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Dinheiro da Redação
O juiz da União Europeia
Nº edição: 748 |
03.FEV.12 - 21:00
Sempre esteve nas mãos da Alemanha a liderança do Mercado Comum Europeu.
por Carlos José Marques
Sempre esteve nas mãos da Alemanha a liderança do Mercado Comum Europeu. E por um motivo elementar: a sua expressiva vantagem econômica em relação aos demais parceiros. Como a mais rica, mais poderosa e de melhores perspectivas – basta olhar para os fundamentos monetários, estabilidade de mercado e números positivos que sistematicamente exibe –, a nação alemã conduziu o bloco até aqui e é hoje sua maior esperança de salvação contra a crise. A Alemanha pediu aos vizinhos um rígido corte de gastos e controle das contas públicas. Conseguiu.

Agora costura com os credores um alongamento da dívida da região. Ninguém duvida que ela fechará um acordo nesse caminho. Por sua dimensão continental e poder de contágio, o enrosco europeu virou a maior arma alemã para concretizar seus planos de hegemonia. Boa parte do mundo está de olho nos desígnios da Alemanha. E, por tabela, nas mãos da chanceler Angela Merkel. Ela sabe disso e adotou a estratégia de tentar rearrumar a União Europeia sem colocar um centavo do bolso. Espera que outros o façam. Com a disciplina orçamentária e o cuidado para não emprestar reservas do país a fundo perdido, Merkel amealhou resultados internos de encher os olhos.
A Alemanha apresenta neste momento a sua menor taxa de desemprego das últimas duas décadas (6,7%). Quase um terço da média registrada no bloco. O PIB cresceu 3% em 2011. Mais do que o esperado no pujante Brasil. A dívida pública caiu de 105 bilhões de euros em 2010 para 26 bilhões de euros no ano passado. E, sem maiores esforços, Merkel, com esses indicadores, deverá manter seu prestígio por longa data. O que tanto ela como o país não podem perder de vista é a realidade que os cerca. A Alemanha não é uma ilha e não deve procurar o caminho do isolamento. A liderança e o eventual papel de juiz do destino do Mercado Comum pressupõem responsabilidades que não podem ser deixadas de lado.
Os ecos de Davos
Nº edição: 747 |
27.JAN.12 - 21:00
Como caixa de ressonância do pensamento global, o Fórum Econômico de Davos vem perdendo prestígio e relevância há anos.
por Carlos José Marques
Como caixa de ressonância do pensamento global, o Fórum Econômico de Davos vem perdendo prestígio e relevância há anos. Nas últimas edições, foi incapaz de desenhar cenários realistas e prever ameaças como a crise vivida hoje na Europa. Os rumos do capitalismo, mesmo assim, seguem como prato principal de seus saraus de debates. E para um mesmo ponto, ao menos, Davos e os principais organismos financeiros internacionais convergem agora: estão em sintonia quando apontam que chegou o momento de decisão para a Europa. Enquanto ocorriam as discussões nas salas do aprazível recanto suíço, o FMI decretou um corte radical em suas previsões de crescimento da região. As agências de risco rebaixaram notas de nove países europeus.

E Davos, para não ficar atrás, expressou um pessimismo – de empresários, autoridades e especialistas presentes – como há muito não se via. O que precipita a onda de temor é o grande teste de fôlego financeiro que o continente terá de enfrentar logo adiante, em março próximo, quando vencem nada menos que E 87 bilhões em títulos da dívida do Mercado Comum. Será um momento crítico, em especial para Grécia, Portugal e Itália. E o comportamento desses parceiros dará a cadência de melhora ou piora do quadro. Muito provavelmente a saída grega, para ficar em apenas um caso, não será de longo prazo, e a nação voltará a viver apertos logo adiante. Mas Davos, FMI e mesmo os países fora do eixo pregam uma alternativa concreta diante do inevitável.
