que assume agora o ministério dos Transportes, com o gordo orçamento de R$ 20 bilhões, o maior do governo, e a missão de apresentar rapidamente um plano de avanço acelerado da infraestrutura no País. Borges entra para o time de Dilma na cota de resgate do partido aliado PR, o mesmo que, não faz muito tempo, provocou uma lambança e tanto nos órgãos federais ligados à pasta, especialmente no DNIT. Mas, por seu know-how técnico, sua experiência política e sua disposição para realizar, Borges pode mesmo dar outro rumo a uma das áreas mais vitais – e lamentavelmente atrasada – da economia. 

 
44.jpg
 
Como uma das primeiras medidas na direção de saídas para os gargalos da infraestrutura, o Governo anunciou, também na semana passada, mais financiamentos às concessões de estradas, portos, ferrovias e aeroportos, além da redução a zero da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) desses projetos de concessão. Há, ainda, a ideia de criação de uma estatal para a infraestrutura. Borges chega, portanto, em boa hora – em um momento de mudanças promissoras. Nos próximos meses estará repleto de tarefas. Sob sua responsabilidade imediata ficará a licitação de 150 terminais portuários e 270 aeroportos regionais, como almeja Dilma. Do lado do empresariado, a expectativa é grande. 
 
A ineficiente malha logística tem gerado prejuízos em cascata e comprometido o esforço de desenvolvimento em negócios cuja excelência brasileira é reconhecida, mas vem sendo maculada por esse entrave. Caso, por exemplo, da agricultura, cuja safra recorde está sendo desperdiçada em virtude da incapacidade do País em escoá-la. Até o mês de março, já eram contabilizados mais de US$ 4 bilhões em perdas de mercadoria e contratos cancelados. Algo inaceitável e que tem se refletido pesadamente na balança comercial. Para se ter uma ideia, há mais de uma década não se via resultado tão ruim da balança como o registrado no último mês. Um quadro dramático que precisa ser revertido de maneira urgente.

A virada do humor

Nº edição: 807 | 28.MAR.13 - 21:00

Há uma consistente melhora no humor do mercado em relação ao governo Dilma.

por Carlos José Marques

Há uma consistente melhora no humor do mercado em relação ao governo Dilma. E as razões para o ânimo são as perspectivas econômicas de curto prazo. Estão prestes a sair do forno os números referentes ao crescimento do PIB no primeiro trimestre do ano e eles são estimulantes. Opiniões de analistas e de representantes da produção convergem para uma aposta de crescimento da ordem de 1% a 1,3% no período, o que projetaria uma taxa anualizada entre 4% a 5,2% – bem acima, portanto, do verificado no ano passado. E superior inclusive às primeiras estimativas que foram ventiladas em janeiro sobre o comportamento do PIB de 2013. 

 
44.jpg
 
O índice nesse patamar praticamente carimbaria o passaporte da presidenta Dilma para um segundo mandato. Afinal, é na bandeira da retomada do desenvolvimento que ela vem apostando todas as suas fichas, a contragosto dos adversários, que esperam por um tropeço nessa área. Se nada atrapalhar e os incentivos oficiais – com desonerações fiscais e liberações de crédito – seguirem no atual ritmo, haverá um conjunto de razões concretas para se acreditar que o País dificilmente perderá o prumo da estabilidade. Mesmo com os tremores externos. Uma pesquisa recente da FGV/Duke University com mais de mil executivos de grandes corporações multinacionais mostrou alto otimismo (de mais de 63%) com a situação do Brasil em 2013. 
 
Os entrevistados previram crescimento médio de 9,2% nas receitas de suas corporações internamente, aumento de 10% nos lucros e 3,9% nos empregos no hiato dos próximos 12 meses. A ideia de que o Brasil vem se convertendo numa ilha de oportunidades em meio às derrapagens de praças europeias ganha força por esses tempos. Tanto que vários desses grupos lá instalados têm priorizado investimentos e projetos por aqui, enquanto apertam o caixa em suas matrizes. O fluxo de capitais internacionais na bolsa brasileira e para investimentos produtivos é consistente. Os registros no Banco Central dão conta de entradas crescentes e em volumes superiores aos do mesmo período de 2012. São sinais alvissareiros de que os ventos continuarão a soprar a favor.