Todos começaram a falar em bases novas para o capitalismo, valorizando o papel e a ação dos chamados emergentes como o Brasil. O caminho pressupõe relevância de decisão desses protagonistas nas mesas de reunião dos organismos multilaterais. Mas as grandes potências ainda resistem a ceder espaço. De pires na mão, a própria diretora-geral do Fundo, Christine Lagarde, empreendeu recentemente uma cruzada solitária visitando possíveis contribuintes para o bolo de empréstimos. O Brasil entrou na rota e se desviou de compromissos mais firmes. Alegou outras prioridades. É uma constante nesses encontros. Ninguém quer se comprometer além do estritamente necessário, temendo a contaminação. Davos, mesmo assim, descartou a hipótese de uma moratória coletiva. Resta saber se, desta vez, os oráculos do Fórum vão errar de novo.
A educação e o debate eleitoral
Nº edição: 746 |
20.JAN.12 - 21:00 | Atualizado em 27.Jan.12 - 01:24
Quanto vale um diploma? O ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva nunca teve título universitário e isso não o impediu de ser eleito presidente da República.
por Milton Gamez
Quanto vale um diploma? O ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva nunca teve título universitário e isso não o impediu de ser eleito presidente da República. Os empresários Amador Aguiar (Bradesco) e Samuel Klein (Casas Bahia) fundaram impérios sem passarem pelo vestibular. Mas quantos brasileiros têm chances de alcançar a sonhada vitória desses self-made men? Para a maior parte da população, a medida de sucesso na vida é conseguir um bom emprego ou montar um negócio que garanta moradia própria, o sustento da família e a educação dos filhos. Milhões de brasileiros que hoje engordam a nova classe média têm na educação a única chance real de ver seus filhos prosperarem mais do que eles. Sem uma boa formação, não há esperanças para os novos profissionais num mercado de trabalho cada vez mais global e competitivo.
Profissionais e empreendedores de países desenvolvidos em crise têm mudado para o Brasil em busca de fortuna. Aqui, a boa educação é o melhor passaporte para a riqueza individual e o desenvolvimento nacional – o resto é sorte e perseverança. Neste ano de eleições, é alentador saber que a educação será um dos principais temas na corrida pela sucessão de Gilberto Kassab (PSD) na Prefeitura de São Paulo. Do orçamento de R$ 38,7 bilhões que o prefeito dispõe para investir em 2012, nada menos que R$ 7,3 bilhões (19%) serão destinados à educação. Não é coincidência que Fernando Haddad é o candidato do PT nessa disputa. Ungido pessoalmente por Lula em detrimento da ex-prefeita Marta Suplicy, o ministro da Educação do governo Dilma desligou-se do cargo na quarta-feira 18.
Antes disso, fez um balanço positivo da pasta. Os investimentos públicos diretos cresceram significativamente desde 2003, passando de 3,9% para 5,1% do PIB em 2011. É preciso avançar mais. “Queremos que todos os brasileiros tenham direito a uma das duas possibilidades: ensino médio profissionalizante ou ensino superior”, afirmou Haddad ao passar o bastão. Sinal dos tempos: em seu discurso de posse em 2003, Lula disse que estaria realizado se cada brasileiro conseguisse fazer três refeições por dia. Hoje, o povo não quer só comida. Debater a qualidade do ensino público é vital para o futuro do País. Numa metrópole como São Paulo, em que o tráfico de drogas desafia as autoridades não apenas na Cracolândia, mas também nas escolas e no campus da USP, a educação ganha status de segurança pública nos debates. Haddad já está em campanha. Que venham os concorrentes.
A nostalgia do chuchu
Nº edição: 745 |
13.JAN.12 - 21:00
Expurgos, confiscos, maquiagem. Na rica história da inflação brasileira, não faltaram artifícios para tornar mais manso ou mais belo um monstro que nos assombrou durante anos.
por Luiz Fernando Sá
Expurgos, confiscos, maquiagem. Na rica história da inflação brasileira, não faltaram artifícios para tornar mais manso ou mais belo um monstro que nos assombrou durante anos. De tão presente, ganhou até uma expressão física na figura mitológica do dragão, contra quem nossas autoridades econômicas travavam quixotescas batalhas. Na falta de armas contundentes, montavam armadilhas em que imaginavam aprisionar a astuta fera e matá-la por inanição. Nenhum episódio desse gênero foi tão emblemático como o da “inflação do chuchu”, de 1977.
Confrontado com uma aceleração na alta de preços no primeiro trimestre daquele ano (atingiu 4% ao mês em março), o então ministro da Fazenda Mario Henrique Simonsen encontrou nos hortigranjeiros um bode expiatório. E, do alto de sua genialidade, bradou: “Essa inflação é do chuchu.” Para combatê-la, deixou o dragão de lado e matou o legume, diminuindo o peso do preço do vegetal na composição do índice inflacionário. Caíram na armadilha os brasileiros. Comendo menos chuchu, o dragão alimentou-se de outros bens e, ao invés de emagrecer, engordou.
Na semana passada, uma nostalgia daqueles tempos heroicos atormentou cabeças Brasil afora. Bastou o IBGE anunciar mudanças na lista de itens que compõem o IPCA, índice oficial da inflação brasileira, para que os mais afoitos enxergassem no ministro Guido Mantega e no presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o mesmo afã de atacar o dragão com as lanças da ilusão. Com a inflação no teto da meta (6,5% ao ano) e o desejo declarado de recolocá-la em seu eixo central (4,5% ao ano), teriam eles encomendado o expurgo do chuchu e outros produtos e serviços de modo a anestesiar a fera e facilitar seu trabalho?
A memória do passado é útil, desde que não leve a associações fáceis ou falsas. O medo do dragão deve permanecer e as desventuras enfrentadas em outros tempos nos servir de exemplo, mas não podemos criar monstros imaginários. A mudança promovida pelo IBGE entrega ao governo uma ferramenta atualizada de gestão, que reflete com mais clareza o que o brasileiro realmente consome hoje e quanto cada item pesa em seu orçamento. Se aparece à mesa cada vez mais raramente, por que o chuchu deveria despontar no IPCA? Que saia logo e dê lugar ao salmão, presente em qualquer bufê de restaurante por quilo. E também aos gastos com internet, telefonia celular e tevê a cabo, entre outros, que levam uma fatia cada vez maior da renda das famílias. Que o dragão descanse em paz.
Gigantes com pés de barro
Nº edição: 744 |
06.JAN.12 - 20:44 | Atualizado em 06.Jan.12 - 20:44
A crise econômica da União Europeia revelou que alguns gigantes do bloco tinham pés de barro.
por Milton Gamez
A crise econômica da União Europeia revelou que alguns gigantes do bloco tinham pés de barro. Embora ostentassem há décadas endividamentos elevados em relação ao PIB, países como Itália e Espanha – que sempre financiaram seus déficits sem dramas vendendo títulos públicos aos investidores privados – terminaram 2011 sob o contágio da tragédia grega. A derrocada da Grécia não só tornou mais difícil e cara a rolagem das dívidas italiana e espanhola, entre outras, como ameaçou a própria existência do euro, a moeda única de 17 países. A dúvida mortal é se os bancos europeus que carregam os títulos públicos com a credibilidade arranhada terão força para suportar uma onda de calotes oficiais. Não por acaso, o Banco Central Europeu emprestou quase E 500 bilhões na virada do ano para 523 bancos, por um prazo de três anos, a juros mínimos.
O BCE espera, com isso, dar mais fôlego para a rolagem das dívidas e melhorar as expectativas de investidores, empresas e consumidores quanto ao futuro da União Europeia. Muitos bancos europeus têm mantido certa lucratividade graças aos ganhos robustos que obtêm em suas filiais na América Latina, especialmente no Brasil. Casas como Santander e HSBC só têm a agradecer por suas operações relevantes no País, que rendem bons negócios e muitos dividendos. Surpreende, portanto, que Nicolas Eyzaguirre (foto), diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) responsável pela América Latina, tenha feito um alerta sombrio sobre a possibilidade de contágio dos bancos da região. “Embora a deterioração das condições ainda não tenha se propagado à América Latina, não estaremos imunes se os riscos aumentarem”, escreveu Eyzaguirre.
“Um quarto dos ativos bancários das maiores economias latino-americanas, em média, está nas mãos de bancos da zona do euro, e muitos desses bancos não estão concedendo empréstimos ou renovando as linhas de crédito existentes, na tentativa de reforçar seus balanços.” Ora, se os ativos podres que assustam estão na Europa, e não na América Latina, os bancos de lá tendem a reforçar as operações por aqui, onde as perspectivas são muito melhores. E o financiamento dessas filiais, como ele mesmo admite no artigo, é em sua maior parte feito com dinheiro local, ou seja, não irá desaparecer se a crise de crédito na Europa se agravar. Para que, então, ser alarmista e jogar lenha verde na fogueira das expectativas pessimistas? Se o objetivo era levantar fumaça, Eyzaguirre conseguiu.