Confisco, uma ideia de dementes

Nº edição: 806 | 22.MAR.13 - 21:00 | Atualizado em 25.Mar.13 - 17:33

A lambança financeira que autoridades monetárias europeias tentaram impor à endividada Chipre só não teve maiores consequências porque o Parlamento daquele país insular, em um momento de rara lucidez, decidiu barrar a proposta de confisco em curso.

por Carlos José Marques

A lambança financeira que autoridades monetárias europeias tentaram impor à endividada Chipre só não teve maiores consequências porque o Parlamento daquele país insular, em um momento de rara lucidez, decidiu barrar a proposta de confisco em curso. Sim, a diabólica ideia de tungar a poupança de cidadãos – em confronto aberto com qualquer regra de civilidade e legitimidade – voltou a ser cogitada naquele recanto paradisíaco do mundo, porta dos fundos do Mar Mediterrâneo, como alternativa para cobrir rombos de caixa. Repetiria, com os mesmos requintes de tragédia anunciada, o malfadado esquema imposto no Brasil pelo ex-presidente, agora senador, Fernando Collor, demonstrando claramente que autoridades teimam em não aprender com erros do passado. 

 
64.jpg
 
Quem desta vez bolou o frustrado ardil foi o Banco Central Europeu (BCE) em conluio com o FMI e o Fed americano. A rapinagem grassava com fervor nas cabeças mais coroadas da cúpula financeira global. O governo cipriota encampou a ideia para agradar aos credores. A população, em desespero, correu às bocas de caixa dos bancos para salvar o que podia. Protestos tomaram as ruas. Um desastre geral! E o exaustivo esforço feito até aqui para resgate da credibilidade do sistema no continente europeu – e consequente saneamento de sua dívida soberana – quase foi por água abaixo dada a ideia de dementes. Não estão descartados sequer arranhões à imagem do euro. Afinal, pode se alastrar o receio de que a medida tome impulso e avance em outras praças do Velho Mundo. 
 
No saldo do episódio, o que os líderes financistas europeus fizeram foi dar munição para o agravamento da crise. Erro primário, descabido e inesperado. Países membros da zona do euro perderão tempo e dinheiro aos montes para contornar o estrago e acalmar os alarmados correntistas de suas instituições. Uma investida destrambelhada de depositantes aos bancos é tudo o que a Europa não precisa neste momento. Não se salva o mercado com desordem social. E Chipre, no caso, esteve bem perto disso dada a falta de habilidade de quem tinha o poder de decidir. Que a lucidez e o equilíbrio voltem a prevalecer na cabeça desses senhores do capital. Do contrário, Chipre pode se transformar no epicentro de uma nova hecatombe monetária internacional.

A demanda dos governadores

Nº edição: 805 | 15.MAR.13 - 16:10 | Atualizado em 15.Mar.13 - 16:10

O pacto federativo, as contas estaduais, a distribuição dos royalties do petróleo, a mudança de indexadores da dívida.

por Carlos José Marques

O pacto federativo, as contas estaduais, a distribuição dos royalties do petróleo, a mudança de indexadores da dívida. Um balaio de custosos pedidos, todos eles mexendo direta ou indiretamente com o dinheiro da União – e, por tabela, do contribuinte –, foi parar na pauta do Congresso através de propostas a serem votadas em regime de urgência. A demanda é estadual e seus proponentes, os governadores, com o objetivo de intensificar as pressões, seguiram direto para Brasília na semana passada. Desembarcaram em caravana, alinhavaram o acordo de benefícios, montaram uma espécie de fórum de negociações e, agora, esperam a complacência do Tesouro, com o “de acordo”, para a viabilidade do pacote de bondades. 

 
77.jpg
 
Em delegação pilotada por Eduardo Campos, de Pernambuco (mais presidenciável do que nunca!) e por Antonio Anastasia, de Minas Gerais (esse orientado por seu mentor, Aécio Neves), os políticos sugeriram inclusive a revisão dos percentuais previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal. O que une o grupo é a falta de caixa. Eles falam em situação de pré-falência. Querem na verdade engordar as receitas das almejadas obras públicas que servirão de outdoors nos comícios partidários da eleição de 2014. O ato midiático montado na capital do poder traz decerto uma questão de fundo. Não é de hoje que o problema dos compromissos dos Estados se tornou crítico. A renegociação, como saída inevitável e irreversível, vem avançando. Mas o tempo corre contra. Para se ter uma ideia do tamanho do rombo, em 1997 os Estados da União deviam, juntos, cerca de R$ 93 bilhões. 
 
Após uma repactuação, chegaram a pagar mais de R$ 242 bilhões até 2011. Hoje o montante restante ainda supera a casa dos R$ 428 bilhões. A contraproposta federal para ajustar a pendência sugere taxa Selic e juros de 4% ao ano sobre o devido. Nesses termos, já representa um tremendo alívio. A asfixia da Federação não interessa a ninguém, como também não parece adequada a tentativa de emparedar o governo com exigência em bloco de facilidades além da conta. O pleito de viabilização da dívida é legítimo, mas ele passa por uma equilibrada discussão política e de gestão econômica, caso a caso, que identifique falhas e desvios de verbas, descarte oportunismos e contemple o interesse geral da Nação.
índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

© Copyright 1996-2011 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.