A sexta economia do mundo
Nº edição: 743 |
28.DEZ.11 - 19:47 | Atualizado em 09.Jan.12 - 11:18
A fracassomania vigente entre analistas diz que o Brasil ainda tem muito a fazer para alçar um lugar entre as nações desenvolvidas.
por Carlos José Marques
A fracassomania vigente entre analistas diz que o Brasil ainda tem muito a fazer para alçar um lugar entre as nações desenvolvidas. Como contraponto a qualquer indicador de avanço, esses especialistas falam dos históricos atrasos na educação, no saneamento, no transporte, na saúde. Tratam com descaso o reconhecimento externo. E, mesmo com os números sinalizando a melhora, buscam destacar prognósticos negativos. Estão quase sempre olhando para o retrovisor, estimulando o complexo vira-lata que em algum momento fez a maioria acreditar que este é um país que não pode mesmo dar certo. São evidentes as deficiências sociais internas e não se trata aqui de escondê-las.

Mas também são notórias as conquistas. A mais recente delas coloca o Brasil como a sexta maior economia do mundo, ultrapassando em PIB o Reino Unido. É uma notícia que, por si só, reverbera pelos mercados, gerando uma onda de interesse e investimentos para cá ainda mais forte. O ministro Guido Mantega, diante da informação, procurou se antecipar aos críticos de plantão e reconheceu que, no campo da renda per capita nacional, o Brasil levará pelo menos 20 anos para atingir o padrão europeu. Mas qualifique-se o atual estágio de desenvolvimento interno e o quadro será bastante promissor. O Brasil tem crescido, em média, muito acima da maioria. De 2006 para cá avançou 28%, contra apenas 5,7% da eurozona e 2,9% do recém-ultrapassado Reino Unido.
O PIB em dólares quase triplicou e beira os US$ 3 trilhões. Em 2011 o desemprego atingiu o menor índice da década, chegando a promissores 5,2%, contra os 23% verificados atualmente em economias da Europa. O endividamento público segue em queda e o consumo em alta. E, a julgar pelo volume de inversões de capital estrangeiro, essa virou realmente a terra das oportunidades. Apesar do cenário nebuloso externo, nada leva a crer que esse protagonismo econômico esteja em xeque ou que seja revertido. Ainda estamos longe do ideal, mas, observando friamente os indicadores globais, é possível constatar que o momento do Brasil indiscutivelmente chegou.
As contas do governo
Nº edição: 742 |
22.DEZ.11 - 19:13 | Atualizado em 22.Dec.11 - 19:13
A equipe da presidenta Dilma corre para fechar os números do Orçamento para 2012. A maior vitória nessa direção foi conseguida na semana passada com a aprovação acachapante da DRU.
por Carlos José Marques
A equipe da presidenta Dilma corre para fechar os números do Orçamento para 2012. A maior vitória nessa direção foi o verdadeiro cheque em branco que o governo conseguiu na semana passada com a aprovação acachapante – 53 votos a favor e 13 contra no Senado – da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Com a DRU, nada menos que R$ 62 bilhões poderão ser investidos em projetos novos, como os previstos no PAC, sem necessariamente estarem alocados nos percentuais estabelecidos para cada setor de responsabilidade do Estado, como transporte, educação, saúde, etc. O Ministério da Fazenda considera a DRU uma ferramenta vital no combate e na resistência à crise econômica global. Isso porque ela ajuda a dar liquidez ao mercado através das linhas de financiamento oficiais.

A DRU também permite, por tabela, que o Executivo barre o apetite por emendas dos parlamentares que sempre transformaram o Orçamento oficial numa espécie de balcão de negócios. As verbas condicionadas significam uma camisa de força que, em momentos de aperto, limitam o oxigênio financeiro da União para escalar prioridades nos gastos. A aprovação da DRU aliviou essa pressão. A presidenta Dilma, de todo modo, está determinada a evitar qualquer custo extra que vá pesar no caixa. O relatório final do Orçamento excluiu, por exemplo, reajustes para os servidores públicos – como os do Judiciário, que vinham pedindo revisões salariais – e qualquer aumento acima da inflação para aposentadorias e pensões que ultrapassem o valor do salário mínimo.
São medidas no caminho correto. A ordem é apertar o cinto para que as sobras sejam dirigidas fundamentalmente à blindagem da economia. Com a perspectiva de aumento das receitas fiscais, que continuam batendo recorde, a expectativa de Dilma é contar com um colchão razoavelmente folgado de recursos que garanta o crescimento do PIB na casa dos 5% em 2012 com base unicamente no mercado interno, independentemente do que aconteça lá fora. Essa disciplina fiscal é elogiável. Certamente, o melhor antídoto para o País não ser contaminado pela onda de quebras internacionais é o saldo das suas reservas que pode até financiar a produção local.
O plano de crescimento 2012
Nº edição: 741 |
16.DEZ.11 - 21:00
No entender do governo, o Brasil está mais bem preparado agora do que em 2008 para as intempéries de uma crise econômica externa, até pela experiência que adquiriu nessas situações.
por Carlos José Marques
No entender do governo, o Brasil está mais bem preparado agora do que em 2008 para as intempéries de uma crise econômica externa, até pela experiência que adquiriu nessas situações. Os mesmos mecanismos já adotados lá atrás, com bons resultados, para injetar fôlego no mercado doméstico podem ser de novo acionados. De maneira cirúrgica e gradual, como almeja o responsável pelo plano de blindagem da economia, o ministro Guido Mantega. Aos poucos, Mantega já vem lançando mão de instrumentos fiscais e monetários, como a revisão do IPI dos carros e do IOF em algumas operações.

Dentro da estratégia de liquidez não está descartado sequer o uso das reservas cambiais, atualmente da ordem de US$ 350 bilhões, como um colchão financeiro para amortecer a queda de crédito internacional às empresas brasileiras ou que operem aqui. É um volume de recursos bastante confortável, que deve ser escoado não apenas através do Banco Central diretamente aos exportadores como também por meio de organismos multilaterais tipo o BNDES. O fato é que não falta arsenal para a batalha. Mas como gostam de frisar o ministro Mantega e seus auxiliares, a palavra de ordem é calibragem. Qualquer excesso, para um lado ou para o outro, leva a efeitos colaterais indesejáveis, como a quase paralisia da produção que ocorreu no terceiro trimestre do ano devido a medidas restritivas levadas deliberadamente adiante para barrar a inflação.
É possível constatar que, apesar do impasse europeu e dos temores de alastramento da crise, a situação interna está razoavelmente sob controle. A tranquilidade das autoridades nesse sentido está baseada nos indicadores. A geração de postos de trabalho segue em bom ritmo, com expectativa de provocar uma redução ainda maior da taxa de desemprego em 2012. Os investimentos diretos continuam em alta e os fundamentos macroeconômicos estão preservados, com a possibilidade de novas reduções na taxa básica de juros, a Selic. Por todas essas variáveis é que a equipe econômica aposta que o Brasil deverá ter um crescimento acima da média mundial em 2012. Os dados estão lançados.
O Brasil vai muito bem, apesar dos que lucram vendendo pessimismo
Nº edição: 740 |
09.DEZ.11 - 21:00
Catastróficos de plantão voltam a vender a ideia de que o Brasil caminha para o cadafalso, que a produção parou, que o PIB estagnou.
por Carlos José Marques
Catastróficos de plantão voltam a vender a ideia de que o Brasil caminha para o cadafalso, que a produção parou, que o PIB estagnou. No início do ano, a grita era contra a ameaça da inflação, que perderia o controle devido ao consumo alto e ao crédito farto. Alegavam os tais profetas do apocalipse que o País crescia demais, como uma bolha artificial, de forma irresponsável. Pediam um breque estratégico, uma recuada de ritmo. Autoridades aquiesceram. Vieram medidas de contração, arrocho mesmo, e o mercado trombou com o fator extra de um cenário de crise na Europa além da conta. Todas as variáveis desembocaram nos números do PIB do último trimestre, divulgados na semana passada pelo IBGE. A economia interna deu uma estacionada. Indústria e serviços, principalmente, seguraram a expansão. Para os alarmistas, foi como se o País tivesse afundado na recessão inexorável.

O fato é que tal encolhimento foi algo feito de maneira deliberada, a partir do manuseio dos instrumentos monetários disponíveis, usados com o objetivo declarado de dar uma segurada geral. Podem-se discutir a dosagem do remédio, o peso dos imprevistos. Mas, indiscutivelmente, os fundamentos macroeconômicos que amparam o desenvolvimento sustentável do País continuam onde estavam antes. As contas seguem em dia, inversões de capital externo batem recordes e até a taxa de emprego cresce. Indicadores positivos – inclusive o da aceleração de alguns setores como o da agricultura – demonstram a vitalidade do mercado brasileiro. Mesmo os mais conservadores organismos financeiros, como o FMI, já enxergam o País como o porto seguro, o paraíso das oportunidades.
Mas, claro, os analistas precisam vender dificuldades para colher facilidades. E muitos caem na esparrela de acreditar em seus prognósticos. Dão-se mal. Ainda está na memória o erro praticado ao final de 2008 por alguns segmentos que embarcaram na chamada crise de expectativas e engavetaram projetos e produção, perdendo clientes e faturamento, como a indústria automobilística, que demorou a reagir. Empreendedores não podem sucumbir à avaliação rasteira dos especialistas de academia que elaboram seus relatórios pseudotécnicos, sem embasamento prático. E o Brasil como um todo precisa se livrar do complexo vira-lata de que é um país que não pode dar certo. Seu momento chegou, apesar dos arautos do fracasso crônico.
Brasileiros que fazem a diferença
Nº edição: 739 |
02.DEZ.11 - 21:00
Todos os anos as revistas da Editora Três homenageiam brasileiros que se destacaram nas mais diversas áreas de atividade.
por Carlos José Marques
Todos os anos as revistas da Editora Três homenageiam brasileiros que se destacaram nas mais diversas áreas de atividade. A distinção tem o objetivo de não apenas lançar luzes sobre os feitos dos homenageados como também de mostrar exemplos de vida que empurram a Nação para a frente, que servem de inspiração no esforço coletivo para tornar o Brasil um país socialmente mais justo, economicamente viável e politicamente correto. Com a premiação de Brasileiro do Ano, Empreendedor do Ano e Personalidade do Ano, celebramos a pluralidade, a democracia, a criatividade e a capacidade de um povo de se reinventar. O Brasil termina 2011 protagonizando um papel internacional jamais vivido em sua história e até bem pouco tempo atrás impossível de ser imaginado por seus mais otimistas pensadores. Superamos, sem que houvesse qualquer ruptura institucional, a era em que recebíamos de organismos como o FMI e das autoridades financeiras do Velho Continente um receituário impondo regras de bom funcionamento.

Hoje, somos chamados pelo mesmo FMI a colaborar com propostas para a saída da crise global e a participar do socorro financeiro para nações antes tidas como potências. O mundo mudou. Está de ponta-cabeça. E, no atual cenário, o chamado país do futuro parece cada dia mais presente. Por méritos próprios. Superamos nossas divergências internas. Aprimoramos uma sociedade que se torna mais madura a cada eleição. Há pelo menos oito anos, experimentamos o doce sabor de poder crescer distribuindo renda, diminuindo aos poucos a ainda enorme desigualdade social, que, com persistência, ousadia e planejamento político, deverá ser, em breve, definitivamente abolida.
Perseverança e ousadia são, aliás, as características inerentes que forjam as personalidades homenageadas pela Editora Três. Elas representam de alguma maneira o poder de superação do povo brasileiro. Quando observamos os números que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU constatamos o quanto ainda há a ser feito. Mas encontramos o caminho. Temos coragem e talento para seguir adiante e, com o aprendizado dos últimos tempos, podemos acalentar a esperança de que o País não mais sairá do trilho, muito embora fatores externos insistam em interferir nesse destino. Que as lições dadas pelos homenageados da Editora Três sirvam como chancela de que um novo tempo começou para o Brasil.